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Na 34ª Semana da Citricultura, IAC apresenta método que pode reduzir em até 50% a aplicação de agrotóxico

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Por Mônica Galdino (MTb 47045) – Assessora de Imprensa –  IAC e Fernanda Domiciano – Estagiária
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Técnicas consideradas simples podem ajudar o produtor rural a reduzir os custos de produção de suas lavouras, mas até mesmo os grandes produtores, muitas vezes, não utilizam importantes tecnologias já disponíveis devido à falta de informação. É o que ocorre com o uso de adjuvantes – substâncias que melhoram a eficácia de uma determinada formulação de agrotóxicos – na citricultura. A utilização do produto, aliada à tecnologia de regulagem de pulverizadores desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, permite que o produtor reduza em até 50% a necessidade de agrotóxico e água na pulverização, diminuindo os custos do tratamento fitossanitário dos pomares e elevando a segurança ambiental, alimentar e do trabalhador através da redução dos desperdícios. Em 30 de maio, às 16 h, o pesquisador e diretor-geral do IAC, Hamilton Humberto Ramos, proferiu a palestra “Avanços na tecnologia de aplicação em citros”, durante a 34.ª Semana da Citricultura. O evento, considerado o principal do setor, foi realizado pelo Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, de 28 de maio a 1º de junho, em Cordeirópolis. Durante a semana, foram proferidas mais de 40 palestras, que trataram sobre as inovações na nutrição e manejo dos pomares, controle fitossanitário e economia.  No evento comemorou-se também o 43.º Dia do Citricultor e a realização da 38.ª Expocitros.
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A Câmara Municipal de Cordeirópolis parabenizou todos os profissionais do Centro de Citricultura do IAC pelo evento, através da publicação do requerimento nº 50/2012, em 17 de maio. “É inegável a contribuição deste que é o maior Centro de Citricultura da América Latina e se não o maior, com certaza um dos maiores exportadores de tecnologia na área de citros do mundo. Através do investimento do governo do Estado, pelo trabalho de profissionais competentes e de uma administração segura, vemos o progresso e o sucesso que cada ano se apresenta em solo cordeiropolense. É motivo de felicidade saber que o Centro APTA de Citros Sylvio Moreira fica em Cordeirópolis e tem assim a importante presença do governo do Estado na cidade. Também com este requerimento, parabenizamos, reconhecendo as ações e o trabalho dos homenageados Sra. Margarete Boteon e Sr. Vitor José Betin Cicolin, de Cordeirópolis”, afirma o documento.
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            O citros é uma cultura perene. A mesma planta pode produzir por até 15 anos. Com o passar dos anos, as copas das árvores vão ficando maiores, aumentando a área de cobertura da calda de agrotóxico. Tradicionalmente, o produtor rural calcula a quantidade de defensivos agrícolas que deve aplicar em sua propriedade por meio do volume de calda – mistura de agrotóxico com água – por planta ou hectare, não levando em consideração o tamanho das árvores. “Essa não é a melhor estratégia, uma vez que falhas na definição do volume podem resultar em sérios prejuízos ao citricultor, quer pelo cálculo errado da dose a ser aplicada, quer pelo escorrimento do produto da planta”, explica Ramos.
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            A proposta do IAC é fazer o cálculo através do volume por metro cúbico de árvore citrícola. Após regular o pulverizador, segundo as técnicas desenvolvidas pelo IAC, o produtor deve medir o comprimento, largura e altura da planta para poder analisar se o volume está acima ou abaixo do ponto de escorrimento da calda, que é o menor volume possível sem que haja a necessidade de alteração na dose do produto, normalmente recomendada em concentração. Segundo Ramos, para o cálculo do volume aplicado, é considerada a cobertura da pulverização. A dose necessária do produto é encontrada através do volume de aplicação necessário para atingir o ponto de escorrimento no volume de copa considerado.      
