Notícias IAC

Aluna de mestrado do IAC recebe prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade

-

A premiação aconteceu em 5 de junho no edifício-sede da Vale, no Rio de Janeiro
\r\n

\r\n
\r\n
Jhonatas Simião (Estagiário) e Fernanda Domiciano – Assessoria de Imprensa – IAC
\r\n

\r\n
\r\n
Com pesquisa que comprova a sustentabilidade da cana-de-açúcar produzida no Brasil, Luciana Zotelli, que fez mestrado na Pós-Graduação do Instituto Agronômico em Agricultura Tropical e Subtropical foi uma das vencedoras do Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade 2013. O trabalho premiado é a dissertação de mestrado “Palha e vinhaça: emissões de CO2, N2O e CH4 em solo com cana-de-açúcar”. As condecorações foram entregues em junho de 2014, no Rio de Janeiro.  Durante o mestrado, concluído em 2012, Luciana foi orientada por Heitor Cantarella, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
\r\n
 
\r\n
Na pesquisa, foi verificado que a quantidade de óxido nitroso (N2O) – um dos gases do efeito estufa, liberado no processo produtivo da cana-de-açúcar, fica abaixo do padrão internacional. Os resultados também apontam aumento na emissão de gases quando a palha é deixada no solo. Para chegar a essas conclusões, a então mestranda  avaliou, desde 2010, experimentos em Jaú e Piracicaba, nas fases de plantio e rebrota da cana.
\r\n
 
\r\n
“Meu projeto de mestrado foi executado com muita dedicação e ter esse reconhecimento através da premiação é, sem dúvida, muito gratificante, bem como constatar que o tema e os resultados do meu projeto contribuíram para o conhecimento científico do Brasil e para o aprimoramento da área referente ao tema de gases de efeito estufa”, afirma Luciana.
\r\n
 
\r\n
Segundo Cantarella, o prêmio reforça a excelência acadêmica da Pós-Graduação do IAC, que completou 15 anos em 2014. “O Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade, apesar de recente, é muito concorrido e um importante reconhecimento para o programa de Pós-Graduação do IAC. É a primeira vez que uma mestranda do Instituto Agronômico é condecorada pelo Vale-Capes. Isso comprova não só a excelência acadêmica, mas também a preocupação com temas atuais e de relevância para a sociedade”, diz o pesquisador.
\r\n
 
\r\n
Para Luciana, a excelência dos pesquisadores do Instituto foi essencial para a execução do projeto. “A Pós-Graduação do IAC me proporcionou uma excelente orientação técnica, o que foi fundamental para que o projeto fosse executado com sucesso. Por isso o prêmio vem reconhecer não somente a importância da dissertação de mestrado, mas também a qualidade técnica dos pesquisadores do IAC e da Pós-Graduação”, afirma.
\r\n
 
\r\n
O Prêmio, uma parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Vale, reconhece com condecoração as melhores teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidas no ano anterior. São consideradas quatro modalidades: processos eficientes para redução do consumo de água e de energia, aproveitamento, reaproveitamento e reciclagem de resíduos e/ou rejeitos, redução de gases do efeito estufa e tecnologias socioambientais, com ênfase no combate à pobreza.
\r\n
 
\r\n
Os agraciados recebem certificado, troféu, bolsa para realização de doutorado em instituição nacional de até quatro anos e prêmio adicional no valor de R$ 10 mil. Os orientadores recebem auxílio equivalente a uma participação em congresso nacional, no valor de R$ 3 mil. Luciana ainda está definindo o tema do seu projeto de doutorado, que poderá ser feito no IAC.
\r\n
 
\r\n
Pesquisa
\r\n
 
\r\n
O trabalho de Luciana revela que a quantidade de óxido nitroso (N2O), um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, liberado na atmosfera durante o processo de produção da cana nos canaviais ficou abaixo do limite proposto internacionalmente, pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) e outros trabalhos importantes que apontaram fatores de emissão ainda maiores – de 3% a 5% do nitrogênio das lavouras de Piracicaba e Jaú, onde os estudos foram conduzidos.
\r\n
 
