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Prédio D. Pedro II do IAC passa por processo de restauro

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https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2012/05/iac-campinas-comemora-125-anos-com-restauracao-de-predio-historico.html

 

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A expectativa é que o edifício tenha seus 3.300 m² de fachada restaurados até junho de 2012, quando o Instituto completa 125 anos
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Por Fernanda Domiciano – Estagiária – Assessoria de Imprensa – IAC
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Em meio a uma infinidade de edifícios de uma das mais movimentadas avenidas de Campinas, um prédio chama a atenção. Símbolo do período imperial na cidade, o tradicional Prédio D. Pedro II, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, localizado na Avenida Barão de Itapura, é reconhecido por sua imponência e beleza. O edifício, um dos mais importantes patrimônios históricos de Campinas, passa por processo de restauro. A previsão é que para o aniversário de 125 anos do IAC, a ser comemorado em 27 de junho de 2012, seus 3.300 m² de fachada estejam restaurados. Projetado por Henrique Florence, em estilo art nouveau, o D. Pedro II foi construído em 1888 e passou por reformas e ampliações antes de ser tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT). Mesmo com as modificações – que estão diretamente ligadas à evolução do IAC – o prédio mantém a fachada original há 100 anos.
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O anúncio de restauração do prédio foi feito pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, em 11 de novembro de 2011. A obra foi iniciada em dezembro do mesmo ano e está sendo feita pela empresa La Forma – contratada por Pregão Eletrônico realizado em 30 de novembro de 2011. O investimento é da ordem de R$ 756.500,00 e o recurso é disponibilizado pelo Tesouro do Estado de São Paulo. De acordo com o coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Orlando Melo de Castro, o recurso é resultado de um esforço conjunto entre a Agência, a Secretaria de Agricultura e o Governo do Estado. A execução do serviço é acompanhada pelos engenheiros da APTA. Além da fachada e do telhado, serão recuperados também a pintura do muro externo e o calçamento do parque. “Restaurar esse prédio que, podemos dizer, é a imagem do IAC, no momento que o Instituto completa 125 anos é um tributo que se faz a excelência do que já foi desenvolvido e também uma valorização das pesquisas que ainda serão feitas”, afirma a secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi.
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O edifício D. Pedro II foi o primeiro local a abrigar a Sede do IAC. A escolha de sua localização foi estratégica: um terreno plano, próximo de um gasômetro, o que possibilitava a obtenção de gás de forma mais fácil. Campinas, na época, não possuía água e esgoto encanados. “O IAC nasceu no prédio D. Pedro II. Essa edificação é a pedra fundamental do Instituto. Em um País sem memória, como o Brasil, nós podemos nos orgulhar de preservarmos o nosso passado. Porém, nunca deixamos de olhar para frente e gerar soluções para a agricultura paulista e brasileira. O IAC sempre teve característica vanguardista”, afirma o diretor-geral do IAC, Hamilton Humberto Ramos. O diretor-geral relembra que o Estado de São Paulo sofreu grandes transformações devido à cafeicultura, da qual o IAC foi pioneiro em pesquisa, mas quando houve a quebra da bolsa de valores em 1929, o Instituto já pesquisava o algodão, o que serviu para dar suporte aos agricultores afetados pela crise.
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O edifício
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Originalmente construído de forma térrea, o prédio passou por ampliações e reformas antes de ser tombado pelo CONDEPACC e CONDEPHAAT. Em 1909 o edifício D. Pedro II foi ampliado, sendo acrescido de um segundo andar que viria a abrigar os novos setores do IAC. Atualmente, são feitas no prédio pesquisas na área de solos.
