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Instituto lança acervo inédito sobre qualidade de pulverizadores no Brasil e assina protocolo para ampliar ações de Programa de Qualidade de EPI na agricultura
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IAC lança acervo inédito sobre qualidade de pulverizadores no País
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Programa Aplique Bem reúne informações sobre 700 máquinas avaliadas
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A avaliação de pulverizadores — uma das atividades do Programa Aplique Bem —, desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC), dará origem a um banco de dados específico e inédito sobre qualidade de pulverizadores no Brasil. O Programa reuniu informações sobre 700 máquinas, aproximadamente, avaliadas em três anos e meio de atividades do Aplique Bem. Por enquanto, trata-se de um amplo e diferenciado conjunto de informações que, após a finalização do banco de dados, resultará em listagem que classificará por tipo de pulverizador e por marca, por região e por tamanho da propriedade agrícola. Haverá também informações sobre desgaste de pontas, de barras e outros componentes, que poderão contribuir na identificação das causas dos problemas dos implementos. O banco, que ainda trará números de Estados e municípios visitados, quantidade de profissionais treinados, equipamentos avaliados e culturas envolvidas nesse cenário, será atualizado continuamente.
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O lançamento do acervo inédito será na Agrishow 2011, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no dia 5 de maio, às 10h, na área do IAC, no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
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“Um trabalho consolidado como esse, com diferentes equipamentos, usados em diversas culturas e em diferentes regiões do País é único no Brasil”, afirma o pesquisador responsável pelo Aplique Bem, Hamilton Humberto Ramos, que também é diretor-geral do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O Programa é desenvolvido desde 2007 em parceria com a empresa Arysta LifeScience.
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De acordo com o pesquisador, a análise dessas informações irá viabilizar o conhecimento sobre as causas dos problemas das máquinas. Ramos afirma que será possível saber se os defeitos se dão em função do uso e da manutenção inadequados ou se a falha está ligada ao projeto ou à engenharia do implemento. As análises das informações irão contribuir também para o melhor entendimento dos erros no processo de pulverização. “Esses dados irão servir para reorientar o próprio Aplique Bem – vamos melhorar a qualidade do treinamento porque teremos dados que mostram se o problema decorre de falha humana ou problema da máquina”, diz.
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Essas informações poderão ser usadas também pela indústria de pulverizadores, que poderá se basear na análise dos dados para planejar correções, caso o diagnóstico aponte para as etapas de projeto ou fabricação de equipamentos. Outro usuário dessas informações geradas pela pesquisa paulista poderá ser grandes empresas ligadas à commodity agrícola, como a soja. “Teremos um censo da aplicação de agrotóxicos”, diz.
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Segundo o pesquisador, a atividade de aplicação de agrotóxicos com segurança e qualidade é composta por: boa máquina, bem regulada e operada por profissional treinado. “A qualidade da máquina influi diretamente na qualidade da aplicação, esse banco virá compor o tripé do Aplique Bem”, diz.
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“O banco de dados trará uma nova face e uma nova fase do Aplique Bem”
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É assim que o coordenador do Aplique Bem, Hamilton Humberto Ramos, resume a relevância do banco de dados que será gerado a partir de três anos e meio de atividade do Programa Aplique Bem. O diferencial dessa pesquisa científica — que se destaca pela intensa aplicação ao campo — é justamente a atuação no tripé: avaliação da máquina, avaliação da pulverização e treinamento do aplicador.
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Para Ramos, capacitar o profissional é fundamental, mas é também relevante a avaliação dos equipamentos. O pesquisador relembra que, inicialmente, a prioridade do Programa era levar informações de qualidade ao profissional do campo. “Agora que já temos a estrutura de treinamento de qualidade, o Aplique Bem direciona esforços para a qualidade da máquina”, explica. Ramos ressalta que se trata de uma complementação no Programa e não de uma substituição de foco.
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Aplique Bem
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Com objetivo de levar à propriedade rural informações sobre aplicação de agrotóxicos com qualidade e segurança — com abordagem prática e real — o Programa visita propriedades rurais com o Tech-móvel – veículo adaptado para a realização de avaliação de pulverizadores – e profissionais capacitados para treinar os operadores das máquinas nas diversas regiões do Brasil. Em três anos e meio de atividades, treinou 18.500 operadores, nos Estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. Recebeu quatro premiações, sendo três nacionais e uma internacional.
