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Mulher na ciência: IAC presta homenagem

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Por Fernanda Domiciano – Estagiária – Assessoria de Imprensa – IAC.
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Elas somam 40% do corpo cientifico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), atuando nas mais diversas áreas de ciência agrícola – desde trabalho no campo, até análises em laboratórios e ocupação de cargos administrativos. Dentre os servidores de apoio, 45%  também são formados por elas.  
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Próximo ao Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, o IAC homenageia todas as mulheres que realizam trabalhos no Instituto, contando as histórias de pesquisadoras de diversas faixas etárias, áreas de pesquisa e experiências. A escolha foi feita de maneira aleatória.  A homenagem não se limita a uma única data, apenas aproveita-se o dia como mais uma oportunidade para lembrar a importância da força feminina na economia do País e também no meio científico, no passado reduto masculino.
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De uns tempos pra cá, as coisas têm começado a mudar. No curso de Pós-Graduação do IAC, as mulheres são maioria nas salas de aula desde 2004. Nesses sete anos, apenas em 2006 as salas eram compostas por mais homens – 16 para 13 mulheres. Em 2011, elas somam 17 e os homens nove.
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O cotidiano dessas mulheres não é muito diferente do masculino. Talvez a principal distinção esteja no maior vínculo da mulher com a família, a casa e a educação dos filhos. “Meus dois filhos, de 12 e sete anos, são educados desde pequenos a me ajudar a arrumar a mesa do jantar, tirar a roupa do varal. Eles aprenderam que esses trabalhos não são feitos só por mulheres, isso não existe. Todo mundo lá em casa me ajuda, porque se não fico muito sobrecarregada”, conta a pesquisadora do Centro de Citros “Sylvio Moreira” IAC há 6 anos, Alessandra Alves de Souza formada pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-doutora pela Universidade da Califórnia-Berkeley (2009). Ela é casada com um pesquisador do IAC, ela e o marido fizeram pós-doutorado na mesma época na Califórnia e por isso toda a família teve que mudar de país.
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Graduada em Ciências Biológicas, a pesquisadora do IAC diz que a quantidade de homens e mulheres em sua sala era equivalente, mas lembra que ao fazer algumas matérias na área de agronomia, percebia uma quantidade maior de homens. “Mas vejo que não há tantas mulheres na área de agronomia, porque não é uma área que interessa muito às mulheres, não acho que é por medo de não conseguir espaço”.
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Alessandra avalia que da década de 70 para os dias atuais, a educação e os valores mudaram. “Antigamente as pessoas viam a mulher como alguém que tinha que ficar em casa cuidando dos filhos e marido. Hoje, a visão de competência entre homem e mulheres é igual, há menos preconceito e as mulheres estão atuando em todas as áreas. A educação mudou muito esse quadro, tanto que temos até uma mulher que é presidente da república”.
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Sendo a ciência um universo tradicionalmente masculino, principalmente a área agrícola, algumas dessas mulheres sofreram certo preconceito, tanto na graduação, como no mercado de trabalho. “Não sofri preconceito, mas alguns colegas de sala, mais machistas, faziam piadinhas e diziam que nós, mulheres, estávamos no curso errado”, lembra a pesquisadora do Centro de Horticultura, Eliane Gomes Fabri, formada em Engenharia Agronômica, em 1996, na Unesp de Ilha Solteira. Também pesquisadora do Centro de Horticultura, Roberta Pierry Uzzo, recorda que quando se formou na Universidade Federal de Lavras, em 1999, sua sala tinha 80 alunos e apenas oito eram mulheres, 10% do total. “Éramos em poucas, mas nunca sofri preconceito por parte dos alunos, só os professores que falavam que as mulheres não iam conseguir muitas vagas no campo e sim nos laboratórios”, diz.
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Eliane lembra que quando se formou, começou a trabalhar na CATI, na área de extensão e tinha que lidar com os produtores. “Alguns chegavam e pedia a visita de um agrônomo, quando eu dizia que era eu a responsável, eles insistiam que queriam um homem, mas eu dizia que era eu, até eles entenderem. Eles então começavam a perguntar sobre a minha qualificação, onde eu tinha me formado e faziam perguntas que certamente já sabiam a resposta só para ver meu desempenho”.  A pesquisadora avalia, porém, que a situação hoje melhorou muito. “Tenho vários experimentos com produtores e sou bem recebida por eles e por suas famílias. A gente troca muitas ideias e informações. Mas eu ainda vejo que, às vezes, aponto algo que não está sendo feito de maneira correta e eles falam ‘o que essa mulher está falando? ’”.
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Para Roberta, a dificuldade na relação também é determinada pelo perfil mais rural dos grupos de pessoas. “Quando eu fazia faculdade notava que tinha muitos alunos que eram do meio urbano e por isso, acho que as coisas foram mais fáceis. Mas acho também que a visão de mulher na ciência mudou muito, existem grandes cientistas e pesquisadoras que são muito conceituadas. Conheço mulher que no campo trabalha por dois homens”.  A pesquisadora é casada há três anos e mãe de um filho de dois. “Você acaba tendo que abrir mão de algumas coisas ou a parte do papel de dona de casa para acompanhar mais os filhos. Mãe exige presença.”
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Outra mulher que além de pesquisadora exerce também cargo de vice-diretora do Centro de Engenharia e Automação, Illa Maria Corrêa, acredita que nunca teve problemas em trabalhar com os homens “porque nunca ficou pra trás”. “Eles me respeitam porque cumpro minhas tarefas, sempre consegui acompanhar bem”. A pesquisadora foi a única mulher em suas sala de Engenharia Agronômica da Faculdade de Agronomia de Pelotas e a primeira pesquisadora mulher do Centro de Engenharia e Automação do IAC. “Ingressei no IAC como estagiária, em 1982, e era a única mulher do Centro. Hoje já perdi o meu reinado. No último concurso, em 2005, entraram várias mulheres”, diz.
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Casada há 25 anos e mãe de uma filha, Corrêa avalia que conseguiu se dedicar à família mesmo com o trabalho. “Acabo dedicando mais tempo ao trabalho, mas consigo conciliar com a minha família. Não tive problemas em ver o crescimento de minha filha e nunca fui ausente, acho que ela não tem do que reclamar”.
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A pesquisadora acredita que todos os trabalhos desempenhados por homens também podem ser executados pelas mulheres, “mas acho que a mulher tem duas vantagens a mais que o homem: somos mais disciplinas e organizadas e isso é muito importante na pesquisa”.

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