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“Esse prédio foi construído para abrigar laboratórios e durante seu processo de vida, foram feitos acréscimos de áreas num processo evolutivo. Ele nasceu térreo e comprido, mas foi ampliado para traz, para os lados e para cima. A última reforma foi feita em 1968, quando foram remodeladas as partes interna e externa com a alteração de todas as janelas e portas. As janelas, que eram de madeira, tiveram altura dos vãos diminuídos e foram substituídas por esquadrias de ferro, tipo basculante. Estamos restaurando o prédio para voltar ao que ele era quando foi tombado. Essas modificações feitas antes do tombamento viraram contexto da obra”, explica o engenheiro civil e restaurador responsável pela obra, Herbert Faustino.
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De acordo com Faustino, o restauro tem o objetivo de resgatar a identidade original da construção. “Nós vamos preservar a cultura histórica do prédio para a época em que ele foi construído. Às vezes podemos modernizar algo, como a qualidade do material utilizado, mas nunca fugir do contexto arquitetônico da época”, afirma.
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As etapas dos procedimentos de restauro do D. Pedro II foram iniciadas com o processo de hidrojateamento, que consiste na aplicação de jatos de água na parede com pressão controlada. Faustino explica que esse processo permite a remoção da sujeira incrustada e também das camadas de tinta aplicadas durante o processo evolutivo do prédio, o que facilitou a recuperação da cor original. “Com o hidrojateamento demos uma primeira limpada, retiramos os fungos e começamos a retirar as camadas de tinta. As camadas que não saíram com a pressão da água foram removidas com raspagem mecânica manual, com funcionários raspando o prédio inteiro”, explica.
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Foram retiradas quatro camadas de tinta até chegar ao tom de amarelo original do prédio D. Pedro II. Para chegar à cor exata, foi realizado processo de prospecção pictórica e também extraído um pedaço da parede e levada para análises em laboratório, para ensaios de traço de argamassa e composição, além de ensaios de colorimetria e espectrofotometria. “O equipamento vai lendo através de contrastes de luz para chegar à cor original. Para chegarmos à cor exata fizemos mais de 15 testes”, explica Faustino.
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As 15 amostras de tintas foram testadas em um pedaço de parede, bem como feitos testes em laboratório de absorção de umidade e sua perda para avaliação de descoramento. As amostras umedecidas foram pesadas e colocadas em estufa. O trabalho teve o objetivo de retirar toda a umidade da amostra para que o tom original fosse encontrado. “Isso é importante porque quando a parede está molhada, você tem uma cor mais escura do que quando seca. Depois da secagem, fizemos a aplicação de uma resina para proteger e não deixar entrar umidade dentro da peça”, afirma.
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A pintura do prédio está sendo feita à base de tinta mineral. Na época da construção, foi utilizada pintura à base de cal. O material utilizado no restauro é muito semelhante ao original. Ele proporciona o mesmo conforto térmico para a construção para evitar problemas como umidade ascendente e bolor. “A cal era bastante utilizado na época por conta do conforto térmico e do baixo custo de aplicação. O problema, é que ela tinha durabilidade baixa. A nova pintura começou a ser aplicada depois que todas as paredes foram recuperadas e não apresentavam mais fissuras naturais, trincas e choques mecânicos. O material que estamos utilizando também é um mineral, por isso, vamos garantir as mesmas características técnicas”, explica o restaurador. A tinta que está sendo aplicada no Prédio D. Pedro II do IAC tem até dez anos de durabilidade. Ela foi produzida no Brasil, com a matéria-prima vinda da Itália pré-pronta para pigmentar e aplicar na parede.
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O Prédio D. Pedro II foi inteiramente construído sem cimento, sendo utilizado apenas argamassa de areia, cal e pozolanas. Para arrumar as fissuras das paredes, os profissionais responsáveis pela restauração estão utilizando a técnica de reparação com pasta de cal, que não é mais utilizada nas construções modernas e que foi desenvolvida especialmente para o restauro do prédio do IAC. “Estamos fazendo a pasta de cal como se estivéssemos em 1927. Estamos usando a mesma tecnologia que eles usavam na época. A diferença é que a cal era virgem e precisava ser queimada. Hoje, é possível comprar cal de melhor qualidade e já prontas para uso”, explica Faustino.
