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Pesquisa desenvolvida pelo IAC identifica a origem e os genes responsáveis pela qualidade do café Arábica

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Resultado inédito dá subsídios para pesquisas de melhoramento genético do cafeeiro
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Por Fernanda Domiciano - Estagiária
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A identificação de genes de espécies de interesse agronômico é um passo fundamental para o melhoramento genético de uma variedade. Pesquisa realizada pelo Instituto Agronômico (IAC) verificou que boa parte dos genes expressos na espécie de café Arábica – que é uma das mais cultivadas e com melhor qualidade de bebida – parece ser proveniente de uma variedade pouco usada nos programas de melhoramento genético do café e sem qualquer uso comercial, o Coffea eugenioides. As pesquisas inéditas identificaram genes potenciais responsáveis pela qualidade do café e comprovaram também que a melhor qualidade do Arábica se dá pela maior expressão de genes da produção de açúcares encontrados em seu material genético.
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            O estudo publicado pela revista científica “BMC Plant Biology” teve o objetivo de entender as diferenças gênicas entre os cafés Arábica e Canephora, responsáveis por 70% e 30% da produção mundial de café, respectivamente. “Um dos principais resultados foi a verificação que o Arábica expressa uma maior quantidade de genes relacionados ao metabolismo de açúcares do que o Canephora. Esse resultado confirma os dados bioquímicos e agronômicos anteriores que haviam evidenciado que o grão do Arábica possui mais açúcares, compostos estes que seriam responsáveis pela melhor qualidade da bebida em relação ao Canephora”, explica o pesquisador do IAC, Jorge Maurício Costa Mondego. O estudo, entretanto, tem como mérito o apontamento de quais seriam os genes responsáveis por essas diferenças.
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             Com os dados em mãos, os pesquisadores do IAC, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aprofundaram seus estudos e descobriram que a maior quantidade de açúcar do Arábica provem de uma variedade de café que não tem qualquer uso comercial atualmente e é totalmente esquecida pelos programas de melhoramento genético do cafeeiro, o Coffea eugenioides.
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            Para se chegar a este resultado os pesquisadores investigaram a origem do Arábica, que se deu há centenas de milhares de anos, na Etiópia, a partir da hibridação natural dos genomas de C. Canephora e de C. eugenioides. “Verificamos que boa parte dos genes que estão relacionados à qualidade de bebida do Arábica parece vir do eugenioides”, conclui o pesquisador.Esse resultado foi publicado na revista científica “Plant Physiology”.
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            Esses dados podem incrementar o programa de melhoramento genético do cafeeiro por dar mais uma opção de cruzamento de café para obtenção de variedades cada vez mais resistentes a doenças, melhor produtividade e qualidade de grãos. “Além de gerar informações sobre como ocorre a regulação dos genes de café, nossos dados sugerem que genes úteis para o melhoramento genético do café Arábica podem já estar presentes em seu genoma, mas estão inativos. Desse modo, cabe agora aos pesquisadores buscar métodos para ativar esses genes que poderão gerar plantas com características diferentes das atuais”, explica o pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
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Sozinho, o café eugenioides é uma planta rústica, pouco produtiva, mas com grãos de ótima qualidade. O Arábica, por sua vez, tem boa qualidade, é bem produtivo, muito cultivado e consumido. “O cruzamento do eugenioides com o Arábica, por exemplo, pode dar origem a um café Arábica com qualidade ainda melhor que as variedades que existem atualmente”, diz o pesquisador.
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Outro dado importante fornecido pelas pesquisas foi a identificação de genes que dariam identidade ao cafeeiro. “Muito se perguntava sobre quais genes seriam responsáveis pelas diferenças entre homens e macacos. Descobriu-se que esses genes estariam relacionados ao sistema imune e ao olfato. Do mesmo modo, podemos transportar isso para o café e outras plantas aparentadas, como o tomate e a batata. Os genes novos e somente encontrados no café podem responder a questão de por que o cafeeiro é uma árvore, enquanto as outras duas plantas citadas têm pequeno porte”, esclarece Mondego.
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A pesquisa de identificação dos genes do cafeeiro é derivada do Projeto Genoma Café Brasileiro, iniciado em 2002, que conta com o financiamento do Consórcio Pesquisa Café e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os resultados práticos devem demorar por volta de dez anos para chegar às propriedades agrícolas.

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