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IAC reúne 114 laboratórios participantes de Programa ligado à Análise de Solo para fins agrícolas

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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa – IAC
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A análise de solos proporciona o conhecimento da situação do solo, indispensável para a correta recomendação de calcário e fertilizantes
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Cento e quatorze laboratórios que realizam análises de solos estarão reunidos no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no dia 22 de fevereiro, das 8h às 17h, na Sede do IAC, em Campinas, durante a 27ª Reunião Anual do Ensaio de Proficiência IAC para Laboratórios de Análise de Solo para fins agrícolas. Desse grupo, 70% são paulistas, mas há representantes de outros 11 estados brasileiros, além de um do Uruguai e um da Costa Rica. Os participantes integram o Programa de Proficiência IAC para Laboratórios de Análise de Solo para fins agrícolas. Essas unidades seguem os métodos desenvolvidos pelo IAC — pioneiro na tecnologia de análises de solos no Brasil —, são avaliadas a cada dois meses e, anualmente, reúnem-se para apresentação de resultados e discussão de métodos. No encontro, os laboratórios recebem o Selo de Qualidade do Programa, lançado em 1989 pelo IAC, pioneiro também nesta ação. O Programa ainda foi o primeiro na avaliação de micronutrientes em solo, iniciada em 1994.
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Durante a reunião, haverá também palestras sobre gerenciamento de resíduos de laboratórios. A destinação correta desses materiais é uma preocupação para o setor. No IAC, reformas implantadas desde 2006 resultaram em economia de água e de energia elétrica em torno de 90%. Os destiladores foram substituídos por purificadores com base em membranas. Os aparelhos antigos gastavam 15 litros de água para produzir um litro de água purificada, enquanto o sistema de membranas gasta apenas 2 litros, que são reaproveitados na descarga dos banheiros, graças à reforma no prédio.
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O método de análise de solos desenvolvido pelo IAC é centrado no Estado de São Paulo, mas por ser direcionado a solos tropicais — com altos teores de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio — atende também a outras Unidades da Federação. A maior parte dos laboratórios participantes do Programa do IAC é privada.
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Segundo o pesquisador do IAC e coordenador do Programa, Heitor Cantarella, duas décadas atrás, a análise de solos era atividade dominada por laboratórios públicos, mas hoje isso mudou. O mercado começou a surgir com o aumento da demanda, resultante do conhecimento dos agricultores acerca da relevância do diagnóstico do solo com bases técnicas.
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A nova realidade direcionou as unidades na busca pela qualificação e diversificação dos serviços prestados.  Ao longo dos anos, dentre os participantes do Programa do IAC, observa-se a melhoria no desempenho dos avaliados e o número crescente de laboratórios que oferecem gama mais variada de serviços. No início do Programa, em 1984, os participantes realizavam somente análises básicas, que envolvem fósforo, magnésio, cálcio, alumínio, potássio, pH, dentre outros. Em 2002, apenas 42 laboratórios determinavam micronutrientes e granulometria. Hoje, metade dos participantes faz análises completas, isto é, além da básica, fazem micronutrientes e granulometria (argila, silte e areia.)
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Segundo Cantarella, esse retrato demonstra que o IAC tem atingido um dos objetivos do programa — qualificar os laboratórios para a prestação de serviços com competência técnica. Em 2000, no processo de avaliação dos laboratórios aplicado pelo IAC, só 15% alcançaram conceito “A” nas análises granulométricas. Hoje, esse índice saltou para 50%. “Isso significa que eles estão ajustando os procedimentos”, avalia o pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Cantarella explica que a granulométrica é uma análise que poucos laboratórios faziam há alguns anos e, no início, ocorriam muitos erros. Por isso, o conceito máximo alcançado atualmente por metade dos participantes demonstra que o Programa está contribuindo para elevar a qualidade dos serviços prestados na esfera privada não só de São Paulo, como de outros Estados. Em 2011, já há seis novos inscritos no Programa.
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O desempenho dos laboratórios participantes é aferido pelo Programa do IAC, que objetiva também a uniformização de métodos e procedimentos ligados às análises do solo e a divulgação dessas como ferramenta para o conhecimento e uso do solo para benefício das gerações. O Programa de Laboratório do IAC é listado como provedor de Ensaio de Proficiência no INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e no EPTIS – The International Proficiency Testing Information System, Berlin, Alemanha (www.eptis.bam.de).
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Cada participante do Programa recebe 20 amostras que devem ser analisadas durante o ano. O Programa avalia se os procedimentos estão de acordo com o método recomendado e aponta a necessidade de adequações. Os procedimentos estatísticos utilizados pelo IAC já estão consolidados e foram descritos em publicação internacional. O pesquisador ressalta que se o laboratório apresentar dificuldade para chegar ao resultado esperado, é possível enviar um profissional para treinamento prático no IAC, sem custos.
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Em 2000, o antigo programa de gerenciamento do banco de dados e de cálculo para a avaliação do desempenho dos laboratórios começou a ser substituído. O novo sistema permite que os cálculos para a avaliação dos laboratórios sejam feitos instantaneamente, pela internet. A partir de 2001, o novo sistema dispensou o envio de relatórios pelo correio ou por e-mail. Os participantes passaram a inserir seus resultados no banco de dados do Programa pela internet, com senhas individuais para inclusão ou alteração de resultados. Os dados consolidados, não confidenciais, estão à disposição do público, sem a necessidade de senhas.
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De acordo com Cantarella, a análise de solo sempre foi regionalizada no Brasil, não só em função da existência de métodos direcionados, mas também pela dificuldade de reunir os integrantes. Além do sistema desenvolvido pelo IAC, há outros no Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. A Embrapa tem um programa para o País todo, mas, com método de análise que o IAC deixou de usar em 1986.