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Para poder ser aplicada, a cal precisa curtir em tambores por no mínimo sete dias. Depois disso, a pasta é batida e deixada descansando para que se inicie o processo de cura. “A cura é a mesma maneira de quando se está produzindo um queijo, por exemplo. Depois disso, tiramos a calda do tambor e utilizamos o material. Esse método não é mais utilizado hoje, mas, diga-se de passagem, a cal é o melhor material para esse trabalho. Ela proporciona um desempenho fantástico na obturação das fissuras e recomposição das peças e adornos de acabamento”, afirma o restaurador.
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Para o restauro estão sendo utilizadas todas as diretrizes do caderno de encargos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). De acordo com Faustino, como o prédio do IAC tem duplo tombamento – municipal e estadual – seguir as determinações do IPHAN garante que as exigências dos dois conselhos sejam seguidas. “Estamos seguindo 100% do caderno do IPHAN e tomando todos os cuidados, principalmente, por causa da importância desse prédio. Podemos dizer sem sombra de dúvida que o prédio D. Pedro II é um cartão postal de Campinas. Se fôssemos eleger as sete maravilhas da cidade, com certeza ele estaria nas primeiras colocações”, afirma.
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O Prédio D. Pedro II foi projetado por Henrique Florence, em estilo art nouveau, trazido pelos barões do caféO edifício possui linhas arquitetônicas próximas às do Fórum, Correios e do antigo Teatro Municipal já demolido em Campinas. De acordo com Faustino, a presença do estilo neoclassista fica evidente nos traços concisos preferidos às curvas, próprio do estilo que veio como forma de simplificação após o período do Barroco e Rococó, inspirando-se nas formas greco-romanas. “O IAC foi criado justamente para atender os produtores de café e o projetista do prédio se formou na Europa. Não existia um estilo arquitetônico brasileiro. No D. Pedro II temos várias leituras arquitetônicas como a inglesa, francesa e portuguesa. Em Campinas temos outras construções neste estilo, mas sem dúvida, a mais imponente é esta”, afirma Faustino.
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Outros edifícios históricos
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Na Sede do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, há ainda outros quatro patrimônios tombados, sendo eles o edifício Conselheiro Antônio Prado, o prédio Franz Wilhelm Dafert, a Casa do Diretor e as Casas de Vegetação (estufas). Todos esses patrimônios já foram restaurados, exceto o edifício Conselheiro Antônio Prado. De acordo com Castro, o processo de licitação para o restauro do edifício foi iniciado este ano. “Desta forma, todos os edifícios do IAC tombados pelo patrimônio histórico serão restaurados”, afirma.
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O edifício Conselheiro Antônio Prado, assim como seu “irmão” Franz Wilhelm Dafert tem quatro pavimentos e escada central de acesso, com volumetria pesada e características art déco. Ambos foram construídos em 1935. “O prédio é representativo do período do Estado Novo e é contemporâneo do edifício do Palácio da Justiça, de 1939, e do prédio dos Correios e Telégrafos, no Centro de Campinas”, explica Faustino.
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125 anos
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                O IAC completa 125 anos em 27 de junho de 2012. Durante todos esses anos, o Instituto desenvolveu 932 variedades de 66 espécies de plantas, de elevada qualidade nutricional, alta produtividade, resistência fitossanitária e menor exigência hídrica.
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O Instituto dedica-se ao melhoramento genético convencional de plantas agrícolas e aos pacotes tecnológicos que envolvem essas espécies, desde o plantio à colheita, incluindo estudos de solo, clima, pragas e doenças e segurança e eficiência na aplicação de agrotóxicos. São soluções tecnológicas que atendem desde o pequeno até o grande produtor rural. A expectativa é que durante as comemorações do aniversário do Instituto, o restauro do prédio D. Pedro II seja entregue.
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