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IAC realiza Curso Prático sobre Tecnologia de Aplicação em Frutas de Caroço\r\n
Evento acontece nesta quinta-feira, 8, em Jundiaí
Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
“Quando a barriga está cheia, goiaba tem bicho”. O ditado popular ilustra a falta de apetite frente a algo indesejável, como o fruto estragado. Por outro lado, imagine o que ocorre quando o ser vivo é impedido de desenvolver.... É mais ou menos esse o efeito que muitas doenças e pragas causam nas fruteiras. Destroem folhas, sugam a seiva e podem levar à morte da planta, além da presença desses agentes biológicos chamados bichos. Ninguém opta por perder. Se a perda for grande, menos ainda dá para imaginar uma ação intencional. E se os reflexos alcançarem várias áreas, aí o trauma é maior e certamente o resultado não foi desejado. Isso acontece, de maneira geral, na aplicação de defensivos agrícolas — situação em que as perdas de volumes aplicados variam de 30 a 70% e os prejuízos atingem o bolso do agricultor, a saúde do aplicador, o ambiente e o produto que chega ao consumidor. As inadequações nas aplicações de defensivos não são propositais. Decorrem sim do desconhecimento de produtores e trabalhadores rurais sobre o procedimento correto. Com o objetivo de levar tecnologia a esse público, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, irá realizar no dia 8 de outubro de 2009, das 8h às 17h30, o Curso Prático sobre Tecnologia de Aplicação em Frutas de Caroço. O evento será no Centro de Engenharia e Automação do IAC, em Jundiaí. O curso é direcionado a técnicos e produtores e a participação é gratuita.
Com foco em pêssego, nectarina, ameixa, nêspera, entre outras, a programação envolve a abordagem de pragas e doenças em frutas de caroço, resíduos de agrotóxicos em frutas, qualidade em equipamentos de proteção individual, uso correto e seguro desses equipamentos e tecnologia de aplicação de agrotóxicos.
De acordo com Hamilton Humberto Ramos, pesquisador do IAC responsável pelo curso, a tecnologia de aplicação de defensivos envolve a correta aplicação do produto na planta, em quantidade necessária – nem mais, nem menos -, e com o mínimo de contaminação de outras áreas, como o trabalhador, o ar, o solo e o lençol freático, além de pessoas — incluindo familiares dos rurais. “Uma aplicação segura é eficaz em função de um pulverizador de qualidade, bem regulado e operado por um profissional habilitado”, diz o pesquisador que coordena o Programa Aplique Bem, que treina trabalhadores diretamente nas propriedades rurais.
No evento serão abordadas as principais pragas e doenças em frutas de caroço e os obstáculos fitossanitários enfrentados pelos fruticultores. O pesquisador do IAC, José Emílio Bettiol Neto, irá apresentar informações sobre danos, controle e monitoramento das principais pragas e doenças, considerando as exigências de consumidores e a legislação que, por exemplo, veta a exportação de todo o lote de frutas no qual seja identificado pelo menos um exemplar contaminado pela mosca-das-frutas. Esta praga — que atinge grande gama de fruteiras e inviabiliza o comércio — será uma das abordadas no curso. “A larva danifica a polpa do fruto e o orifício de entrada provocado pela larva nos frutos se torna entrada para outras doenças e pragas”, explica Neto. No curso, serão enfocadas as formas de controle, que pode ser feito pelo uso de produto químico, de iscas ou pelo ensacamento dos frutos. A viabilidade desta última opção, segundo Neto, depende da extensão e condução do pomar.
O monitoramento será destacado como importante aliado dos fruticultores. No caso da mosca-das-frutas, é possível utilizar armadilhas feitas com garrafas pet. O pesquisador irá destacar a relevância de cuidados desde a implantação do pomar, em todas as fases da cultura, lembrando sempre que os problemas fitossanitários aumentam os custos de produção, além de ampliar também a mão-de-obra. “Existem agentes biológicos que levam ao declínio da planta em três ou quatro anos”, alerta.
Em diversas regiões de cultivo, inclusive no Circuito das Frutas, na região de Jundiaí, existe uma doença que merece atenção especial — é a podridão-parda, que ataca os pessegueiros e ameixeiras desde o florescimento até a pós- colheita dos frutos. “Os danos causados nos frutos inviabiliza o comércio tanto para o consumo in natura como para a indústria”, diz Neto. É a perda total do produto. Causada por uma espécie de fungo, a podridão-parda pode ser controlada por meio de podas e destruição das partes atingidas e do controle químico, que pode ser preventivo ou curativo, durante o ciclo produtivo. Neto destaca o tratamento de inverno bem feito como forma de minimizar os danos causados pela podridão-parda. O agente causador pode permanecer na planta ou no pomar de um ano para outro em partes infectadas da planta, hospedeiros e ferimentos diversos causados.
