IAC expõe na Agrishow arroz preto que mudou o perfil da rizicultura no Vale do Paraíba


\r\n

\r\n
Considerado uma paixão nacional, o arroz branco está na mesa dos brasileiros diariamente. Mas foi o arroz preto, IAC 600, que engordou o lucro do rizicultor do Vale do Paraíba. A pesquisa do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, viabilizou a agregação de valor ao desenvolver tipos especiais do grão. O resultado é o posicionamento da região do Vale do Paraíba, no interior do Estado de São Paulo, como a produtora de arrozes especiais, dentre eles o arroz preto, arroz para a culinária japonesa, aromático e arbóreo. Na Agrishow 2014, o Instituto vai expor duas variedades de arroz especial: a IAC 600, tipo preto, e IAC 500, tipo aromático, com sabor amanteigado, com consumo que chega a ser quase três vezes superior ao do arroz agulhinha, em algumas regiões do mundo.
\r\n
Com sabor e aroma acastanhados, o arroz preto IAC 600 tem 20% a mais de proteína do que o arroz agulhinha, além de alto valor agregado. Um quilo da iguaria custa, em média, R$ 19 reais, enquanto cinco kg de arroz agulhinha saem por R$ 11. O rizicultor José Francisco Ruzene recebeu a tecnologia IAC e resolveu mudar o perfil de sua plantação, em Guaratinguetá, interior paulista. Ele substituiu seus 150 hectares de arroz agulhinha, pelo arroz preto, o IAC 600.
\r\n
            Até 2005, Chicão Ruzene era um pequeno produtor de arroz – como a maioria dos rizicultores do Vale do Paraíba. Muitas vezes, a produção de todos eles não chegava à quantidade produzida por apenas um produtor de Santa Catarina. O resultado era lucro baixo ou até mesmo prejuízo. “O doutor Candinho [Cândido Ricardo Bastos, pesquisador do IAC já falecido], desenvolveu um projeto para plantarmos arrozes especiais, por estarmos próximos de São Paulo, um centro consumidor. Comecei então a produzir o arroz preto, mas ainda não havia mercado, foi preciso abri-lo”, conta Chicão.
\r\n
            A parceria entre pesquisador e produtor resultou na estratégia de levar o produto para vários chefs de cozinha. Chicão chegou ao Alex Atala, dono do restaurante D.O.M., considerado o sexto melhor do mundo. “O Alex sempre teve o perfil de valorizar o produtor rural e os produtos brasileiros. Quando mostrei o arroz preto ele ficou surpreso por São Paulo ter tecnologia para produzir e fez o possível para me ajudar a divulgar o produto e assim abrir o mercado”, explica.
\r\n
            Segundo Atala, seu interesse por produtos e ingredientes desconhecidos, disponíveis na cultura brasileira, tornou possível conhecer o arroz preto. “O arroz preto, é um produto diferenciado, de alta qualidade, que permite diversas aplicações na cozinha. Sua utilização estimula o pequeno produtor a manter e expandir seu negócio”, afirma Alex Atala.
\r\n
Atualmente, Ruzene planta 300 hectares de arroz, sendo 150 do IAC 600 e os demais com dez variedades de outros tipos especiais. Seu lucro com o arroz preto é 50% superior ao obtido com o tipo agulhinha. A produção do IAC 600 vai para todo o País. “O que não se pode agora é deixar que a pesquisa pare de desenvolver produtos, daí a importância do investimento em novos pesquisadores e projetos para o Instituto continuar desenvolvendo variedades especiais”, opina o agricultor que mudou sua história a partir de tecnologia do Instituto Agronômico.
\r\n
            O Vale do Paraíba é hoje a maior região produtora de arrozes especiais do Brasil e Ruzene tem planos de expansão. “Quero tornar o Vale do Paraíba, a principal região produtora de arroz especial do mundo”. A expectativa é que este ano, ele comece a exportar para os Estados Unidos e Canadá. A ideia é ainda levar o arroz preto paulista para a França e Itália. Quando plantava arroz do tipo agulhinha, Ruzene tinha cerca de cinco funcionários. Hoje, ele tem uma indústria de arroz, com 50.
\r\n
 
\r\n

 



Sede do Instituto Agronômico (IAC)
Avenida Barão de Itapura, 1.481
Botafogo
Campinas (SP) Brasil
CEP 13020-902
Fone (19) 2137-0600