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São Paulo lança cultivar de abacaxi - IAC Fantástico - para substituir cultivares em uso no Brasil
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Uma nova cultivar de abacaxi – o IAC Fantástico – foi lançada, no dia 14 de janeiro, às 9h30, em Jundiaí (SP), pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Desenvolvida pelo Centro de Recursos Genéticos Vegetais do IAC, é resistente à fusariose (ou gomose), principal doença da cultura no Brasil, além de ser uma planta mais produtiva e vigorosa. Não tem espinhos nas folhas, tem fruto de tamanho mediano a grande, formato intermediário entre “Smooth Cayenne” (seu “avô”) e “Pérola” (cultivares comerciais mais utilizadas no Brasil), polpa doce (brix médio > 16º), pouco ácida e de coloração amarelo intenso. É saborosa e excelente para o consumo in natura, mas também pode ser industrializada.
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\r\n“A nova cultivar poderá substituir com vantagem as cultivares comerciais em uso atualmente”, dizem os pesquisadores Ademar Spironello e Walter José Siqueira, coordenadores do projeto de pesquisa que gerou a nova cultivar. No desenvolvimento da IAC Fantástico, eles tiveram o apoio dos pesquisadores José Alfredo Usberti Filho, Joaquim Teófilo Sobrinho, Cássia Regina Limonta Carvalho e José Emilio Bettiol Neto (também do IAC); Antonio Lúcio de Melo Martins (Polo Centro-Norte/APTA), José Maria Monteiro Sigrist (Instituto de Tecnologia de Alimentos - ITAL); e Josiane Takassaki Ferrari e Iêda M. Louzeiro (Instituto Biológico - IB).
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\r\nDesenvolvimento de mudas
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\r\nAté 2012, estarão disponíveis, em qualquer quantidade, exclusivamente mudas oriundas de cultura de tecidos, produzidas em condições controladas em laboratório, dizem os pesquisadores do IAC. “Dessa forma, elas são desenvolvidas a partir de gemas laterais e apicais da haste de plantas matrizes e das mudas naturais produzidas por ela. A cultivar IAC Fantástico é mais sensível aos tratamentos com fito-hormônios utilizados nos meios de cultura para micropropagação em laboratório, podendo produzir no primeiro ciclo de 5% a 10% de plantas que não florescem e não frutificam.”
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\r\nDe outro modo, ocorrem plantas com aumento da taxa de propagação de mudas, fato positivo para posterior estabelecimento comercial da nova cultivar, prosseguem os pesquisadores do IAC. “As plantas que não frutificam, assim como as demais, podem ser multiplicadas por seccionamento da haste. Nestes dois casos, as mudas devem ser plantadas separadamente. Nos ciclos seguintes de multiplicação ou plantio comercial de muda natural, as plantas produzem frutos e mudas normais.”
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\r\nSegundo os pesquisadores, as mudas adquiridas em laboratório (em torno de 7 cm) devem ser plantadas diretamente em canteiros ou em saquinhos/laminados, para desenvolvimento, até atingir o tamanho para plantio ou época a ser plantada no campo. Nessa ocasião, serão disponibilizadas instruções para o desenvolvimento e a multiplicação das mudas.
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\r\nMudas naturais (produzidas no campo)
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\r\nAs mudas naturais produzidas pela planta, para multiplicação ou pequenas produções no campo, poderão estar disponíveis a partir de 2013, ainda que em pequenas quantidades, informam os pesquisadores do IAC. “A expectativa de obtenção de frutos maduros para as condições do Estado de São Paulo está em torno de 18 meses e de mudas naturais para plantio, em cerca de 20 meses. Estas permanecem na planta após a colheita dos frutos para atingir o tamanho e a época de plantio desejado. Para o Estado, a melhor época de plantio vai de fevereiro a abril. Entretanto, podem ser plantadas antes, desde o início do período chuvoso (outubro) até janeiro.”
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\r\nQuanto às mudas grandes (acima de 150 g), as plantas poderão induzir o florescimento naturalmente (sem indutores químicos) em percentuais variados conforme o clima e ter os frutos, provavelmente menores, amadurecidos no fim do ano seguinte (cerca de 12 meses do plantio), explicam os pesquisadores do IAC. “No caso de mudas pequenas, não deverá haver florescimento natural nesse período e a indução natural, ou a artificial (indutor químico - ethefon), proporcionará frutos maduros em cerca de 24 meses após o plantio. No caso de mudas muito pequenas (menos de 40g), o melhor é plantá-las em viveiro ou em saquinhos com substrato e levá-las para o campo no período normal, depois de desenvolvidas.”
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\r\nBreve histórico
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\r\nA nova cultivar é fruto do programa de melhoramento genético do abacaxizeiro, iniciado pelo IAC em 1991, relatam os pesquisadores. A obtenção do híbrido IAC Fantástico ocorreu em duas etapas. Primeiramente, fez-se o cruzamento (ou hibridação) da variedade brasileira Tapiracanga (TP), escolhida como mãe, com a cultivar comercial Smooth Cayenne (SC), escolhida como pai. Foram retirados desta cultivar (com características já relatadas) os grãos de pólen das anteras das flores que formam a inflorescência e levados para o estigma da flor da variedade escolhida como mãe (polinização). Houve a fertilização nos óvulos, formando as sementes. Estas foram germinadas em condições controladas e as plantas obtidas foram desenvolvidas até o plantio no campo. Neste local, cresceram até a formação da inflorescência que se transformou em infrutescência (fruto). As plantas e os frutos foram avaliados, destacando-se o híbrido TP x SC n.º 2.
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\r\nNa segunda fase do trabalho, foram retiradas sementes desse híbrido e desenvolvidas as plantas que, após seleção para ausência de espinhos nas folhas e resistência à fusariose, foram para o campo. A polinização foi feita, portanto, naturalmente por meio de insetos, pássaros ou vento (polinização aberta). Não foi possível, então, conhecer o genitor masculino, mas apenas a genitora feminina e seus “avós” (TP e SC). Uma das plantas foi selecionada, em dezembro de 1999, por suas características excepcionais de planta e fruto, sendo denominada de “Fantástico”.
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\r\nAs mudas produzidas por essa planta (mudas naturais) foram desenvolvidas no campo para multiplicação. Ao mesmo tempo, as gemas da coroa (do fruto selecionado) e da haste da planta foram multiplicadas em laboratório por cultura de tecidos e também desenvolvidas. Desse modo, foram obtidos indivíduos geneticamente idênticos. As mudas obtidas foram utilizadas em sucessivos cultivos para avaliações e experimentações de competição com as cultivares comerciais e testes para verificação de resistência à fusariose por meio de três ensaios, inoculando-se nas mudas o fungo causador da doença. O híbrido IAC Fantástico mostrou-se resistente.
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\r\nAs fotos da nova cultivar IAC Fantástico estão disponíveis em www.flickr.com/agriculturasp.
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\r\nAssessoria de Comunicação da APTA
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\r\nJosé Venâncio de Resende
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