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Prêmio “Profissionais do Ano” vai para pesquisador do IAC da área de cana
Entrega será neste 11 de dezembro, em Ribeirão Preto.
Por Carla Gomes (MTb 28156) - Assessora de Imprensa - IAC
“Esses prêmios são indicativos do reconhecimento do setor ao trabalho do IAC”, diz o agraciado Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que receberá neste 11 de dezembro, em Ribeirão Preto, o prêmio “Profissionais do Ano”, na categoria Engenheiro Agrônomo do ano 2009. O prêmio é oferecido pela Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP), que há 30 anos homenageia profissionais que se destacam nessas áreas de atuação. “Esta é uma boa oportunidade para reconhecer o quanto o IAC nos projeta profissionalmente. Não tenho dúvidas nenhuma, que todo o esforço e dedicação teria uma menor repercussão não fosse a minha instituição”, diz Landell, que está no IAC desde 1982, sempre trabalhando com cana-de-açúcar.
Em outubro deste ano, outro reconhecimento do trabalho – o Programa Cana IAC, liderado por Landell, foi agraciado com o Prêmio Mastercana, na área de Tecnologia. O Programa Cana IAC tem atualmente 707 campos experimentais, aproximadamente, em dez Estados brasileiros. Outro prêmio foi o Master Cana Centro-sul 2009.
Landell faz questão de salientar que esses reconhecimentos são frutos de um trabalho em equipe, liderada por ele. “Pouco conseguiria realizar se não contasse com uma equipe de excelência como a do Programa Cana IAC. Portanto, o mérito não é unicamente meu, mas do grupo que me acompanha e representa tão bem a nossa Instituição pelo Brasil inteiro”, diz. E a equipe está mesmo em vários pontos do País. Os experimentos com novas variedades de cana e tecnologias de produção estão em Goiás, Bahia, Tocantins, Paraná, Pará, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — além de São Paulo. Nessas regiões, as parcerias com o setor privado têm contribuído para ampliar a adoção de tecnologias IAC e, assim, regiões não tradicionais em canavicultura têm apresentado resultados semelhantes aos obtidos nos canaviais paulistas.
O Programa Cana IAC lançou, em 2007, o conceito de matriz de ambientes, que considera a interação de dois fatores — solos e época de colheita — como primordiais na definição do potencial de produção da cana-de-açúcar. A aplicação do conceito matriz influencia a alocação de variedades e também a época de colheita em solos mais restritivos, principalmente em ambientes originalmente de Cerrado que apresentam importante déficit hídrico.
Desde 2006, uma usina parceira do IAC, em Goianésia, adotou esse conceito em suas áreas de produção e os primeiros resultados positivos foram colhidos este ano, com ganhos de produtividade de 15%. Landell, que também é diretor do Centro de Cana do IAC, avalia que esse conceito talvez tenha sido uma das principais contribuições do Programa Cana IAC ao setor sucroalcooleiro. “A partir da adoção mais ampla desse modelo de produção estimamos que ocorram ganhos significativos em áreas de produtores da região de Cerrado”, diz.
O Programa Cana IAC é um dos maiores programas brasileiros de desenvolvimento de variedades. Conta com uma rede de pesquisa sustentada em parte por instituições privadas. Até hoje, 17 variedades de cana foram lançadas, sendo 16 para produção de etanol e uma para fins forrageiros. A área experimental do IAC, em Ribeirão, tem um centro de pesquisa de quase 200 hectares – um laboratório a céu aberto, com campos de experimentação, incluindo um jardim varietal que reúne diversas plantas, dentre elas, a primeira variedade de cana que chegou ao Brasil, em 1532 (segundo alguns pesquisadores, outros indicam datas anteriores).
O respeito à pesquisa do IAC em diversos sotaques
Nascido em Campinas, Marcos Guimarães de Andrade Landell hoje vê seu trabalho florescer em quase todo o Brasil. Após quase três décadas empenhado nas pesquisas com cana, o pesquisador se surpreende com a receptividade e o respeito manifestados nos lugares onde realiza os experimentos — dentro e fora do Brasil. O México, há dois anos, iniciou um trabalho sob a coordenação do IAC e tem obtidos bons resultados. Para ele, as respostas nas diferentes regiões reforçam a satisfação pela dedicação à pesquisa.
Landell cursou agronomia na UNESP-Jaboticabal, onde fez também mestrado e doutorado. A vida profissional começou no IAC em 1982. “Tive a oportunidade de ser treinado por pesquisadores renomados”, lembra. No final da década de 80, seguiu para Ribeirão Preto, época em que a cidade estava se tornando o centro da principal região canavieira do Brasil, Landell iniciou um projeto de seleção regional de variedades de cana-de-açúcar para a agroindústria. No início dos anos 90, coordenava o trabalho que levaria a um novo desenho para pesquisa sobre cana-de-açúcar dentro do Instituto Agronômico. “Um organismo tão antigo como o IAC precisa de releituras para não ficar obsoleto”, comenta o pesquisador.
Hoje o Instituto tem uma rede de pesquisa com atuação em diferentes estados brasileiros, com o objetivo de colaborar com transformação do etanol em commodity – “nosso grande sonho”, diz Landell. Além do projeto de seleção de novas variedades para o México, o IAC tem contato com outros países, especialmente Oceania e Ásia, para que a canavicultura tenha suporte em outras nações e não fique reservada ao Brasil. Aliás, contribuir para que o etanol se torne commodity é um sonho do pesquisador. “Queremos participar do desenvolvimento do novo tipo de cana que será produzida no cenário que se desenha quando o etanol virar commodity.“ Com a experiência de trinta anos dedicados à pesquisa e a vivacidade de um iniciante, Landell trabalha exaustivamente no presente com olhos para o futuro. “Temos estudado o etanol de segunda geração, feito a partir do bagaço, da fibra. Para isso terá de haver uma nova indústria que processará essa matéria-prima, pois a cana também será outra”.
Outro sonho de Landell foi realizado há um ano: coordenar um livro completo sobre a cultura da cana-de-açúcar, juntamente com pesquisadores do Centro de Cana. O livro Cana-de-Açúcar foi lançado com a participação de outros dois colegas do IAC na coordenação. A obra tem 72 autores e 41 capítulos, um deles assinado por Landell. A obra terá versão em inglês, com previsão de lançamento para 2010/2011. “Vamos ver a obra chegar a outros países e colaborar para a inserção do etanol na matriz energética do mundo”, diz o cientista admirado no universo da ciência e do setor sucroalcooleiro por sua competência impar e habilidade para não perder seus valores em meio às tribulações do cotidiano. “Agradeço acima de tudo a Deus que tem me inspirado e me fortalecido no meu caminhar diário”, encerra.
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