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As chuvas de janeiro...
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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
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Com registros de volumes de chuvas desde 1890, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) reúne informações sobre as oscilações nos regimes desde então, ano a ano, mês a mês. Essas informações são utilizadas e disponibilizadas com o objetivo de colaborar com a segurança da população e a administração dos transtornos e prejuízos causados pelas chuvas no campo e nas cidades. Daí as parcerias estabelecidas há anos com as unidades da Defesa Civil e a interação com agricultores e demais interessados na obtenção dos dados captados e analisados pelo IAC.
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Como parte dessa atuação, o IAC recebeu no dia 18 de janeiro, representantes do Comitê da Bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, especificamente da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico do PCJ, e representantes da Defesa Civil do Estado de São Paulo e das cidades mais atingidas pelas chuvas na região — Atibaia, Jaguariúna, Pedreira, Piracicaba, Amparo e outras. O grupo se reuniu na Sede do IAC, em Campinas, para expor os problemas ocorridos em decorrência das chuvas e avaliar o que ainda pode ocorrer, caso as águas não cessem. O diretor-geral do IAC, Marco António Teixeira Zullo, colocou o auditório do Instituto à disposição do grupo caso sejam necessárias outras reuniões.
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De acordo com o coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico do PCJ, Astor Andrade, o objetivo é conversar sobre as enchentes nos rios da bacia PCJ e a operação nas comportas das barragens do Sistema Cantareira. Participaram também da reunião representantes da Secretaria de Saneamento e Energia, do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), da Sabesp, do Corpo de Bombeiros e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), da Casa Militar do Governo do Estado. Os pesquisadores do IAC da área de climatologia, Orivaldo Brunini e Gabriel Blain, também estiveram presentes na reunião.
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De acordo com Blain, considerando o período histórico de 1890 a 2009, no mês de janeiro o volume médio de chuva é aproximadamente 248mm. Para entender melhor esse cenário, na teoria, esse volume seria equivalente a 248 litros de água a cada m2 de solo plano. “Neste ano, esse valor de média histórica foi ultrapassado ao redor da 1h da madrugada do dia 12”, diz. Blain explica que, ainda sob o aspecto de comparações com valores médios históricos, dos 31 dias compreendidos no mês de janeiro, em 17 dias (em média) ocorreram eventos de chuva. Nos primeiros 19 dias de janeiro, foram registrados 17 com chuva.
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O pesquisador ressalta que no período entre as 20h do dia 02 de janeiro até as 4h20 do dia 04 deste mês foram observados 97,3mm de chuva. “Nesse período (próximo a 32 horas), estima-se um intervalo de tempo máximo, e não contínuo, de apenas 3 horas sem haver o registro da ocorrência de chuva aqui em Campinas.”
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Uma das principais fontes de informação nesta área, o pesquisador Orivaldo Brunini afirma que as culturas mais afetadas nesse período de alta pluviosidade são as folhosas, como alface e almeirão, ou hortícolas cultivadas em ambiente não protegido. Temperatura e umidade elevadas acabam por ocasionar doenças nas plantas. “Essas condições de alta pluviosidade, vários dias seguidos de precipitação e redução no total de radiação solar que atinge a superfície, afetam a maturação de frutíferas como uva e figo, diminuindo a qualidade das mesmas”, diz. Há queda também na qualidade de frutos, como tomate, legumes e flores. De acordo com o pesquisador, nessa época, as chuvas impactam o algodoeiro no momento de crescimento e o milho na fase de polinização.
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Os reflexos não ficam restritos às plantações — todo o seu entorno é atingido. Segundo Brunini, a erosão do solo é muito intensa em função das águas e as práticas agrícolas, como aplicação de defensivos e herbicidas, são prejudicadas. O pesquisador ressalta também que a criação da Sala de Situação no Comitê PCJ, resultante da parceria entre DAEE, Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO) e Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG), é um passo muito importante no suporte para mitigação desses eventos adversos. “A FUNDAG tem papel relevante nessas ações pelos projetos em parceria com FEHIDRO, Defesa Civil do Estado e das diversas regiões do Estado e com a APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios)”, diz.
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