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Instituto Agronômico apresenta novidades na Agrishow 2010 – arroz, milho e batata\r\n
Feira segue até o dia 30 de abril.
Por Carla Gomes (MTb 28156) - Assessora de Imprensa – IAC
Fernanda Domiciano e Luan Antunes – estagiários
O alimento que é paixão nacional, consumido diariamente pelos brasileiros, chega para ampliar oportunidades na cadeia produtiva do arroz agulhinha. As quatro variedades desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, expostas na Agrishow 2010 destacam-se por terem alta produtividade e exigirem menor utilização de defensivos agrícolas, além do elevando rendimento de grãos inteiros na indústria — o que valoriza o produto na comercialização. Os materiais ainda facilitam a colheita, devido à arquitetura moderna. Somado, esse pacote tecnológico deve engordar os rendimentos dos rizicultores. A expectativa é que essas opções geradas pelo IAC, Instituto da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, estimulem o cultivo da gramínea em São Paulo – Estado que é o maior consumidor desse integrante da dupla mais presente na mesa nacional – o bom e velho arroz com feijão. O cultivo em lavouras paulistas beneficiaria, sobretudo, a logística do agronegócio do arroz, com a possível redução de custos da etapa industrial e, em tese, o preço para o consumidor final. Duas das variedades são novidades, e estão em fase de registro, a IAC 2005 e a IAC 1829. As outras duas expostas na Feira — IAC 201 e IAC 202 — já são conhecidas e cultivadas pelos produtores em todo o Brasil e até mesmo em outros países, como a Bolívia. A Feira acontece de 26 a 30 de abril, em Ribeirão Preto.
Em experimentos no Estado de São Paulo, as variedades IAC 1829 e IAC 2005 apresentaram produtividade de 6.686 e 6.408 kg, por hectare, respectivamente, em condições irrigadas. “Mesmo entre as variedades com irrigação, a produtividade da IAC 1829 e 2005 são superiores, já que a média é de 6 mil quilos por hectare”, diz Regitano. A explicação para essa característica tão benéfica para o produtor é a capacidade que essas plantas têm de responder à adubação nitrogenada, feita na fase de crescimento das plantas, estimulando a produtividade. ”A IAC 202 foi bem, com produção crescente até a aplicação de 100 kg de nitrogênio por hectare”, diz José Guilherme de Freitas, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
A IAC 1829 têm bom nível de resistência à brusone e a IAC 2005 tem resistência moderada à principal doença da rizicultura. Segundo Regitano, esse nível de resistência pode diminuir, já que o fungo consegue, com o passar do tempo, encontrar linhagens mais suscetíveis. “Daí a necessidade de se investir no melhoramento genético das variedades, possibilitando que o produtor tenha opções para alternar as variedades de arroz de sua propriedade”, afirma.
De porte intermediário a baixo e folhas eretas, a IAC 1829 e IAC 2005 têm a colheita feita de maneira mais fácil, já que permite que os cachos de arroz não acamem, melhorando muito a capacidade das máquinas. “Essa arquitetura permite também que a semeadura seja feita em linhas mais próximas, possibilitando que mais sementes sejam plantadas no mesmo espaço e que o solo fique menos exposto ao sol, baixando a incidência de plantas daninhas”, avalia. Essa característica é relevante para o resultado final da lavoura porque plantas invasoras competem em água e nutrientes com a cultura. Além disso, com menor infestação, reduz-se, consequentemente, a necessidade de uso de defensivos agrícolas.
As vantagens não param por ai. A IAC 2005 é uma opção para os agricultores que tiveram que atrasar o plantio do arroz, devido à falta de chuvas, por exemplo. Isso porque o ciclo da variedade é curto – 110 a 120 dias. “Isso faz com que a fase de enchimento de grãos ocorra antes da chegada das baixas temperaturas do inverno”, explica Regitano.
São Paulo é o Estado onde mais se consome arroz. Porém, muito do que se consome aqui, vem de outras regiões, como Rio Grande do Sul. “A alternativa para que essa situação comece a mudar, é incentivar o cultivo de arroz em terras altas, já que é a característica da maioria das terras paulistas disponíveis”, ressalta o pesquisador. Ele acredita que pela dimensão do mercado consumidor, com uma boa capacidade industrial instalada e oferecendo sempre ótimas variedades, o arroz se torna uma cultura com boas perspectivas para os produtores. “O melhorista tem que estar atento ao que o produtor precisa. As variedades IAC são ótimas opções para os agricultores paulistas que queiram investir no arroz, já que o seu lucro é quase certo”, afirma Regitano.
Arroz paulista na Bolívia
As outras duas variedades IAC que também podem ser vistas pelo público da Agrishow — a IAC 201 e IAC 202 — já são conhecidas pelos agricultores há mais de dez anos. Mesmo não sendo novidade, os materiais têm características extremamente atrativas para a indústria: produtividade elevada, boa quantidade de grãos inteiros, translúcidos e pontiagudos. Essas qualidades levaram as variedades IAC a ultrapassar barreiras e chegar à Bolívia, onde são cultivadas em parceria com o IAC, desde 2005.
