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Pesquisador do IAC palestra sobre estratégia de produção de cana no cerrado

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Apresentação faz parte do 3º Dia de Campo, em Goianésia
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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
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 Engana-se quem pensa que o mesmo sistema de produção agrícola pode ser simplesmente transferido de uma região para outra. No caso da canavicultura, para obter a competência paulista, não basta o mero transporte de plantas e alguns implementos para outro Estado. Algumas empresas de São Paulo provaram amargos resultados quando decidiram expandir para Goiás as lavouras de cana sem conhecer as diversidades que fazem a diferença. É necessária a transferência de tecnologia desenvolvida especificamente para aquela região, considerando-se as variedades a serem cultivadas e o ambiente de produção. “Não dá para repetir em Goiás o que se faz em São Paulo, a boa performance paulista não se repete se não adotarmos o modelo de produção adequada”, ressalta Marcos Guimarães de Andrade Landell (foto), pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
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Essas e outras informações serão apresentadas por Landell em palestra no 3º Dia de Campo, a ser realizado nesta quarta-feira, 06 de outubro, em Goianésia (GO), das 8h às 16h. O evento, organizado pela Usina Jalles Machado em parceria com o Programa Cana IAC, oferecerá outras palestras e visita ao campo da Usina.
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A Jalles Machado é uma das cem empresas parceiras do IAC nas pesquisas com cana-de-açúcar. A adoção das tecnologias IAC ampliou a produção da Usina em cerca de 15%. Das variedades plantadas pela Jalles, cerca de 20% são do Instituto Agronômico.
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De acordo com Landell, o IAC está à frente não só no desenvolvimento de variedades, mas também nos estudos com tolerância à seca, com projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Estamos perseguindo os mecanismos de tolerância à seca para usá-los no melhoramento genético”, diz o coordenador do Programa Cana IAC. O Instituto Agronômico tem as principais pesquisas nessa área e tem atraído o interesse de multinacionais. O projeto multidisciplinar envolve estratégia integrada de melhoramento genético incluindo, além da tolerância à seca, aspectos ligados à fisiologia, fitopatologia, entomologia, pedologia, fertilidade, adubação, climatologia e matologia.
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O déficit hídrico mais pronunciado durante todo o ciclo de produção da cana é o que diferencia Goiás e o Triângulo Mineiro das condições paulistas. Para se ter ideia da relevância dessa característica, a deficiência hídrica pode comprometer a produtividade e gerar prejuízos de até 60%, dependendo da
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intensidade e do estado de desenvolvimento da cultura. Daí a necessidade de a ciência desenvolver pacote tecnológico específico para a localidade. “Nos últimos 15 anos temos aprendido muito sobre o cerrado, percebemos que a estratégia de produção não poderia ser a mesma utilizada em São Paulo, vimos que precisaríamos selecionar variedades aperfeiçoadas para aquela região”, afirma.
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Em campos paulistas, as variedades são diferentes, as condições climáticas são mais amenas e o déficit hídrico não é tão acentuado, segundo Landell. “Algumas variedades que se destacavam em São Paulo tinham performance pífia no cerrado”, diz.
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Na palestra, o pesquisador irá comentar as observações feitas sobre o desempenho de cada variedade nas condições do cerrado. As que mais se destacam são: IACSP 955000, IAC 911099, IACSP 942101, IACSP933046, IACSP 942094 – todas essas são adaptadas à canavicultura moderna, que envolve a colheita mecânica crua. Landell ressalta também a primeira variedade plantada no cerrado – a IAC 873396 – que continua sendo plantada. “Hoje elas são bastante difundidas e estão sendo cultivadas em todas as usinas.” A expectativa é que as três novas variedades IAC, lançadas em setembro passado, também apresentem ótimos resultados nas condições de deficiência hídrica.
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O pesquisador esclarece, porém, que o bom desempenho não está vinculado somente às variedades, mas ao conceito de produção, que envolve, além de variedades, ambiente de produção, época de plantio e de corte. “Trata-se de uma estratégia para produzir melhor”.
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Em sua palestra também serão abordados aspectos de manejo e o conceito de matriz de ambiente, que se comprovou eficaz nessas condições. “É possível alocar a cana e reduzir o déficit hídrico no ciclo da cana cultivada”. Landell abordará também a época de plantio e de corte. “Concluímos que no cerrado deve-se retardar o plantio”, diz.
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Depoimento
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“Felizmente as variedades mais adaptadas para o cerrado baiano são variedades do IAC (...) não por menos, ele (o IAC) está entre os órgãos de pesquisa da cultura no Brasil que está há mais tempo no cerrado e com grande tecnologia e dedicação.” Mário Josino Meirelles, engenheiro agrônomo
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“Precursor e apaixonado por cana-de-açúcar”, como se define o engenheiro agrônomo Mário Josino Meirelles, natural de Ribeirão Preto e produtor de cana nesta região há 25 anos, está na Bahia desde 1984. Ele relata que, em 2005, com a cultura da cana-de-açúcar em expansão no cerrado, resolveu procurar o IAC. O objetivo era criar opções para diversificar o parque agrícola baiano. Marcos Guimarães de Andrade Landell, diretor do Centro de Cana do IAC, viajou, então, juntamente com o diretor do IAC à época, Orlando Melo de Castro, para o cerrado do Oeste da Bahia. Naquele período, Meirelles era diretor executivo de uma fundação ligada à pesquisa, que iniciou um convênio com o IAC, resultando em pesquisa em canavicultura no Oeste Baiano. “O Oeste da Bahia é a única região do Brasil onde a pesquisa veio à frente dos plantios comerciais”, diz.
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Meirelles comenta que lá já foram quebrados dois paradigmas em relação à produção agrícola. “Primeiro foi com o café, que hoje temos a maior média nacional, e o segundo foi com o algodão, com a maior produtividade do Brasil e a melhor qualidade de fibra média e longa”, afirma. “Com a introdução da cana-de-açúcar, talvez quebrássemos o terceiro, pois a produtividades que estamos obtendo nos experimentos é fantástica”.
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“Nosso início junto ao IAC e à Usina Jalles Machado, de Goianésia, nos ajudou muito, pois trouxemos muito materiais genéticos de Goianésia, porque era mais próximo da região. O restante do material veio de Ribeirão”, relata.
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SERVIÇO:
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3º Dia de Campo
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Data: 06 de outubro de 2010.
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Horário: das 8h às 16h.
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Local: Goianésia – GO – o encontro terá início na Câmara Municipal de Goianésia (Avenida Mato Grosso, número 73, Setor Universitário) e terminará com visita ao campo da Usina Jalles Machado.

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