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IAC inaugura biofábrica de cana-de-açúcar capaz de produzir 4 milhões de mudas por ano

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Por Carla Gomes (MTb 28156) e Fernanda Domiciano – Assessoria de Imprensa – IAC 
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As principais características de uma biofábrica de cana-de-açúcar estão na produção em escala de variedades com alta qualidade fitossanitária e genética de forma rápida ao setor sucroenergético. A fim de ampliar sua capacidade de disponibilização de materiais ao setor, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, inaugurou a Biofábrica de Cana-de-açúcar IAC, em abril de 2014, no Cento de Cana IAC, em Ribeirão Preto. O Programa Cana IAC teve sua estrutura melhorada também com o Núcleo de Produção de Mudas Pré-brotadas (MPB), com capacidade para produzir, em média, 300 mil Mudas Pré-brotadas (MPB) por ano, e 350 mil seddlings – primeira etapa de produção de plântulas no processo de desenvolvimento de uma nova variedade de cana-de-açúcar.
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O IAC já contava com uma biofábrica para a multiplicação de suas variedades desde 2008. Com a nova estrutura, será possível aumentar em 40 vezes a capacidade de produção, podendo chegar a quatro milhões de mudas de cana, por ano. Esses materiais seguem para os viveiros privados para nova multiplicação e depois, disponibilizados para os produtores. Para se ter ideia, na biofábrica, a partir de uma gema de planta, é possível produzir de 20 a 30 mil novas plantas em seis meses. Por outros métodos de multiplicação, em campo, uma gema renderia ao produtor cerca de 40 plantas, em 12 meses. “Isso sem contar a  qualidade fitossanitária e genética do material”, afirma a pesquisadora do IAC, Silvana Creste. Em todo o Brasil, existem aproximadamente 10 biofábricas de cana-de-açúcar, sendo a grande maioria pertencente a instituições privadas.
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Os recursos para a construção da Biofábrica foram disponibilizados pelo Governo do Estado de São Paulo, pela Agência Brasileira da Inovação (FINEP) e por recursos externos. O total investido foi de aproximadamente R$ 2,5 milhões.
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De acordo com o pesquisador e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, a biofábrica produzirá mudas de cana livres de doenças, possibilitando a oferta de novas variedades indexadas para atender aos matrizeiros, que originarão mudas para o Sistema de Mudas pré-brotadas. “Isso representa importantes impactos sobre a produtividade, pois é um processo que fomenta a cana limpa, com alto potencial produtivo, sendo também um meio de rápida adoção de novas variedades”, afirma. 
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Com relação ao custo-benefício, uma muda de biofábrica custa em média R$ 1,20, valor considerado alto. Porém, a elevada qualidade da muda justifica o investimento. “Essa muda será utilizada primeiramente para a multiplicação em viveiros pré-primários, seguidos de primários e secundários, e depois utilizada na formação dos canaviais, são plantas com alta qualidade  genética e livre de doenças, que serão a base para o plantio  dos canaviais”, explica a pesquisadora do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
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Essa alta capacidade de produção de mudas vem solucionar a maior limitação no processo de lançamento nova variedade de cana, que é a disponibilidade suficiente do material para oferecer aos produtores. “A biofábrica é uma maneira rápida de acelerar a multiplicação e disponibilidade desse material”, explica. Porém é necessário cuidar da qualidade  fitossanitária para não correr o risco de multiplicar plantas doentes, o que pode resultar em diminuição da produtividade e longevidade do canavial. “Na biofábrica do IAC fazemos todos os testes para decidir se um material continua ou não em produção. Caso ele apresente infecção, é imediatamente descartado”, explica. Para isso, são realizados testes moleculares baseados em DNA e RNA para as principais doenças bacterianas e virais. A identidade genética é confirmada por fingerprinting de DNA das variedades em multiplicação, contornando possíveis problemas de misturas dos genótipos.
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Desenvolvimento de “bula”
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Com o objetivo de garantir a qualidade fitossanitária e a qualidade genética dos materiais, o IAC, em parceria com a empresa Odebrecht, trabalha no desenvolvimento de uma “bula” de procedimentos a serem adotados nas biofábricas. O projeto para o desenvolvimento  de Procedimentos Operacionais Padrão foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela empresa Odebrecht em agosto de 2012. A previsão é que os procedimentos sejam desenvolvidos em cinco anos.
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Neste mesmo projeto, o IAC trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia brasileira para a produção de cana em biofábrica baseada em biorreatores. Com essa ferramenta será possível economizar mão de obra, energia, reduzir o tempo para produção de mudas e, consequentemente, baixar os custos de produção.
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Entenda como funciona a biofábrica
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Tradicionalmente, a cana-de-açúcar é propagada  vegetativamente, a partir de segmentos de colmo denominados toletes. Cada gema brotada origina uma touceira com média de 8 a 10 colmos. Na propagação in vitro em biofábrica, a partir de uma única gema é  possível produzir cerca de 20 a 30 mil plantas. Como os pesquisadores conseguem isso? A partir do cultivo de estruturas de gemas, denominadas meristemas, em  meio de cultura específica e em condições assépticas e em ambiente controlado, é possível a multiplicação em escala de plantas in vitro. Depois de multiplicados, os materiais são induzidos, por meio de hormônios, a promover o enraizamento, de forma a se ter uma planta completa. Uma vez enraizados, eles são transferidos do laboratório para uma estufa, onde passam pelo processo de rustificação. “A planta que está em laboratório é muito delicada, porque todo ambiente é altamente controlado. Em campo, ela vai encontrar condições adversas de ambiente. Então, lentamente nós vamos aclimatando as plantas, até ela estar pronta para ir para campo, em torno de 45 - 60 dias”, explica Silvana. 
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Núcleo de Produção de Mudas
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O novo Núcleo de Produção de Mudas do Instituto Agronômico tem  capacidade para produzir, em média, 300 mil Mudas Pré-brotadas (MPB) por ano, e 350 mil seddlings – primeira etapa de produção de plântulas no processo de desenvolvimento de uma nova variedade de cana-de-açúcar.
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“A estrutura também é usada como um núcleo-escola para efetuar o treinamento de produtores e profissionais do setor sucroenergético nacional e internacional”, afirma o pesquisador do IAC, Mauro Alexandre Xavier. Por ano, cerca de 1.200 pessoas têm a oportunidade de conhecer o espaço e receber algum tipo de treinamento. “Por meio do Núcleo houve a possibilidade do desenvolvimento de um sistema, o MPB, que está sendo considerado uma tendência na formação de viveiros e mudas de cana de alta qualidade”, afirma Xavier.
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O sistema MPB de cana é uma tecnologia de multiplicação gerada pelo Programa Cana IAC que poderá contribuir para a produção rápida de mudas, associando elevado padrão de fitossanidade, vigor e uniformidade de plantio. Outro grande benefício está na redução na quantidade de mudas que vai a campo. Para o plantio de um hectare de cana, o consumo de mudas cai de 18 a 20 toneladas, no plantio convencional para duas toneladas do MPB. “Isso significa que 18 toneladas que seriam enterradas como ‘mudas’ irão para a indústria produzir etanol e açúcar, gerando ganhos”, explica o pesquisador do IAC.
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A nova tecnologia é direcionada a aumentar a eficiência e os ganhos econômicos na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e possivelmente renovação e expansão de áreas de cana-de-açúcar. “Trata-se de um novo conceito de multiplicação da cana, reduzindo volume e levando para o campo efetivamente uma planta”, afirma. 
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