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Centro de Engenharia e Automação CEA do IAC inaugura laboratório de pós-colheita ao comemorar 40 anos

Nova unidade do IAC proporcionará o desenvolvimento de pesquisas em tecnologia pós-colheita de frutas, hortaliças e flores - as perdas pós-colheita podem atingir 30% ou mais da produção total.

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
O sucesso do agronegócio de frutas, hortaliças e ornamentais depende de conhecimento e de tecnologia para evitar que o lucro do produtor escorra por entre os dedos a cada vez que o consumidor reprova o produto na hora da compra. Perecíveis, essas espécies exigem cuidados de pré e pós-colheita para garantir maior tempo de prateleira e qualidade à altura da exigência dos clientes. Para realizar pesquisas na área de tecnologia, fisiologia e fitopatologia em pós-colheita de produtos agrícolas, novas instalações foram feitas no Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (IAC), em Jundiaí. Trata-se do Laboratório de Tecnologia de Pós-Colheita de Frutas, Hortaliças e Plantas Ornamentais, que será inaugurado durante as comemorações dos 40 anos Centro de Engenharia e Automação do IAC.
A obra, que faz parte de projeto apoiado pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), viabilizou a instalação do laboratório de pós-colheita de frutas, hortaliças e plantas ornamentais em Jundiaí, região que se destaca pela produção de frutas no Estado de São Paulo. As instalações possibilitam a realização de pesquisas, gerando ferramentas de fácil adoção pelo pequeno e médio produtor e também tecnologias de ponta com vistas à exportação.
O novo laboratório é de fundamental importância para apoiar o agronegócio desses produtos, considerados perecíveis por terem metabolismo ativo após a colheita, carecendo de cuidados especiais — desde o campo até a chegada ao consumidor. A qualidade e a vida útil de frutas, hortaliças e ornamentais estão relacionadas às etapas de manuseio, acondicionamento e transporte.
Segundo a pesquisadora do IAC, Patrícia Cia, as pesquisas que poderão ser realizadas no novo laboratório envolvem a avaliação de índices de maturação, estudo da fisiologia do amadurecimento de frutos e caracterização do comportamento do amadurecimento e do potencial de conservação de novas variedades. Também são estudados métodos de conservação, envolvendo refrigeração, embalagens, e atmosfera modificada/controlada, controle de doenças e estudo das principais causas de perdas.
Atualmente, pesquisas estão sendo desenvolvidas para se avaliar perdas quantitativas e qualitativas decorrentes de problemas na pós-colheita, suas alterações fisiológicas, a seleção e classificação, a avaliação de embalagens contentoras, e tecnologia pós-colheita, envolvendo estudos de conservação, controle de doenças, atmosfera modificada/controlada e armazenamento refrigerado. Esses trabalhos estão sendo financiados por agências de fomento (Fapesp e CNPq), Governo do Estado e iniciativa privada. Até o momento, estudos foram efetuados envolvendo as frutas: goiaba, mamão, uva, pêssego, nectarina, ameixa, maçã, marmelo, abacaxi e lichia; as hortaliças: alface, rúcula, agrião, brócolis, beterraba, batata, quiabo e morango; e as ornamentais: rosa, estrelitizia, helicônia, gerbera e folhagens.
Com o intuito de contribuir para o aumento de renda do produtor, serão estudados também aspectos do processamento mínimo de produtos, como meio de agregação de valor. “Além de atender à demanda dos produtores do Estado, esse laboratório dá suporte aos programas de pesquisa desenvolvidos no Instituto que necessitem de estudos em pós-colheita”, afirma a pesquisadora Juliana Sanches.
De acordo com a pesquisadora Silvia Antoniali, as pesquisas com o novo laboratório incluem também o estabelecimento de planos de orientação de manuseio dos produtos pós-colheita, tanto para o mercado interno como para as exportações. Nesse contexto, acredita-se que os problemas da tecnologia pós-colheita possam ser minimizados por meio da cooperação e comunicação efetiva entre pesquisadores e extensionistas. “O uso das informações técnicas disponíveis, muitas vezes, pode trazer soluções fáceis aos problemas existentes”, diz a pesquisadora Glaucia Dias.
A obra
A instalação desse laboratório contou com recursos de R$ 400 mil, repassados pela FINEP ao Instituto Agronômico (IAC). O valor envolve a reforma de um galpão de 160 m2 e a aquisição de equipamentos. Os recursos liberados viabilizaram a reforma do prédio que abriga as salas de cromatografia, de reagentes, de pesagem de material, de análises físico-químicas, além da sala de técnico e de sanitários. Também foram instaladas três câmaras frigoríficas e adquiridos equipamentos para as pesquisas em pós-colheita como, cromatógrafo gasoso, colorímetro, espectrofotômetro UV-visível, incubadora tipo B.O.D., computadores, entre outros.
Por que investir em pós-colheita?
A relevância da pós-colheita é retratada em números — nessa fase, as perdas podem atingir 30% ou mais da produção total, daí a necessidade de adotar tecnologias que reduzam esse problema. As pesquisadoras comentam que esse índice é mais elevado nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e as principais causas incluem a falta de mão-de-obra qualificada, a não adoção de técnicas adequadas durante a produção, colheita e manuseio pós-colheita, e a incidência de pragas e doenças. Os métodos comumente utilizados para a conservação dos produtos e redução de perdas são a diminuição ou aumento da temperatura, o controle da umidade relativa e da composição de gases no ambiente de armazenamento.
