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IAC desenvolve máquina para poda e pré-poda de videira para solos brasileiros

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Estudos apontam redução de custo de aproximadamente 45% com a mecanização da viticultura paulista

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 Por Carla Gomes (MTb 28156) e Mônica Galdino (MTb 37045) – Assessoria de Imprensa – IAC
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O Brasil produziu, em 2013, 1 482 951 toneladas de uva, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destinadas para o consumo in natura e de indústria. Para estimular a competitividade da cultura, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, apresenta a máquina para poda e pré-poda da videira, que busca introduzir a mecanização da cultura no Brasil, atendendo às particularidades dos nossos solos.
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 A poda das videiras na maior parte das propriedades rurais brasileiras é realizada de forma manual. Antonio Odair Santos, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, informa que o equipamento colabora com a diminuição do custo da produção e, assim, poderá contribuir para revitalizar a viticultura paulista, que ele acredita já ter sido mais intensa em décadas passadas.
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O protótipo desenvolvido pelo IAC é um sistema pórtico articulador acoplado da máquina ao trator. O pórtico está ligado a um segundo rodado, dessa forma a máquina não está sustentada totalmente no trator. O pórtico faz correções devido a inclinações do terreno e foi desenvolvido levando em consideração a preocupação da compactação do solo. “A máquina possui a vantagem de poder ser acoplada em pequenos tratores, reduzindo custos e não compactando o solo”, diz Santos.
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A máquina realiza a pré-poda, que é a limpeza de ramos, aproximadamente 30 dias antes da poda. Isso é feito para facilitar a poda, pois são removidos os ramos ao redor. O equipamento pode ser adotado tanto para campos voltados para o consumo in natura quanto para indústria. O solo brasileiro tem maior propensão à compactação do que em comparação a outros países produtores de uva, por isso o IAC mapeia os impactos da introdução da mecanização da viticultura. As máquinas são adaptadas em cada país devido às características do solo, planta e condições socioeconômicas dos produtores.
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O pesquisador do IAC desenvolveu lâminas que cortam verticalmente e horizontalmente, pois os ramos das videiras têm essa característica. O aparelho possui sensores fotoelétricos que apontam quando existe um mourão na linha. “Fazendo a abertura das lâminas e permitindo a passagem da máquina por eles, sem que haja o toque de lâminas no mourão. Isto é feito sem a atenção do operador”, diz Santos. O protótipo monitora diretamente no campo, a qualidade da uva e as condições do solo. Foram três anos para desenvolver o protótipo, com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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Santos explica que a poda é fundamental para a produção da videira. A máquina realiza o procedimento em uma época em que não existem uvas, apenas ramos, dessa forma não tem perda do fruto. “Na poda manual podemos fazer uma poda drástica e precisa. Na mecanizada, fazemos um corte uniforme, deixando mais gemas por planta. Não podemos escolher ramos na poda mecanizada. No entanto, estudos feitos no IAC mostram que embora a poda manual resulte em menor número de gemas, em relação à poda mecanizada, as duas se equivalem no final, pois ocorre compensação”, afirma o pesquisador do IAC. Na poda mecanizada, o número de cachos é maior, mas eles são menores e mais leves devido a grande quantidade de gemas por plantas deixadas com a poda mecânica. Enquanto na manual eles são em menor número, mas mais pesados por conta das poucas gemas deixadas por parreiras.
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Para Santos, o novo equipamento criará competitividade de mercado. Por ser um produto nacional, poderá reduzir o preço no Brasil dessa máquina, já que as disponíveis são importadas. O IAC pretende estudar os impactos da mecanização da poda nos vinhedos e estimular o conhecimento dos produtores com dia de campo sobre o assunto.
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O IAC possui parceria com uma empresa, porém a disponibilização da máquina no mercado deve ocorrer a longo prazo. “Há estudos que apontam redução de custo de produção em torno de 45%. A mão de obraem São Paulo é muito cara e escassa. A viticultura paulista enfrenta esse problema, prejudicando a produção em escala”, afirma Santos. Atualmente, o maior produtor de vinho é o Estado do Rio Grande do Sul, com aproximadamente 350 milhões de litros por ano.
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Entre as variedades de uvas mais adotadas pelos produtores brasileiros estão as cultivares Isabel, Bordô, IAC Máximo e Niágra Rosada. “O mercado brasileiro é cativo do vinho de mesa feito das variedades ditas americanas, como Isabel, Bordô, Niágara branca e rosada, além de variedades híbridas”, explica Santos. A Variedade IAC 138-22 ‘Máximo’ é cultivada em São Paulo e em outros estados para suco e vinho. As características dessa uva são a intensa coloração, excelente para usar como corte ou para pigmentar outro vinho ou sucos mais fracos de cor. As regiões paulistas vinícolas desse tipo de produto são Jundiaí, Louveira, Itupeva e Vinhedo, que utilizam essas variedades. Porém, também tem mercado para vinhos finos feitos com variedades europeias como Cabernet Sauvignon, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Merlot, mas esse é um nicho menor. No Rio Grande do Sul tem havido uma evolução na viticultura e há boa produção de vinho fino. O Vale do São Francisco possui produção de vinhos de Syrah, dentre outras variedades europeias, comenta o pesquisador.
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Santos estima que o Estado de São Paulo produz 140 mil toneladas em 8 mil hectares de uvas por ano. A principal cultivar é a Niágara Rosada, destinada quase totalmente para o consumo in natura, porém também produzem vinho.
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