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 “Recomendamos que se utilize 40 mL de calda por m³ de copa para pulverização externa, ou planta sem fruto, e até 100 mL por m³ para plantas com frutos e extremamente produtivas na definição do ponto de escorrimento. Essa diferença ocorre porque a fruta acaba agindo como uma barreira para a penetração do defensivo nas folhas. Os produtores que adotaram esse método desenvolvido pelo IAC, conseguiram reduzir de 30% a 50% o volume de água utilizada, o que garante economia na aplicação e diminuição do tempo de trabalho dos pulverizadores”, explica o diretor-geral do IAC.
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            Atualmente, para aplicar agrotóxico em maior concentração de plantas por hectare, técnica adotada em função da ocorrência do huanglongbing (greening), os citricultores têm aumentado o volume de água, com o objetivo de espalhar melhor o agrotóxico. Segundo Ramos, essa medida, apesar de ser a mais utilizada pelos produtores, é a mais antieconômica, pois diminui o rendimento operacional dos pulverizadores. “Quanto mais água por planta ou por área se utiliza, mais vezes será necessário o reabastecimento do pulverizador em um mesmo espaço de tempo. Um tanque com dois mil litros trabalha, por exemplo, 30 minutos na aplicação de defensivos na laranja e precisa se reabastecer para continuar o trabalho. Ao diminuir a quantidade de água, o tempo que a máquina trabalha sem a necessidade de reabastecer pode dobrar, o que reduz as horas de aplicação e também os custos operacionais do equipamento”, afirma.
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            Para evitar a necessidade do aumento do volume, a solução é aumentar o espalhamento das gotas de pulverização, por meio dos adjuvantes. O produto, considerado de baixo custo, age como um ajudante, reduzindo a tensão superficial da água e espalhando melhor a calda de agrotóxico. A área coberta por uma gota quando se utiliza um adjuvante adequado pode ser até 70 vezes maior, reduzindo a necessidade de água para uma mesma cobertura.
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            O produtor, porém, deve se atentar ao fato de não deixar as gotas muito pequenas, o que pode acarretar na evaporação e escorrimento do produto. Outro cuidado é na utilização de gotas grossas com a finalidade de controlar a evaporação e a deriva, o que pode prejudicar a penetração destas na copa das plantas, fazendo com que a maior parte do produto pare na parte externa da planta e apenas uma pequena proporção tenha capacidade de atingir os alvos internos. “O produtor deve sempre lembrar que o sucesso na aplicação de agrotóxico depende da interação entre a doença, produto, máquina, momento da aplicação e meio ambiente. O uso de adjuvantes é uma ótima opção, mas deve ser feito com abordagem operacional mais técnica”, afirma Ramos.
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            O método desenvolvido pelo IAC já está sendo considerado padrão de aplicação no Estado de São Paulo. Ele começa a ser utilizado pelos produtores rurais, principalmente depois da parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) na área de treinamento de agricultores.
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Avanços na Pesquisa em Nutrição e Manejo dos Pomares
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A preparação do solo é uma etapa fundamental para o bom desenvolvimento das variedades cultivadas. O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, é pioneiro em pesquisas sobre adubação com micronutrientes visando aumentar a produtividade das culturas, destacando os estudos com gramíneas, café, citros e cana-de-açúcar. Em 30 de maio, o Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, promoveu uma série de palestras sobre os “Avanços na Pesquisa em Nutrição e Manejo dos Pomares”, durante a 34.º Semana da Citricultura. Entre os assuntos em pauta, houve palestras sobre “Inovações no uso de micronutrientes em citros” e “Eficiência do uso de fósforo na citricultura moderna”.
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Desde 2007, o Centro de Solos do IAC, em parceria com pesquisadores do Centro de Citricultura, dão continuidade aos estudos sobre os efeitos do fósforo no crescimento e na nutrição dos citros. A pesquisa analisou as consequências da deficiência do fósforo sobre o crescimento e metabolismo das plantas, além dos mecanismos de adaptação dos citros à condição de estresse nutricional.