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Programas como o do IAC têm papel fundamental de oferecer suporte ao setor privado para que este preste serviço de qualidade ao segmento agrícola. O IAC continua atendendo diretamente o produtor. Em 2010, foram cerca de 20 mil análises realizadas, apesar de este atendimento direto não ser mais o foco do Instituto, já que os agricultores podem contar com muitos laboratórios particulares.  
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Como é feito desde a Reunião Anual de 2007, neste ano, cada responsável por laboratório receberá, individual e confidencialmente, tabelas indicando a porcentagem de amostras analisadas por sua instituição, que ficou fora do intervalo de confiança – índice que pode ser considerado como uma medida da proporção de resultados “errados” emitidos. Os dados de cada laboratório são comparados com a média de  todos os laboratórios e com as médias dos melhores laboratórios (Conceito A). Essas tabelas permitem objetivamente observar os pontos fortes e fracos da unidade e orientam para as determinações que necessitam de atenção especial. 
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Por que conhecer o solo
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Os fertilizantes respondem por cerca de 30% dos custos de produção agrícola. Conhecer o tipo a ser aplicado e a quantidade necessária é decisão importante por ter relação direta com a produtividade da lavoura. “Se não houver análise de solo, esta decisão não é feita em bases técnicas”, diz o pesquisador.
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O correto diagnóstico é a base para orientar o uso adequado de fertilizantes, evitando desperdícios e reduzindo impactos ambientais por excessos. Ao otimizar a produtividade, amplia-se o lucro do produtor, já que o investimento é mais direcionado.  Segundo Cantarella, a maior parte dos insumos agrícolas (pesticidas e herbicidas) é usada para proteção das plantas, contra pragas e doenças. Porém, ele ressalta que esses produtos não são fatores de aumento de produtividade — eles apenas protegem as plantas para manter a produtividade —, enquanto que os fertilizantes podem elevar a produtividade, pois são constituintes da própria planta. 
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O pesquisador explica que 5% da matéria seca dos vegetais são compostos por nutrientes minerais — essenciais às plantas e sem substitutos. Por isso é necessário garantir esses elementos. Segundo Cantarella, caso haja desequilíbrio nutricional, a produtividade será afetada. Nesse aspecto, a correta nutrição das plantas é fundamental. “Se o agricultor fizer adubação e calagem baseada em bom diagnóstico da situação específica do solo, aumentam as chances do retorno financeiro”, diz.
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Cantarella comenta que os investimentos feitos em fertilizantes são muito altos, quando comparados com o custo da análise de solo. Este varia de R$ 17,00 a R$ 25,00 para análises básicas e de R$ 30,00 a R$ 35,00 para análises completas.
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Perfil dos participantes do Programa em 2010
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Aproximadamente 36% dos laboratórios são pequenas unidades independentes, que têm na análise de solo uma de suas principais atividades. Laboratórios ligados a associações de produtores ou cooperativas somam 13%. Outros vinculados a empresas e fundações, 21%. Os laboratórios de institutos de pesquisa representam 7% do total e os ligados ao ensino público, 14%. As instituições de ensino privado representaram 9% do total de participantes. Essas proporções estão relativamente estáveis há algum tempo, embora com pequenas variações de ano para ano.
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SERVIÇO
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27ª Reunião Anual do Ensaio de Proficiência IAC para Laboratórios de Análise de Solo para fins agrícolas
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Data:   22/02/2011
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Horário:  9h às 17 h
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Local:  Instituto Agronômico de Campinas, av. Barão de Itapura, 1481,   Campinas, SP.
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PROGRAMA
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9:00: Abertura
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9:20 – 10:40:  Apresentação dos resultados de 2010 (Heitor Cantarella)
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Análises básicas
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Análise de micronutrientes
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Análise granulométrica
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10:40 – 11:10  Intervalo
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11:10 – 11:50  ISO 17025:
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Acreditação do Laboratório de Análises do IAC: o caminho das pedras (Monica F. Abreu)
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A experiência de laboratórios particulares
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11:50 – 12:30  Programa de gerenciamento de resíduos químicos e águas servidas em laboratórios de ensino e pesquisa (José Albertino Bendassolli, CENA, USP)
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12:30 – 13:00  Resultados de resíduos e substratos no Ensaio de Proficiência IAC (Mônica F. Abreu).
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13:00 - 13:40  Assuntos gerais, discussão de problemas analíticos e programação das atividades para 2011; Selos para 2011
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13:40 – 15:00  Intervalo para almoço
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15:00 – 16:00  Palestra/treinamento: Tratamento de soluções residuais contendo cromo (Nadia Valério Possignolo, CENA, USP)
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15:00 – 17:00  Distribuição de amostras de solos e selos
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Visita ao laboratório do IAC
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Problemas analíticos particulares – opcional

Para mais informações acesse -


Sede do Instituto Agronômico (IAC)
Avenida Barão de Itapura, 1.481
Botafogo
Campinas (SP) Brasil
CEP 13020-902
Fone (19) 2137-0600