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Greening (HLB) e mancha marrom de alternária são destaques do VII Curso de Doenças dos Citros e seu Manejo realizado pelo IAC

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O curso oferece aulas teóricas e práticas de identificação dos sintomas do greening, que tem aumentado no Estado de São Paulo
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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC, Fernanda Domiciano e Raquel Hatamoto, Estagiárias
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O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, irá realizar o VII Curso de Doenças dos Citros e seu Manejo de 20 a 22 de setembro de 2011, no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, em Cordeirópolis. O objetivo é capacitar recursos humanos para a identificação e manejo das principais doenças dos citros.O destaque desta edição são as doenças fúngicas, bacterianas, virais e as de causa desconhecida. “O curso contará com aulas teóricas e práticas sobre as principais doenças dos citros, que serão proferidas por especialistas no assunto, visando à correta identificação e manejo”, diz Fernando Alves de Azevedo, coordenador e pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Serão abordadas também temáticas relacionadas à produção certificada de mudas cítricas e tecnologia de pulverização.
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O huanglongbing, conhecido como greening, é uma das principais doenças que afeta os pomares de citros atualmente. Dados levantados pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) revelam aumento de 50% da doença nos conjuntos de plantas delimitadas, os talhões, no Estado de São Paulo. É justamente por isso que os destaques dessa edição serão as aulas teóricas e práticas de identificação da doença. “O enfoque será no reconhecimento de sintomas foliares de huanglongbing em diversas espécies cítricas. Uma vez identificados, o produtor poderá trabalhar na remoção, diminuindo assim os focos de ocorrência, que é apenas uma das etapas no manejo dessa doença”, afirma Helvécio Della Coletta Filho, pesquisador do IAC.
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Além do reconhecimento e da necessária remoção das plantas infectadas, o curso enfatizará a importância da manutenção, em níveis baixos, da população de insetos vetores (psilídeos) da bactéria Candidatus Liberibacter, agente responsável pelo HLB. “A remoção de plantas infectadas diminui a chance de insetos vetores se contaminarem, ainda assim, é importante o controle químico para manter a população em níveis baixos”, afirma Coletta. De acordo com o pesquisador, ainda não foram descobertos agentes químicos capazes de erradicar a doença. A única opção é a eliminação de focos. Justamente por isso, é importante que o produtor tenha conhecimento suficiente para identificar os sintomas logo no começo.
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A aula ministrada por Coletta é teórica e contará com o apoio visual do acervo de imagens de plantas infectadas do Centro de Citricultura do IAC. A ideia geral é mostrar os sintomas da doença para promover a erradicação de focos transmissores. “Inicialmente, folhas de plantas infectadas apresentam-se amarelicidas em um ou poucos ramos”, diz. O pesquisador esclarece que a presença de folhas com mosqueamento assimétrico (cloroses) delimitadas pelas nervuras central e secundária do limbo foliar são bastante típicas para o reconhecimento de HLB no Brasil, especificamente em laranjeiras doces.
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A legislação vigente obriga o produtor a erradicar a planta. Felizmente, essa atitude está cada vez mais fixada na mente do produtor, que tem cumprido com a lei. Enquanto os produtores fazem a sua parte, os pesquisadores do Centro de Citricultura do IAC buscam alternativas nos laboratórios. As pesquisas de melhoramento genético e de transgenia estão voltadas para a identificação de genes que possam dar resistência à planta, eliminando de vez a ameaça do greening. “Não existe um único pesquisador envolvido com a cultura cítrica que não está atrás da solução, mas são pesquisas de longo prazo, por enquanto, o importante é eliminar as plantas infectadas”, diz. Porém, a eficácia dessas medidas mencionadas só será otimizada se todos os citricultores agirem em conjunto. “Medidas isoladas em meio à ausência de controle não têm mostrado efeito satisfatório”, completa.
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A aula do pesquisador Helvécio Della Colleta Filho acontecerá nesta quarta-feira, 21 de setembro, às 8h, no Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis. Os ensinamentos serão reforçados em aula prática ministrada por Evandro Schinor e Camila Pacheco, pós-doutorando e doutoranda do IAC, respectivamente. A aula prática será no mesmo dia, às 14h, terá duração de três horas e contará com o apoio de técnicos do Fundecitrus.
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A primeira edição ocorreu em 2005 e, durante esses anos, o curso contou com a participação de profissionais renomados do setor citrícola. Nesta edição, as aulas serão ministradas por pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), do Instituto Biológico (IB), do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) e Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (Unesp).