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Os pesquisadores observaram que o porta-enxerto da tangerina Cleópatra necessita de maiores quantidades de fósforo em comparação  com o limão Cravo, devido à sua menor capacidade de absorção do fósforo. O pesquisador do IAC, Fernando César Bachiega Zambrosi, explica que o fósforo é um elemento com elevadas taxas de redistribuição nos citros. “O nutriente armazenado no interior da planta é a principal fonte para atendimento das exigências por fósforo dos novos fluxos de crescimento, como flores e frutos”, afirma.
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  Outro destaque do evento foi a palestra sobre inovações no uso micronutrientes, do pesquisador do IAC, Rodrigo Marcelli Boaretto. Na apresentação “Inovações no uso de micronutrientes em citros”, o pesquisador abordou as novas estratégias para o uso de micronutrientes em pomares cítricos, que pode potencializar os efeitos dos fertilizantes e melhorar a eficiência produtiva. Entre os principais assuntos estavam as formas de fornecimentos dos micronutrientes (via folha, solo ou fertirrigação), as características entres as principais fontes de fertilizantes e o manejo diferenciado dos micronutrientes em função do porta-enxerto.  O pesquisador também destacou a aplicação de boro (B) na citricultura, que deve ser feita preferencialmente via solo, pela dissolução de ácido bórico na calda de herbicidas de contato, como o glifosato, que constitui a forma mais prática e eficiente de fornecimento dos nutrientes para a cultura.
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A adubação foliar com boro (B) tem sido recomendada em plantios novos para complementar a adubação via solo. Para Boaretto, os resultados da pesquisa, desenvolvida pelo Grupo de Nutrição dos Citros do IAC, demonstraram que a aplicação do elemento no solo é a melhor estratégia de manejo do micronutriente no pomar.
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O grupo de nutrição do citros do IAC vem concentrando esforços em ampliar e intensificar suas pesquisas sobre o manejo nutricional da cultura, visando novas estratégias de adubação, tendo como meta o aumento de produtividade nos novos sistemas de produção, nos diferentes ambientes agrícolas. Os resultados dessas pesquisas vêm sendo consolidados e contribuem para a revisão das recomendações atuais de adubação dos citros. “A atual recomendação do grupo de nutrição de citros do IAC é a aplicação de boro via solo e a demanda diferenciada do porta-enxerto citronela swingle, o que mais exige esse nutriente”, afirma Boaretto. 
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Semana da Citricultura
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            A 34.ª Semana da Citricultura, realizada pelo Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, aconteceu de 28 de maio a 1.º de junho, em Cordeirópolis, sendo o principal evento da citricultura do Estado de São Paulo.  Como parte do evento, também foi realizado o 43.º Dia do Citricultor e a 38.ª Expocitros. A participação foi gratuita.
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            Foram mais de 40 palestras proferidas por pesquisadores do IAC, além de convidados das principais instituições ligados ao setor citrícola, que trataram sobre o manejo de doenças fúngicas, os avanços das pesquisas em nutrição e manejo dos pomares, inovações tecnológicas, economia e políticas citrícolas, fitossanidade e cancro cítrico, além dohuanglongbing (HLB).
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A abertura da 34.ª Semana da Citricultura, em 28 de maio, contou com a presença da secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamashi, do coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Orlando Melo de Castro, do diretor-geral do IAC, Hamilton Humberto Ramos, e do diretor do Centro de Citricultura IAC, Marcos Antonio Machado.
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Como é tradicional na Semana, o IAC entregou o prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura e o Prêmio Centro de Citricultura. Este ano, os agraciados foram, respectivamente, a engenheira agrônoma e a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), Margarete Boteon, e Vitor José Betin Cicolin, vice-presidente da Organização Paulista de Viveiros e Mudas Cítricas (Vivecitrus) e membro ativo da Associação Brasileira do Comércio de Semente e Mudas (ABCSEM).
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