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Sustentabilidade na essência: Pesquisa do IAC sobre espécies nativas da Mata Atlântica de São Paulo é premiada pela Natura

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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
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\"\"Bonita e cheirosa não basta. Para a área de cosméticos a sustentabilidade é essencial. A indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos precisa de tecnologia para o manejo adequado da flora aromática nacional. Conhecer as espécies de plantas e seus potenciais e saber cultivá-las é passo fundamental para o setor que tem na mata sua matéria-prima. Nesse cenário, a pesquisa sobre espécies nativas do bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo — desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) — é premiada pela Natura, que financia a pesquisa juntamente com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O Prêmio de Inovação Tecnológica Natura Campus, concedido a cada dois anos, objetiva reconhecer a contribuição da comunidade científica brasileira para o desenvolvimento tecnológico da Natura, que anunciou os três agraciados no dia 02 dezembro, na sua Sede, em Cajamar, São Paulo.
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O desenvolvimento da pesquisa contribuiu para o conhecimento de aproximadamente 100 espécies aromáticas nativas de ocorrência no bioma Mata Atlântica de São Paulo, além da caracterização química e do potencial antimicrobiano e antioxidante dos seus óleos essenciais. De acordo com a pesquisadora do IAC e coordenadora do estudo, Márcia Ortiz Mayo Marques, as espécies selecionadas com potencial de uso por suas características olfativas foram avaliadas sob o aspecto da variabilidade genética e da propagação, que tem a finalidade de subsidiar a exploração sustentada e o desenvolvimento de tecnologia de produção dessas espécies. O estudo colaborou ainda para a formação de recursos humanos nas diversas áreas do conhecimento envolvidas no projeto — química, biologia molecular, fisiologia e botânica.
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O trabalho teve por objetivo encontrar novas fontes de óleos essenciais e princípios bioativos para o desenvolvimento de novos produtos pela Natura. Com o título “Bioprospecção do potencial aromático de espécies nativas do bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo: ocorrência, taxonomia, caracterização química, genética e fisiológica de populações”, a pesquisa obteve sucesso caracterizando espécies da Mata Atlântica em território paulista e identificando algumas com potencial de utilização, já verificado pela Natura.
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“Para que este resultado fosse alcançado, efetuamos inicialmente a avaliação da composição química, olfativa, atividade antimicrobiana e antioxidante dos óleos essenciais de espécies nativas da flora aromática do bioma Mata Atlântica do Estado de São Paulo”,diz a pesquisadora do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
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O trabalho, com duração de três anos, envolveu viagens de campo para diferentes regiões do Estado, onde foram feitas observações e coleta de espécies de famílias de plantas pré selecionadas. Segundo Márcia Ortiz, por seu caráter multidisciplinar o trabalho reuniu pesquisadores das áreas de botânica, fitoquímica, fisiologia e genética.
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Outras etapas existentes no estudo foram a identificação taxonômica das espécies, observação em campo dos ambientes de ocorrência e avaliação da abundância, frequência e dinâmica demográfica dessas plantas em diferentes populações. Ela explica que se deve considerar também a identificação correta do material utilizado, pois as populações de uma espécie podem apresentar significativa variabilidade genética e química. “A exploração sustentável das espécies de interesse comercial deve ser feita com base na determinação taxonômica correta e em informações sobre a sua distribuição geográfica e em estudos demográficos de biologia reprodutiva, variabilidade genética, química e fisiológica”, completa.  
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“Também avaliamos a variabilidade genética via marcador molecular e fizemos estudos da cinética e controle de crescimento e desenvolvimento das espécies”, explica a pesquisadora, que terá direito a um curso na área de inovação tecnológica na Sloan School of Management do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos.
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Segundo a coordenadora do estudo premiado, o conjunto dessas informações viabiliza o manejo sustentável, a domesticação e o cultivo das espécies, diminuindo ou mesmo eliminando o impacto negativo do extrativismo predatório. “A exploração comercial desses recursos genéticos deve levar em conta, além do fornecimento contínuo dos óleos essenciais, a conservação dos ecossistemas e a melhoria das condições de vida das populações locais”, diz Márcia Ortiz.
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Riqueza natural 
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O Brasil tem a maior diversidade genética vegetal do mundo. São mais de 55 mil espécies catalogadas, de um total estimado entre 350 mil a 550 mil. Essa riqueza representa importante potencial de desenvolvimento socioeconômico para o País, como fonte de corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais para o setor produtivo. Os óleos essenciais e produtos derivados são empregados como matérias-primas para as indústrias de higiene e limpeza, alimentos e bebidas, farmacêutica e cosmética, além de apresentarem atividade antimicrobiana, antifúngica e antioxidante.
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