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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
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O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, lançou três novas variedades de cana-de-açúcar com alta eficiência em produtividade e teor de sacarose. O lançamento foi feito em setembro de 2010, no Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, interior paulista. No mesmo evento, foram inaugurados o Laboratório de Biotecnologia, que amplia a capacidade de pesquisa da unidade e também a formação de recursos humanos, e a primeira Câmara de Fotoperíodo do Brasil para hibridação da planta, já em funcionamento no Centro de Cana.
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Avaliadas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Tocantins, as três novas variedades — IACSP95-5094, IACSP96-2042 e IACSP96-3060 — apresentam vantagens na produção de biomassa em relação à maioria dos materiais em uso, de acordo com o pesquisador e diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell. “Entre produtividade de biomassa e teor de sacarose as novas variedades estão produzindo 10% a mais que as usadas na primeira metade desta década”, diz. Esse ganho pode chegar aos 30% se os produtores explorarem o potencial desses materiais, associando-os aos ambientes de produção adequados.
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Landell comenta que as variedades modernas são desenvolvidas com foco em regiões e períodos de safra específicos, o que significa que cada variedade tem seu desempenho ampliado se cultivada nas condições de solo e clima e para o período para as quais foi melhorada.
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Segundo o pesquisador, o aumento da produção reflete na viabilidade econômica do negócio e na sustentabilidade ambiental, pois quando se amplia a margem de lucro, em geral, há repercussão no capital verde.
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Essas três variedades têm perfil para atender também aos critérios agroambientais e à demanda atual da agroindústria. A IACSP95-5094, IACSP96-2042 e IACSP96-3060 adequam-se ao plantio mecânico e à colheita mecânica crua, dispensando a queima. A IACSP95-5094 e IACSP96-2042 têm adaptação muito boa à região do cerrado e trazem a perspectiva de otimizar a produtividade nas regiões secas, antes ocupadas por pastagens. A IACSP96-3060 tem longo período de utilização, característica que contribui na logística da cadeia de produção por flexibilizar o período de colheita. Apresenta também excelente resposta em área orgânica. “Os três materiais são excelentes, cada um é otimizado em condições mais específicas, de acordo com o perfil regional”, diz.
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“Estas novas variedades serão acrescidas ao arsenal tecnológico já existente e que faz da canavicultura brasileira a mais competitiva do mundo”, avalia o líder do Programa Cana IAC.
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É uma contribuição de caráter nacional, reforçada pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada este mês, que revela que a cana-de-açúcar alcançou, em 2009, sua maior participação na matriz energética brasileira, nos últimos sete anos. De acordo com o pesquisador, o IAC já está trabalhando para selecionar biotipos que atendam à indústria da biomassa da cana do futuro.
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“Todas as três variedades têm os teores de sacarose elevados frente aos padrões dos materiais de elite presentes em áreas comerciais e mantêm os ganhos de produtividade conquistados na última década”, avalia. Atualmente, em média, cada tonelada de cana processada na indústria possibilita produzir 120 quilos de açúcar ou 90 litros de etanol.
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As novas variedades
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IACSP95-5094: adequada para o período de maio a setembro, adaptada a solos de média fertilidade quando colhida em início de safra e com perfil responsivo quando colhida no período de inverno. Apresenta alto teor de sacarose e elevado potencial produtivo. Avaliada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Tocantins.
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IACSP96-2042: adequada para o período de julho a novembro, quando apresenta elevada sacarose. Adapta-se muito bem à região de cerrado. Avaliada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Tocantins.
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IACSP96-3060: variedade com período de utilização industrial longo. Pode ser colhida de abril a outubro, adaptada a solos de média fertilidade em todo esse período. Apresenta elevadíssimo teor de sacarose e elevado potencial produtivo. Avaliada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Tocantins.
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Programa Cana IAC
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O Programa Cana IAC é um dos maiores programas brasileiros de desenvolvimento de variedades. São 20 variedades de cana que foram lançadas nos últimos oito anos, sendo 19 para uso industrial e uma para fins forrageiros. A área experimental do IAC, em Ribeirão, tem um centro de pesquisa de quase 200 hectares – um laboratório a céu aberto, com campos de experimentação. Há modernos laboratórios e a primeira câmara de fotoperíodo do Brasil. As pesquisas dispõem também de um jardim varietal que reúne diversas plantas, dentre elas, a primeira variedade de cana que chegou ao Brasil, em 1532 (segundo alguns pesquisadores, outros indicam datas anteriores). O Programa Cana IAC conta, desde junho de 2009, com a Estação de Hibridação de Cana-de-açúcar, em Uruçuca/Ilhéus, na Bahia, que contribui para agilizar os trabalhos de melhoramento realizados.
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O Programa Cana IAC tem estrutura para gerar cerca de 400 mil seedling, por ano, por campanha de hibridação. Esta campanha é feita uma vez ao ano porque a hibridação depende do florescimento da planta, que é anual. Desse universo, após 12 anos, aproximadamente, de pesquisas, chegam-se a três novas variedades.
