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22 de março, Dia Mundial da Água
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Assessoria de Imprensa - IAC
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No Dia Mundial da Água, comemorado hoje, 22 de março, toda a população é convidada a refletir a respeito do bem natural mais importante para a sobrevivência. Sem água é impossível plantar, comer e produzir. O homem, tanto do campo como da cidade, sabe da sua importância, mas ainda faltam informações sobre os cuidados necessários e principalmente, falta consciência da urgência em conservá-la. As pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, ajuda, principalmente o produtor rural, a produzir e conservar a água exercendo práticas conservacionistas e podendo, inclusive, se beneficiar financeiramente através do Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). A transferência do conhecimento gerado pela ciência é difundida a comunidade científica e também a população por meio de cursos, simpósios e workshops.
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Apenas 0,008% do total de água do Planeta Terra é potável. Embora o Brasil seja um país privilegiado e detenha cerca de 11% da água doce do mundo, ela está concentrada, principalmente na Bacia do Rio Amazonas e nos aquíferos Guarani e Alter do Chão. “O problema é que toda essa água está onde poucas pessoas moram. 70% das águas doces no Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população”, explica Ana Carolina Fantin, técnica de apoio à pesquisa do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
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A população das regiões metropolitanas já sofrem com a escassez de água. A vazão da bacia hidrográfica do rio Piracicaba, por exemplo, chegou a apenas 1/3 da vazão normal no período de estiagem em 2003. Além disso, o volume de água armazenado no sistema Cantareira – um dos maiores sistemas de tratamento de água no Brasil, atendendo quase 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo – caiu para 1,6%, quando o ideal seria de, no mínimo, 70%. Esta enorme queda de escoamento dos rios das inúmeras regiões do País está associada não só à estiagem, mas também à pobre conservação da água e dos solos, chegando, muitas vezes, até ao secamento completo de nascentes e rios.
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De acordo com o pesquisador do IAC, Rinaldo de Oliveira Calheiros, atualmente, grande parte das nascentes estão afetadas por degradação física, poluição ou tratamento incorreto. Segundo ele, o meio rural é o que mais degrada as nascentes e polui suas águas, por fatores como erosão, aplicação incorreta de defensivos agrícolas, uso de fertilizantes em doses exageradas e contaminação e pisoteio gerado pelo gado. Já as áreas urbanas poluem com maior intensidade os corpos d’água – como são conhecidos os rios e córregos –, principalmente com o despejo de esgoto doméstico e industrial.
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Ainda de acordo com Calheiros, é possível, porém, amenizar a situação. “Se fossem realizadas as práticas de proteção de forma correta, as nascentes não seriam tão prejudicadas e ainda promoveria um aumento significativo no volume de água. Um exemplo simples é cercar a nascente de uma propriedade que tenha gado para que ele não pise e não polua o local”, afirma.
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O meio rural, porém, não é o único “vilão” da água, já que é no campo que se produz a água. Há também a poluição gerada nas cidades, onde esgoto, lixo e aterros sanitários afetam os mananciais. “Em grande parte, as nascentes estão degradas não por desleixo ou vandalismo do agricultor e sim, pela carência de informações técnicas e de alertas para a importância de conservá-la em uma linguagem adequada ao homem do campo”, explica o pesquisador do IAC.
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No meio rural é onde se concentra a maior capacidade de infiltração da água de chuva, em função da permeabilidade do solo. Na área urbana, uma grande parte está impermeabilizada, assim, a água não infiltra no solo. Este fato impossibilita o abastecimento das águas subterrâneas. De acordo com Fantin, as práticas agrícolas bem conduzidas são potencializadoras da capacidade de recarga dos aquíferos. Desse modo, não necessariamente só as áreas de florestas são produtoras de água. “Ao empregar boas práticas da agricultura, o produtor de alimentos pode se tornar um produtor de água também. Em geral, conservando o solo, conserva-se a qualidade da Bacia Hidrográfica”, afirma.
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O aumento da produção de água no meio rural é conseguido através de um conjunto de procedimentos e práticas que levem à conservação em uma propriedade agrícola e na bacia hidrográfica. “De modo didático, as ações conservacionistas são executadas nos planos do topo de morros, meia encosta e entorno dos corpos d’água”, explica Fantin.
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Pagamentos por Serviços Ambientais
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Hoje, o produtor rural que adotar práticas conservacionistas e recuperar as nascentes do campo, além de ajudar o meio ambiente, pode ser remunerado e aumentar seus lucros em algumas localidades, através do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
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No Brasil, por meio do Pagamento por Serviços Ambientais já ocorre o benefício em alguns municípios de São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Amazonas e Minas Gerais, mas cada localidade conta com regras específicas. Em Extrema – cidade mineira pioneira no pagamento de PSA – o proprietário assina um contrato no qual se compromete a proteger a área demarcada. Já o pagamento é calculado pelo custo de oportunidade. “Para manter a floresta, o proprietário recebe o mesmo valor que ganharia caso arrendasse a terra para o pastoreio de animais, principal atividade de Extrema”, explica o pesquisador do IAC, Rinaldo Calheiros. O proprietário recebe o valor de 100 Unidades Fiscais do Município de Extrema (UFEX) por hectare por ano. Em 2011, cada UFEX correspondia a R$ 1,87.
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Em março de 2012 os pesquisadores do IAC em parceria com a Prefeitura Municipal de Extrema e a Fundação de Apoio a Pesquisa Agrícola (FUNDAG) realizaram a terceira edição do Curso de Pagamento por Serviços Ambientais e Preservação de Nascentes e Corpos D’água – Programa Conservador das Águas de Extrema, para orientar os produtores rurais e poder público nas estratégias de implantação de PSA.
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