O potencial produtivo das variedades com irrigação chega a 6.356 kg por hectare, com a IAC 202, e a 4.963, com a IAC 201. A qualidade industrial — relacionada ao rendimento de grãos inteiros no beneficiamento — alcança um rendimento de 62% e 58%, respectivamente, nessas variedades. “Ressalta-se que a qualidade industrial reflete na comercialização do produto e no ganho do rizicultor, já que o preço da saca pode sofrer um deságio em função da qualidade do arroz”, destaca o pesquisador do IAC. Ele explica que os grãos inteiros garantem o bom aspecto visual do produto, indispensável para a ampla aceitação no mercado. “Para que os grãos tenham essa boa produtividade industrial é preciso que sejam translúcidos, um sinal de que a planta não sofreu estresse hídrico, ou seja, não faltou água durante sua produção”, diz Regitano.
As quatro variedades IAC expostas na Agrishow foram desenvolvidas para plantio em terras altas. Esse perfil beneficia regiões como o Estado de São Paulo. Isso porque, apesar de apresentar menor potencial de produção que o arroz inundado, o cultivo em terras altas pode ser feito na maioria das regiões paulistas, diferentemente do outro modo de plantio, que precisa ser cultivado em áreas de várzea, localizadas principalmente no Vale do Paraíba e Vale do Ribeiro. “Essas regiões já estão ocupadas e as áreas que ainda restam em outros locais estão sob proteção ambiental”, lembra Amadeu Regitano.
Outra novidade em grãos
Híbrido de milho pipoca tem produtividade superior e maior capacidade de estouro
O IAC levará também expor ao público do Agrishow dois novos híbridos de milho pipoca, o IAC HT 05 e o IAC HT 06. Esses dois materiais apresentaram produtividade média 22% superior ao do mais recente híbrido, o IAC 125. Nos ensaios de 2008/09, o híbrido IAC HT 05 apresentou produtividade média de 4.914 kg/ha e capacidade de expansão da pipoca de 45,3 ml/g — o IAC 125 apresenta 43,9 ml/g. A cada dez gramas esse híbrido tem 70 grãos. O IAC 125 tem 66. Esse resultado é exatamente o que norteia as pesquisas agrícolas em melhoramento genético: o objetivo é que os novos materiais sejam sempre superiores aos já desenvolvidos.
O IAC HT 05 tem altura média da planta de 2,24 m e ciclo até 65 dias. “Em comparação ao IAC 125, além de mais produtivo, o IAC HT 05 tem porte um pouco mais alto, é mais tardio, com grãos menores e com a capacidade de expansão um pouco maior”, resume Eduardo Sawazaki, pesquisador do IAC. Segundo ele, o novo híbrido apresenta maior tolerância às doenças foliares que o IAC 125 e produtividade de sementes que pode chegar a 3 ton/ha. Esse híbrido está sendo desenvolvido em parceria com a empresa de sementes FTR, do grupo Videiras. De acordo com Sawazaki, a empresa produziu um campo piloto em 2009/10 e está avaliando esse material no plantio de safrinha no Mato Grosso.
Híbrido de milho pipoca experimental IAC HT 06
Outro novo híbrido é o IAC HT 06 – este tem maior capacidade de expansão da pipoca: 46,8 ml/g. Nos ensaios de 2008/09, apresentou produtividade média de 4.669 kg/ha – 15% superior ao IAC 125 e maior qualidade da pipoca, tendo o mesmo tamanho de grãos. Em cada 10 gramas rende 66 grãos de cor laranja forte, tem altura média da planta de 2,17m e ciclo até florescimento de 65 dias. Apresenta a mesma produtividade de sementes que o IAC HT 05. Segundo Sawazaki, esse híbrido está sendo desenvolvido em parceria com a empresa Produtora Comercial Nascente, que está avaliando esse material em plantio de safrinha no Estado do Paraná.
Novas batatas IAC são adequadas para produção industrial de chips e uso culinário
Os visitantes da Agrishow poderão ver e obter informações sobre as variedades de batata IAC. Dentre as expostas estão dois novos materiais que ainda serão lançados — a IAC Ibituaçu e o Clone IAC 2.5. De polpa creme, a IAC Ibituaçu tem excelente qualidade culinária para processamento industrial e produção de rodelas fritas, as conhecidas Chips. Na cozinha do brasileiro ela serve bem para fazer salada, purê e as tradicionais fritas. Para os agricultores, os atrativos estão no alto potencial produtivo, mesmo em ambientes de alta umidade e temperaturas amenas. Tem alta resistência à requeima, à pinta preta e ao vírus do enrolamento da folha, além de tolerância às principais viroses regulamentadas. A IAC Ibituaçu tem bom potencial para plantio tanto no sistema de produção convencional, como no orgânico.
Outro novo material que estará na Agrishow antes mesmo do lançamento pelo Instituto Agronômico é o Clone IAC 2.5, que tem potencial produtivo muito alto e alta resistência à requeima e pinta preta. É também tolerante às principais viroses regulamentadas. De polpa creme, tem aptidão culinária para fazer purê, saladas e fritas.
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