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IAC firma parceria com ANDEF, ANDAV e OCESP/SESCOOP para ampliar controle de qualidade em EPI agrícola em todo o Brasil
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Mercado de EPIs em agricultura no Brasil está por ser aberto ainda em 80%
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O Instituto Agronômico (IAC), por meio do Programa IAC de Qualidade em Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA), irá assinar protocolo de intenções com a ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), ANDAV (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários) e OCESP (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo)/ SESCOOP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo) com o objetivo de ampliar a ação do QUEPIA nas atividades de controle de qualidade dos equipamentos de proteção individual (EPI) na agricultura. No primeiro momento, a expansão será focada no Estado de São Paulo, para então alcançar outras regiões do País. A assinatura do documento será feita na Agrishow 2011, no dia 4 de maio, às 15h, em Ribeirão Preto, na área do IAC, no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
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De acordo com o pesquisador responsável pelo QUEPIA, Hamilton Humberto Ramos, que também é diretor-geral do IAC, a parceria irá criar um braço nacional para o Programa, que viabilizará o controle de qualidade dos EPIs por meio de amostras coletadas nas revendas e cooperativas do Estado de São Paulo. Essas associações reúnem os principais fornecedores de tecnologia aos segmentos agrícolas. A ANDAV tem cerca de mil revendas associadas e a ANDEF reúne 15 empresas. .
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A ideia é usar esses pontos de comercialização como multiplicadores de informações sobre a importância das boas práticas no uso de EPI e a necessidade de produção desses equipamentos dentro dos padrões técnicos de qualidade. Para isso, a parceria irá viabilizar a capacitação dos profissionais envolvidos na atividade, para que eles possam transferir informações corretas. Dessa forma, poderão exercer, junto aos agricultores, papel fundamental na conscientização acerca da segurança oferecida pelo uso adequado do EPI, que deve ser adequado a cada situação e fabricado em consonância com a legislação vigente.
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A parceria prevê o desenvolvimento de materiais de divulgação, como cartilhas, pôsteres e apresentações, e transferência de informações em diferentes níveis para profissionais do setor agrícola. O IAC participará com conhecimento técnico gerado nas pesquisas com tecnologia de aplicação de agrotóxico com segurança e qualidade. A parceria é intermediada pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG).
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IAC tem um dos dois laboratórios credenciados pelo MAPA para avaliar EPI
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Está no IAC um dos dois laboratórios no Brasil credenciados pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento para fazer a avaliação de EPIs para agricultura. São analisados aspectos relacionados às resistências química e física, que envolvem a penetração de calda de agrotóxicos por meio do tecido das vestimentas e pelas costuras. Esse referencial é usado para identificar problemas na confecção, que envolve não só a qualidade dos materiais usados, como também a adequação do molde adotado. Outro parâmetro está na resistência ao número de lavagens da roupa. “Ao encaminhar a peça para avaliação no laboratório, a empresa fabricante deve especificar o número de lavagens a que deve ser submetido o equipamento, sem perda da proteção”, explica o pesquisador.
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Nos últimos dois anos, no laboratório do QUEPIA, no IAC, foram avaliados cerca de 60 materiais diferentes para se chegar ao entendimento do amplo conceito de qualidade. “O estudo incluiu até observações em indústrias têxteis para melhor compreensão da estruturas dos tecidos usados nas vestimentas de EPI”, diz Ramos. A pesquisa envolveu diversos tipos de tecidos, espessura de fios e também os diferentes tratamentos. “Estamos reunindo a maior expertise em termos de Brasil”, considera o diretor-geral do IAC.
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Os EPIs avaliados têm apresentado melhoria constante. Nas primeiras avaliações, foram reprovados cerca de 40% dos materiais novos “O que me deixa feliz é observar a evolução dos materiais nos últimos cinco anos.”. Segundo Ramos, as reprovações apontaram para o baixo conhecimento acerca do conceito de qualidade. Felizmente a realidade vem mudando. Vestimentas que antes eram reprovadas ainda novas, hoje mantêm a resistência e são aprovadas após 30 lavagens com nível de penetração de calda de agrotóxico de 1%. Esse nível de resistência é bem superior ao exigido – o aceitável são 5% de penetração. Isso significa maior segurança para o aplicador.
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De acordo com Ramos, o mercado de EPI na agricultura brasileira é ainda incipiente – 80% estão ainda por ser abertos. A qualidade dos materiais e a transferência de informações sobre os ganhos para a saúde do trabalhador são determinantes nesse processo. O trabalho do QUEPIA, em conjunto com as associações do setor e as empresas, com apoio da nova legislação, deverá estimular o investimento das fabricantes em qualidade. E isso depende de pesquisa científica gerando informações, que devem ser transferidas aos usuários.