\r\n
De acordo com o Painel, em média, a liberação de óxido nitroso na atmosfera é de 1% do nitrogênio aplicado como fertilizante nas plantações. Parece pouco, mas o potencial de aquecimento global do N2O é cerca de 300 vezes maior do que o gás carbônico. Por meio dos estudos desenvolvidos na Pós-Graduação do IAC foi comprovado que o fertilizante usado em cana-de-açúcar libera de 0,7% a 0,9% do gás.
\r\n
 
\r\n
O estudo também constatou que nos canaviais com muita palha sobre o solo as emissões aumentaram.  “Observamos que quanto maior a quantidade de palha, maior a emissão de óxido nitroso. Em canaviais com mais de 21 toneladas de palha por hectare, por exemplo, o fator de emissão foi de 2%. Porém, na maior parte dos canaviais, a quantidade de palha é inferior a esse valor, situação em que as emissões permaneceram dentro de padrões normais”, afirma Heitor Cantarella.
\r\n
 
\r\n
A palha no canavial é decorrente da colheita mecanizada da cana-de-açúcar. Com a proibição de queimadas na colheita manual, as palhas são deixadas no campo e a cana passa a ser cultivada sobre elas.
\r\n
 
\r\n
Outro levantamento realizado diz respeito ao uso ou não da vinhaça – subproduto do etanol aplicado nos canaviais como fertilizantes. A pesquisa revelou que as emissões de óxido nitroso atingiram cerca de 3% do nitrogênio do fertilizante, quanto este é aplicado em solo com vinhaça e alta concentração de palha. Esse processo ocorre porque a vinhaça e a palha são importantes fontes de carbono e acabam colaborando para que os micro-organismos presentes no solo provoquem a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa.
\r\n
 
\r\n
Segundo o pesquisador do IAC e orientador da pesquisa, são poucos os dados referentes à emissão de óxido nitroso por meio de aplicação de nitrogênio, principalmente na cultura de cana-de-açúcar para as condições paulistas. Esse cenário amplia a relevância dos resultados deste estudo.
\r\n
 
\r\n
Cantarella afirma que no mundo todo há interesse em dados a respeito dos bicombustíveis. “Ter resultados nas condições de cultivo no Brasil é de extrema importância para evitar que pesquisadores de outros países utilizem dados obtidos em outros locais e que nem sempre refletem os padrões relativamente favoráveis em que se cultiva cana no Brasil”, diz. O pesquisador ressalta que o Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo e que o etanol abastece 50% da frota nacional de carros. Esses dados são, portanto, de grande relevância para o País e, em especial, para São Paulo, Estado que produz 60% da cana brasileira. “Com certeza, levantando essas informações, estamos produzindo conhecimento que será muito útil para tomada de decisões futuras, além de contribuir para se conhecer mais profundamente nosso sistema de produção de etanol”, afirma o pesquisador e orientador da pesquisa premiada.
\r\n
 
\r\n
Pós-Graduação IAC
\r\n
 
\r\n
A Pós-Graduação do IAC em Agricultura Tropical e Subtropical é dividida em três áreas de concentração: Gestão de Recursos Agroambientais, Genética, Melhoramento Vegetal e Biotecnologia e Tecnologia da Produção Agrícola. Referendado pela Capes, ocurso busca formar pesquisadores, docentes e profissionais especializados, em nível de mestrado, desde 1999. O curso de doutorado foi implantado em 2009.
\r\n
 
\r\n
Os alunos contam com bolsas de estudos junto a financiadoras como CAPES, Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e iniciativa privada. Já foram defendidas 360 dissertações de mestrado e 15 teses de doutorado.
\r\n
 
\r\n
A PG-IAC se destaca por oferecer formação voltada para a pesquisa aplicada, com geração de tecnologia específica para cada cultura ou para cada linha de pesquisa no universo da agricultura tropical e subtropical. Como instituição de pesquisa não pertencente ao sistema universitário, o IAC foi pioneiro no Estado de São Paulo ao criar, em Campinas, um curso autônomo de pós-graduação stricto-sensu, o mestrado. Com a pós-graduação, a Instituição, além de gerar conhecimento, passou a formar recursos humanos voltados para a pesquisa com aplicação prática, direcionada aos problemas existentes na agricultura.
\r\n
 
\r\n

 

Para mais informações acesse -


Sede do Instituto Agronômico (IAC)
Avenida Barão de Itapura, 1.481
Botafogo
Campinas (SP) Brasil
CEP 13020-902
Fone (19) 2137-0600