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Mancha marrom de alternária
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A mancha marrom de alternária é, ao lado do huanglongbing, a principal ameaça aos pomares de tangerinas. Em conjunto com outros fatores, tem sido responsável pela redução de 200 toneladas, por ano, na produção brasileira desse grupo de citros, entre os anos de 2006 e 2008, reduzindo a área de plantio no Brasil em 12%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Os participantes do VII Curso de Doenças dos Citros e seu Manejo receberão informações atualizadas sobre a doença, que requer cerca de 18 pulverizações para controle. Para se ter ideia do que isso representa, em comparação com o controle de pinta preta nos pomares de laranjas são necessárias cinco aplicações, aproximadamente, o que já onera bastante o produtor. A palestra sobre a mancha marrom de alternária acontecerá nesta terça-feira, 20 de setembro, às 14h, e será ministrada pelo organizador do evento, pesquisador Fernando Alves Azevedo.
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As condições ideais para o desenvolvimento do fungo causador da doença são encontradas justamente nas principais regiões citrícolas do País – São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Rio de Janeiro. “Essa doença se propaga muito bem a temperaturas médias entre 22 e 27ºC e molhamento contínuo superior a 12 horas”, diz Azevedo. O pesquisador do IAC explica que essas condições climáticas são encontradas em todas as regiões produtoras de tangerina do Brasil.
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Para controle da doença é necessária a aplicação de fungicidas e uso de práticas corretas de manejo. Os custos de produção se elevam diante da alta necessidade de aplicações de defensivos. O produtor deve também fazer poda de limpeza de inverno para retirada de material doente ou morto. “O fungo fica alojado nos ramos secos e folhas. Retirando essas partes doentes, eliminamos a fonte da doença”, explica Azevedo.
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Outro agravante para sua manifestação é a interação com a larva minadora dos citros (LMC), praga muito disseminada nas lavouras de tangerina. “O inseto da LMC come a folha da tangerina e faz ferimentos que facilitam a entrada da mancha marrom de alternária”, esclarece.
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Ponkan e Murcott são as variedades mais plantadas de tangerina comercialmente no Brasil, mas possuem suscetibilidade ao fungo. Duas variedades da fruta já desenvolvidas pelo IAC são resistentes à doença: Thomas e Fremont. Além dessas, outras variedades de mexericas e híbridos também estão em estudo no IAC. Segundo Azevedo, essas duas variedades IAC — que têm custo de produção muito inferior — se diferem da Ponkan e Murcott na aderência da casca, época de maturação e sabor.  “Temos nos preocupado com essa doença em nossas pesquisas do Programa de Melhoramento Genético. O IAC tem estudado além do melhoramento, o manejo e controle biológico”, afirma.
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A mancha marrom de alternária chegou ao Brasil no ano de 2001 e se manifesta em vários países, como Argentina, Estados Unidos, Austrália, Itália e Israel. Segundo Azevedo, a doença é causada pelo fungo Alternária alternata, que produz toxina de ação específica em tangerina, denominada ACT. “A infecção ocorre em folhas, ramos e frutos em desenvolvimento, ocasionando desfolha nos ponteiros, seca dos ramos novos e queda prematura dos frutos”, explica. 
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Em 2006, a tangerina era a quinta fruta mais cultivada do Brasil, ficando atrás somente da laranja, banana, coco-da-baía e mamão. O País plantava 61 mil hectares da fruta e tinha uma produção de 1,3 milhão de toneladas. No ano de 2008, a tangerina passou para a oitava colocação no ranking, perdendo lugar para uva, manga e maçã. A produção caiu para 1,1 milhão de toneladas e a área de cultivo para 54 mil hectares. Todas as outras frutas que estavam à frente da tangerina aumentaram suas produções. De acordo com Azevedo, essa diminuição se deve à perda de interesse do agricultor no cultivo da fruta, em razão do alto custo de produção.
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Matrizes certificadas, porta-enxerto e doenças na pós-colheita
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O VII Curso de Doenças dos Citros e seu Manejo contará ainda com aulas sobre doenças relacionadas a porta-enxerto, pós-colheita e programas de matrizes certificadas.
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Segundo o pesquisador do IAC, Sérgio Alves de Carvalho, um Programa de Matrizes visando à produção de material de propagação certificado busca a identificação de variedades de grande potencial genético através de programas de melhoramento, introduções ou seleções em pomares e a garantia de sua sanidade para patógenos transmissíveis por enxertia, como vírus, viróides e bactérias.
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A aula terá como objetivo mostrar todas as etapas de um programa, desde a identificação da planta candidata até a caracterização e a limpeza dos possíveis patógenos. O curso destacará ainda a necessidade de monitoramento e manejo adequado da planta em telado, com retirada de amostras para análises laboratoriais, controle rigoroso de doenças e pragas  e deficiências minerais.
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A aula abordará também a legislação para se registrar uma planta como matriz ou borbulheira, apontando as normas a serem cumpridas. “A legislação sobre o assunto, em nível Federal, é feita pelo  Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mas todos os envolvidos na produção e comércio de mudas e material de propagação devem atender ainda as normas da Coordenadoria de Defesa Sanitária Vegetal, em São Paulo”, afirma Carvalho.