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Um dos diferenciais do trabalho do IAC está no momento da avaliação dos materiais. A análise do EPI não fica restrita às amostras enviadas pelas empresas, mas se estende ao longo de sua permanência na comercialização, por meio de amostragem controlada de EPIs. Isso significa que as empresas terão que manter no comércio equipamentos com a mesma qualidade apresentada para obtenção de aprovação, já que as amostras podem ser coletadas a qualquer momento e em qualquer ponto de revenda. A parceria com a ANDEF, ANDAV e OCESP irá contribuir bastante na diversificação de pontos de coletas desses EPIs já inseridos no mercado.
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Segundo Ramos, atualmente não existe essa fiscalização. Assim, as empresas podem praticar no mercado um material diferente do aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, responsável pela área de EPI. “Para que isso não aconteça com as empresas participantes do QUEPIA, a amostragem é controlada e aleatória”, diz.
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O QUEPIA caminha para se tornar um Programa Voluntário de Certificação de Qualidade em EPI. Junto a grupo de empresas preocupadas com a qualidade dos materiais disponibilizados no mercado, se dedica ao estudo de normas e ao desenvolvimento de padrões de qualidade para vestimentas de proteção para riscos químicos com agrotóxicos.
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A relevância dos estudos nessa área está diretamente ligada à saúde dos trabalhadores rurais que manuseiam equipamentos com agrotóxicos. “Atualmente, não se pode assegurar que um trabalhador esteja protegido pela vestimenta que utiliza, uma vez que não se conhece a qualidade dela”, diz.
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Ramos acredita que ações de transferência de informações e treinamento que poderão ser ampliadas com a parceria com a ANDEF, ANDAV e OCESP são fundamentais nesse processo. “Temos muito a trabalhar junto com agricultores para fazer baixar o sentimento de rejeição que ele tem com o EPI”, afirma.
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As empresas fabricantes de EPI terão até sete de junho deste ano para adequação às novas normas. Com os novos padrões, os EPIs poderão ser selecionados de acordo com os riscos proporcionados pela operação, pois haverá lógica na seleção desses equipamentos. Até lá, os trabalhos serão intensificados para serem avaliadas todas as vestimentas das 13 empresas que atualmente participam do QUEPIA. Integrantes desse grupo exportam para Europa, Chile, Venezuela, Argentina e Peru.
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Criado em 2006, o QUEPIA foi desenvolvido por etapas. A primeira ação, realizada em conjunto com a ABNT, foi focada no desenvolvimento de normas adequadas em ensaios de EPIs, até então inexistente no Brasil. Paralelo a esse trabalho, já em um segundo momento, o QUEPIA começou a avaliação de materiais disponíveis no mercado e a realização de ensaios para criar novos materiais de acordo com os padrões especificados. Em uma terceira fase, o QUEPIA evolui para o Programa Voluntário de Certificação de Qualidade em EPI, com normas já instituídas.
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Do início dos EPIs aos dias de hoje
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A primeira aplicação de agrotóxicos no Brasil ocorreu na década de 40. Os primeiros EPIs usados eram adaptados da indústria. A inadequação da estrutura resultava em desconforto físico aos operadores, que experimentavam inadequação térmica e limitação de movimentos. Em 1977, o Ministério do Trabalho obrigou o fornecimento de EPI. Ainda sem normas de qualidade, foi aceito o certificado de aprovação por responsabilidade. Isto é, a empresa se comprometia com a qualidade e Ministério emitia o certificado. Nesse cenário, a concorrência ficava guiada pelo preço do equipamento e não pela efetiva qualidade do material.
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Ramos conta que os primeiros EPIs específicos para agricultura começaram a ser estudados no início da década de 90 e só chegaram ao mercado na segunda metade daquela década. “O que temos hoje é o reflexo desse histórico, com normas de qualidade bastante incipientes”, avalia.
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Só em outubro de 2009 foram estabelecidas as regras de ensaio para todos os EPIs que tinham certificado de aprovação por responsabilidade. Naquele momento, O IAC, por meio do QUEPIA, posicionou-se contrário às normas, pois a ISO relativa a EPI agrícola já estava sendo discutida e o Brasil, como signatário de acordos internacionais, deveria normatizar em consonância com esses acordos. Essa foi a proposta apresentada pelo IAC, ao ser convidado pelo Ministério do Trabalho para colaborar. As discussões seguiram até julho de 2010. Atualmente são válidas as portaria 121 e 184, que estabelecem os padrões de qualidade para vestimentas de proteção. As empresas têm até 7 de junho deste ano para se adequarem às normas e ter o certificado de aprovação emitido ou renovado.
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Textos
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Assessoria de Imprensa – IAC
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19-2137-0613/ 2137-0616
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Estagiárias: Fernanda Domiciano e Raquel Hatamoto
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