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Ciclo de Palestras de Fitossanidade promovido pelo IAC e APTA discutirá novos métodos de cultivo do maracujá para o combate da Cowpea aphid-borne mosaic virus e a murcha de fusário
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Evento busca divulgar novas técnicas de manejo na cultura do maracujá, além de aliar a produção ao período que oferece os melhores preços.
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Mônica Galdino (MTb 47045) – Assessora de Imprensa – IAC
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O mês de março está chegando e começam os preparativos para a produção do maracujá, no Estado de São Paulo. Por necessitar de muita luminosidade para florescer, a produção começa durante o verão. Com o intuito de auxiliar os produtores de maracujá, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), por meio dos Polos do Vale do Ribeira e da Alta Sorocabana, promovem nessas regiões o 6.º e 7.º Ciclo de Palestras de Fitossanidade, nos dias 1.º de março e 8 de março de 2012. Em 1.º de março, na região do Vale do Ribeira, será discutido o cultivo protegido em estufa de mudas de maracujá, que pode aumentar a produtividade em até 50% e diminuir a aplicação de defensivos agrícolas. A palestra na região de Presidente Prudente, em 8 de março, vai debater além do cultivo protegido, o maracujá em porta-enxertos para o combate da murcha fusário.
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A região do Vale do Ribeira possuía uma cultura consolidada em maracujá, mas devido ao Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV), causador do endurecimento da fruta, houve queda na produtividade e escassez do produto. O pesquisador do IAC, Valdir Atsushi Yuki, afirma que no Estado de São Paulo o vírus ocorre de forma endêmica. Buscando uma solução, pesquisadores tentam implementar há três anos o cultivo protegido em estufa de mudas de maracujá, na região do Vale do Ribeira e em Presidente Prudente. O método dessa tecnologia consiste na semeadura em estufas no período de março a abril. Após a germinação, faz-se o transplante para sacos plásticos e mantém-se essas mudas protegidas em estufas cobertas com plástico transparente e cercada lateralmente com telas anti-afídeo, a fim de se evitar que haja disseminação do vírus pelos pulgões, que são vetores desse vírus. Em agosto e setembro, as mudas atingem cerca de 1,50 m de altura e, então, são levadas para o campo, onde são plantadas definitivamente, de forma adensada, cuja distância entre plantas é no máximo 2,00 m. “Dessa forma, as plantas ficam protegidas da infecção pelo vírus nas fases iniciais de desenvolvimento, quando são mais suscetíveis, e também porque quanto mais cedo as plantas se infectam, menor é a produtividade. Além disso, a disseminação do vírus pelos pulgões é muito rápida, em apenas quatro meses, a cultura pode estar totalmente contaminada”, diz Yuki.
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O vírus foi descrito inicialmente no Estado da Bahia, em 1971, e seus primeiros relatos em São Paulo foram registrados em 1992, porém acredita-se que esse problema já ocorria anteriormente. “A hipótese para o surgimento do vírus em terras paulistas é da introdução de mudas contaminadas. A transmissão do vírus ocorre por meio dos pulgões, conhece-se pelo menos seis espécies que transmitem esse vírus, em São Paulo. E também pode ser transmitido por meio de instrumentos de corte, como as tesouras de poda, facas, canivete e até pela unha, durante a poda dos ramos laterais”, explica o pesquisador do IAC, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
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As vantagens de se plantar mudas altas são porque ficam protegidas contra a infecção pelo vírus por cerca de cinco meses, pois nos primeiros meses, a planta está mais suscetível e as perdas são maiores. “Por meio dessa tecnologia, a produção se inicia em dezembro ou janeiro, quando o preço no atacado é alto, aumentando a renda do produtor em curto espaço de tempo”, diz Yuki.
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Sobre o custo da produção, o pesquisador comenta que esse sistema economiza na utilização de mão de obra, pois como as mudas ficam concentradas, facilitando os tratos culturais evitando a capina, adubação, aplicação de defensivos agrícolas e a irrigação. O investimento para esse cultivo durante o ano é de R$ 12.000,00, enquanto o método tradicional é de R$ 6.000,00. Porém, o lucro do produtor com a nova tecnologia pode ser estimado em 47,89% descontando o investimento anual. Desde a adoção dessa tecnologia, em algumas regiões do Estado de São Paulo, a produção passou de 18 toneladas para 27 toneladas, aumento de 50%, porém o pesquisador acredita que essa produtividade pode ser melhorada.
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Embora essa tecnologia exista há dez anos, os primeiros resultados satisfatórios foram obtidos há quatro anos. “Anualmente introduzimos algo a mais, ou modificamos o que não deu certo. Considero que existe necessidade de uma evolução constante das pesquisas”, afirma Yuki. Os envolvidos no projeto buscaram informações na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) para que a produção se concentre no período dos melhores preços; essa análise apontou que os produtores deveriam produzir de dezembro a junho. A média do preço pago por caixa de 13 quilos varia entre R$ 30,00 e R$ 50,00.
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O consumo no mercado interno é basicamente “in natura”. Os principais Estados produtores são: Bahia, Sergipe, Pará, São Paulo e Espírito Santo. No Estado de São Paulo a maior parte dos produtores rurais são de agricultores familiares, sendo a ‘Sul Brasil’ a principal variedade. “Em São Paulo não ocorre o florescimento durante o inverno, e as plantações ficam praticamente paralisadas”, diz o pesquisador.
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Presidente Prudente
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O 7.º Ciclo de Palestras de Fitossanidade, programado para 8 de março, foi repensado para a região de Presidente Prudente, devido à murcha de fusáriooutra doença que ataca as produções de maracujá. Essa doença mata a planta no início da colheita, e sua infestação surge quando plantas vizinhas à plantação entram em contato e contaminam a produção.
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Nessa região, pela ocorrência da murcha de fusário, está sendo pesquisada a possibilidade de plantio de mudas enxertadas com porta-enxertos resistentes a esse fungo. Esse cultivo consiste em que a planta produtiva fique na parte superior, sem estar em contato com o solo contaminado, solucionando o problema.
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A região de Presidente Prudente possui a maior adesão aos métodos recomendados em relação ao Vale do Ribeira, pois parte dos produtores da região do Vale do Ribeira ainda mantém o plantio tradicional.
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Serviço:
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Evento: 6.º Ciclo de Palestras de Fitossanidade
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Data: 1.º/3/2012
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Horário: 8h às 17h
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Local: Pariquera-Açu
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Investimento: Gratuito
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Evento: 7.º Ciclo de Palestras de Fitossanidade
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Data: 8/3/2012
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Horário: 8h às 17h
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Local: Presidente Prudente
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Investimento: Gratuito
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