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Centro de Cana do IAC tem primeira câmara de fotoperíodo do Brasil
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Equipamento proporciona clima adequado para floração da cana, estágio fundamental no desenvolvimento de variedades. Estudos inéditos serão desenvolvidos a partir da nova tecnologia
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Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
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O clima bahiano reproduzido no Estado de São Paulo. E se a Bahia é símbolo de axé, as terras paulistas são lembradas também por energia. Mais especificamente, agroenergia. E para agilizar as pesquisas científicas destinadas a aprimorar a produção da cana-de-açúcar é necessário um equipamento capaz de reproduzir no estado líder em canavicultura as condições ideais de temperatura e luz. Com o objetivo de tornar mais eficazes as pesquisas com melhoramento genético da planta que dá origem ao etanol, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) passou a ter, em 2010, a primeira câmara de fotoperíodo automatizada do Brasil.
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Com investimentos da FAPESP, a câmara de fotoperíodo permite manter as plantas em temperaturas que não extrapolem o intervalo de 18º a 31º C — condição ideal para o florescimento da cana-de-açúcar. A partir das flores, extrai-se o pólen utilizado no cruzamento de materiais destinados à obtenção de variedades superiores às já existentes no mercado. Até então, o IAC vem fazendo esse trabalho na Bahia, onde há dias e noites quentes. Em Ribeirão Preto, onde funciona o Centro de Cana do IAC, os dias são quentes, mas as noites frias esterilizam o grão de pólen.
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Um dos principais benefícios trazidos pela câmara é a viabilização de uma experimentação impossível de ser obtida de forma natural: com essa tecnologia, será viável fazer cruzamentos de variedades que florescem em épocas diferentes do ano. Isso porque — naturalmente — as plantas florescem em períodos próximos, impossibilitando o cruzamento de variedades com floração em meses distantes um do outro. Trata-se do sincronismo de floração, segundo o pesquisador Maximiliano Salles Scarpari do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “Por meio do controle da luz e temperatura, vamos induzir estímulo à planta, assim variedades diferentes terão flores no mesmo momento, permitindo o cruzamento, que em condições naturais não é viável”, explica. Até então, o Brasil — maior produtor mundial de cana — vinha tendo os cruzamentos limitados pela condição natural. Essa realidade passa a mudar com a primeira câmara instalada no Centro de Cana do IAC.
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De acordo com Scarpari, outro benefício que chega com o funcionamento da câmara está na viabilização do estudo da fisiologia da floração, área da pesquisa que precisa ser intensificada no Brasil. “Teremos respostas que poderão trazer outros ganhos”. Ele explica que no dia a dia da pesquisa, durante o florescimento natural das plantas, não é possível fazer esse estudo minucioso da floração porque a própria atividade do cruzamento requer a atenção e o tempo dos pesquisadores.
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A câmara traz ainda um terceiro avanço para a ciência — permite pesquisa sobre nutrição mineral relacionada à floração. Segundo Scarpari, sabe-se que o excesso de nitrogênio pode atrasar a floração. Mas são dados da Austrália. “O Brasil, apesar de ser o maior produtor de cana, tem poucas informações geradas aqui no País”, diz.
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Porque ampliar a variabilidade genética
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Com mais essa ferramenta de pesquisa, o objetivo é aumentar a variabilidade de cruzamentos e, consequentemente, ampliar o oferecimento de diversidade genética. O grande número de variedades disponíveis para cultivo é fundamental para a sustentabilidade do setor sucroalcooleiro. Daí a importância de a pesquisa se apoiar em recursos que expandam a heterogeneidade. Nos últimos anos, o IAC lançou 19 variedades de cana para fins industriais. Esse conjunto, somado a materiais de outras instituições, atribui aos canaviais grande diversidade genética, perfil que protege o setor de eventuais problemas fitossanitários. Isso porque, em caso de pragas e doenças, apenas uma parte da lavoura seria atingida, pois na diversidade encontram-se variedades suscetíveis, tolerantes e resistentes às ocorrências.
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Graças às pesquisas científicas, no Brasil, no máximo 15% do total das áreas plantadas reúnem uma mesma variedade. Para se ter uma ideia do avanço brasileiro, no México há concentrações em torno de 55%. Isso significa que em caso de doença, mais da metade do canavial pode ser prejudicado. Essa carência de variedades levou o México a firmar parceria de transferência de tecnologia com o Instituto Agronômico. E os materiais IAC têm apresentado resultados positivos em solos mexicanos.
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Como funciona a câmara
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Na câmara, o tratamento fotoperiódico mantém as condições ideais de temperatura e luz para o florescimento da planta. A partir da flor, serão feitos cruzamentos genéticos que resultarão, ao final, em novas variedades de cana-de-açúcar. Sistema computadorizado controla três suportes que comportam 70 vasos de plantas cada um. Automaticamente, esses apoios se movimentam para a área externa do prédio onde está instalada a câmara para expor as plantas ao sol. No instante em que a temperatura passa do programado, os suportes são automaticamente recolhidos para a área interna, onde a temperatura é ideal.
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O ganho de tempo e eficiência nas pesquisas requer investimentos constantes em infraestrutura e recursos humanos. No Centro de Cana do IAC, o próximo passo esperado pela equipe é a instalação de uma sala de cruzamentos com temperatura e umidade controladas para a obtenção de sementes de qualidade. Novos projetos serão apresentados junto a agências de fomento com essa finalidade.
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