Em Jarinu, por exemplo, também no Circuito das Frutas, é a escaldadura-das-folhas que vem provocando grandes danos e erradicação de pomares de ameixa. Segundo Neto, a melhor alternativa de controle seria o desenvolvimento de variedades resistentes e/ou tolerantes à bactéria. Mas ele lembra que, enquanto a ciência gera novos materiais, as pragas e doenças, muitas vezes, se adaptam às novas condições e “quebram” a resistência gerada pela pesquisa, que requer anos para desenvolver e disponibilizar uma nova variedade. Ou seja, com o tempo, a planta volta sofrer os impactos. Por isso a necessidade da permanência e perseverança dos estudos, que envolve investimentos em recursos humanos e infra-estrutura.
Outro desafio está na ferrugem, que vitima especialmente pessegueiros e nectarineiras. A doença atinge as folhas, causando o desfolhamento precoce. De acordo com Neto, após a colheita, é recomendada a manutenção, por maior tempo possível, das folhas nas plantas para restabelecer a condição nutricional da planta anterior à produção e colheita dos frutos. “Se ocorre a ferrugem, a planta desfolha precocemente e a brotação pode iniciar em condições nutricionais e climáticas desfavoráveis às plantas”, explica Neto.
Segundo o pesquisador do IAC, a presença e danos causados por pragas e doenças dependem muito da área onde o pomar está instalado. No interior do Estado de São Paulo, nas regiões produtoras de grãos, por exemplo, há a ocorrência do gorgulho do milho. Esta praga se manifesta, principalmente, em regiões produtoras de grãos. Acredita-se que pela inexistência de locais onde há grãos armazenados e, principalmente, por não ter inimigos naturais, ela vem infestando e danificando áreas onde está começando a fruticultura no interior. O escolito é outra praga que também ocorre com maior freqüência em pessegueiros cultivados no interior paulista, de acordo com o pesquisador do IAC, instituto da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
Obstáculos diferentes são causados por nematóides, que alcançam as raízes das plantas e favorecem a entrada de pragas e doenças que podem resultar na morte da planta. Os porta-enxertos resistentes são uma forma de conviver com esses inimigos. O Instituto Agronômico tem opções de porta-enxerto que resistem a alguns desses nematóides. Pragas que danificam raízes e insetos sugadores de seiva também serão tema do evento.
Como aplicar corretamente os produtos químicos
O pesquisador Hamilton Ramos ressalta que a aplicação segura de defensivos agrícolas não é tarefa fácil. Requer conhecimento sobre a praga ou doença a ser controlada, o produto mais adequado, o momento preciso da aplicação, as condições de clima que influenciam no melhor aproveitamento do produto e a máquina usada. “Qualquer desses fatores que não for considerado ou for avaliado erroneamente será o responsável pelo insucesso ou pelos excessivos níveis de perda”, afirma.
Daí a necessidade de as instituições geradoras de conhecimento levá-lo de forma compreensível e prática aos usuários. É fundamental também o interesse de agricultores e trabalhadores em acessar as informações disponíveis e participar de eventos de transferência de tecnologia. A contribuição de outros grupos sociais, como associações, sindicatos e imprensa, é imprescindível nesse processo de superação das inadequações na produção de alimentos que chegam a todos os brasileiros.
O curso preparado pelo Centro de Engenharia e Automação do IAC envolve todos esses fatores relevantes para a aplicação segura e eficiente. Ramos comenta que em países como a Inglaterra os pulverizadores são considerados perigosos e por isso o trabalhador deve ser habilitado, exigência semelhante à autorização brasileira para dirigir veículos. No Brasil, há ações interessantes no sentido de melhorar a segurança, mas ainda há muito por fazer. “Imperam ainda no campo técnicas aprendidas com leigos e os profissionais da área têm pouco conhecimento para mudar a realidade”, diz Ramos.
Programação
8h30 – 10h 30 - Pragas e doenças em frutas de caroço
José Emilio Bettiol Neto - IAC
10h30 – 11h – intervalo
11h – 11h30 - Resíduos de agrotóxicos em frutas
Maria Aparecida Lima - IAC
11h30 – 12h - Qualidade em equipamentos de proteção individual
Viviane Corrêa Aguiar - IAC
12h – 14h – almoço
14h – 16h - Tecnologia de aplicação de agrotóxicos
Hamilton Humberto Ramos - IAC
16h – 17h30 - Uso correto e seguro dos equip. de proteção individual
João Batista de Almeida - IAC
SERVIÇO
Curso Prático sobre Tecnologia de Aplicação e Segurança em Frutas de Caroço
Local: CEA IAC, Rod D. Gabriel P. B. Couto, km 65 (marginal, ao lado da Femsa-Coca-Cola).
Data: 8 de outubro de 2009
Horário: das 8h às 17h30
Inscrições podem ser solicitadas pelo e-mail ppontes@iac.sp.gov.br .
Informações: 11-4582-8891
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