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Além do desenvolvimento do programa de matrizes que visa à disponibilização de materiais obtidos nos programas de melhoramento, os pesquisadores do IAC também atendem à demanda específica de cada produtor.  “O IAC presta assessoria para o produtor que deseja selecionar e registrar sua própria  matriz para que possa  produzir mudas a partir dela, atendendo aos requisitos de sanidade e da legislação”, esclarece o pesquisador. A aula sobre Programas de Matrizes Certificadas será ministrada pelo pesquisador do IAC, Sérgio Alves de Carvalho, no dia 22 de setembro, às 13h30.
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Pós-Colheita
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O curso sobre doenças na pós-colheita dos citros será ministrado pela pesquisadora do IAC, Lenice Magali do Nascimento, no dia 22, às 11h. O foco será a identificação das doenças na pós-colheita e o controle dos patógenos. “A pós-colheita dos frutos de citros se vê limitada principalmente pelo ataque de patógenos, que depreciam o valor comercial dos produtos e é a causa de importantes perdas econômicas”, afirma a pesquisadora.
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Os participantes conhecerão os principais fungos que depreciam os frutos na pós-colheita, principalmente os dos Gêneros Penicilliun, Geotrichum e Phomopsis, além de técnicas adequadas para o controle destes patógenos. Os métodos de controles convencionais ainda são as aplicações de fungicidas comerciais, que embora sejam eficientes, apresentam implicações com relação ao meio ambiente, uma vez que muitos deles são sistêmicos. “Por essa razão, o Centro de Citricultura vem buscando, através de suas pesquisas, a adequação e o desenvolvimento de novas alternativas para o combate destas doenças de modo a diminuir o impacto ambiental”, esclarece Lenice.
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Um exemplo disso é a utilização de termoterapia, que consiste na imersão da fruta em água previamente aquecida, como forma de se fazer uma primeira desinfestação, eliminando a maior quantidade possível de esporos oriundos do campo. Esse sistema já é usado em outras culturas, como a manga, e não causa qualquer impacto à natureza. O Centro de Citricultura do IAC também desenvolve pesquisas em parceria com empresas privadas testando a eficiência de novos produtos, com a finalidade de controlar as doenças de pós-colheita.
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Doenças em porta-enxertos
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A aula sobre doenças relacionadas a porta-enxertos será ministrada pelo pesquisador do IAC, Jorgino Pompeu Júnior, no dia 22 de setembro, às 10h. Os participantes serão apresentados às principais características dos porta-enxertos, suas vantagens e limitações, além da necessidade da diversificação dos mesmos para a prevenção contra novos problemas. O curso terá como base o estudo e reconhecimento das principais doenças relacionadas a porta-enxertos, como exocorte, xiloporose, tristeza, declínio e morte súbita dos citros.
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Desde o começo de sua história, o Centro de Citricultura do IAC busca novas tecnologias de prevenção contra doenças, contribuindo diretamente para tornar a citricultura brasileira um negócio cada vez mais rentável. “Graças às pesquisas do IAC, o Brasil e em particular o Estado de São Paulo tornaram-se, desde 1968, o maior produtor de laranjas e o maior exportador de suco de laranja do mundo”, afirma Pompeu.
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Segundo o pesquisador, as doenças exocorte e xiloporose impediram a utilização econômica do porta-enxerto limão Cravo, pois reduziram a produção de frutos em até 70% nas áreas afetadas. “Com a descoberta de que essas doenças não tinham insetos vetores e somente passavam de uma planta para outra por meio do uso de borbulhas contaminadas, foi imposta a utilização de borbulhas retiradas de plantas matrizes sadias produzidas pelo IAC”, explica o pesquisador.
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O IAC vem desenvolvendo pesquisas nessa área desde 1936 e já avaliou mais de 300 tipos de citros como porta-enxerto para laranjas, tangerinas e limões. Foram esses estudos que permitiram selecionar porta-enxertos resistentes à tristeza dos citros que, nas décadas de 30 e 40, quase dizimou a citricultura paulista.
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Já na década de 70, o trabalho do IAC resultou em porta-enxertos resistentes ao declínio dos citros. “Mais recentemente, com o surgimento da morte súbita dos citros, em 1999, esses estudos possibilitaram a seleção de porta-enxertos resistentes a essa doença”, afirma Pompeu.
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SERVIÇO
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VII Curso de Doenças dos Citros e seu Manejo
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Quando: 20, 21 e 22 de setembro de 2011, das 8h às 17h
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Onde: Centro de Citricultura Sylvio Moreira do IAC – Rod. Anhanguera, km 158, Cordeirópolis-SP
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Para mais informações, acesse a página de eventos do site:
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http://www.centrodecitricultura.br
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Para mais informações acesse -


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