Ressaltam ainda que a obtenção de um produto de qualidade está, indiscutivelmente, associada a fatores de pré-colheita, como nutrição, manejo do solo, poda, porta-enxerto e irrigação, aliada aos processos subsequentes de colheita, manuseio e acondicionamento dos produtos, ou seja, do campo até sua chegada ao consumidor final.
Centro de Engenharia e Automação — 40 anos de atividade
No próximo dia 16 de julho, o Centro de Engenharia e Automação do IAC, sediado em Jundiaí, irá comemorar 40 anos de atuação em pesquisas. Além da inauguração do laboratório de pós-colheita, o evento de aniversário irá contar com homenagens e mostra dos trabalhos.
O Centro de Engenharia e Automação tem gerado importantes resultados para a pesquisa no Estado de São Paulo e em outras regiões do Brasil. O Programa Aplique Bem desenvolvido pelo Centro com o objetivo de treinar trabalhadores rurais em aplicação de agrotóxicos diretamente nas propriedades rurais e de avaliar pulverizadores é um exemplo de benefício prático da necessidade da pesquisa para o bom desempenho no campo, com preservação do ambiente e da saúde do agricultor. Esse Programa tem ampliado a capacidade de capacitação no campo, a cinco mil treinados pelo IAC, em dez Estados brasileiros. Com a parceria da empresa Arysta LifeScience, o Programa dispõe de dois veículos adaptados para instruir os trabalhadores sobre a forma correta e segura de aplicar agrotóxicos e também para avaliar pulverizadores. Um dos veículos é direcionado às atividades em Jundiaí, colaborando para a maior eficiência e segurança nas lavouras da região.
Outro trabalho de destaque do Centro é o QUEPIA (Programa IAC de Qualidade em Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura) focado na qualidade de equipamentos de proteção individual (EPI) usados pelo trabalhador rural a fim de reduzir os riscos de intoxicação. O QUEPIA foi implantado em 2006 com o objetivo de desenvolver, melhorar e certificar materiais adequados à proteção da saúde do trabalhador. O Selo IAC de Qualidade é atribuído às empresas participantes do Programa, após auditoria periódica. “Como não é possível ao trabalhador alterar a toxicidade do agrotóxico, a maneira mais eficiente de minimizar o risco é reduzir a exposição aos produtos”, afirma Hamilton Humberto Ramos, pesquisador e diretor do Centro do IAC, instituto da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. O uso de EPI adequados é uma das formas para se alcançar essa redução, somado ao manuseio adequado de agrotóxicos e ao uso correto de equipamentos bem calibrados. “De forma geral, o conjunto de programas desenvolvidos pelo CEA leva a essas três condições para se ter menor exposição do trabalhador à contaminação”, diz Ramos.
A equipe do Centro atua também no Programa de Cooperação Técnica com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Ministério da Saúde, para apoio em projetos na área de segurança e saúde no trabalho rural. O trabalho envolve ainda entendimentos com a ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) para integrar uma rede européia de laboratório de avaliação de máquinas e implementos agrícolas.
A atuação em segurança no meio rural envolve a participação do Centro de Engenharia em Comissões de Estudos junto à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), desenvolvendo normas de qualidade e segurança. A equipe participa também de grupos de trabalho da Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo, que visam à elaboração de regulamentos sobre requisitos de segurança em máquinas agrícolas. “Nos estudos com agrotóxicos busca-se otimizar técnicas e equipamentos, reduzindo o volume de aplicação com a mesma eficiência nos tratos fitossanitários”, explica Ramos.
Linhas de pesquisa
§ Biocombustíveis e energias alternativas;
§ Pós-colheita de produtos agrícolas;
§ Avaliação e desenvolvimento de máquinas, implementos, componentes e insumos agrícolas;
§ Sistemas operacionais em cadeias produtivas;
§ Tecnologia de aplicação de insumos agrícolas;
§ Segurança e saúde do trabalho no meio rural;
§ Avaliação e desenvolvimento de tecnologias para a pequena propriedade;
§ Engenharia ambiental na agricultura;
§ Tecnologia da informação do agronegócio.
Breve histórico
Na década de 70, o Centro desenvolveu a base da colheita mecanizada do café ao iniciar estudos de adaptação de uma colhedora de cereja importada. O Centro também foi responsável pelo desenvolvimento das colhedoras de mamona e mandioca, da carreta florestal autocarregável e de inúmeros protótipos de máquinas para agricultura familiar. Atualmente estuda o desenvolvimento de uma colhedora para café adensado. Além da avaliação de máquinas, são realizados estudos sobre biocombustíveis, segurança no meio rural, tecnologia de produção e tecnologia de pós-colheita.
O IAC foi credenciado em 1985 pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) para realizar ensaios de tratores agrícolas e de esteiras. Com o fim da obrigatoriedade de ensaios, no início da década de 90, a demanda foi drasticamente reduzida. O último ensaio de trator foi realizado em 1992.
SERVIÇO
Comemoração dos 40 anos do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (IAC)
Data: 16 de julho de 2009.
Horário: 17h
Local: Centro de Engenharia e Automação, Rodovia D. Gabriel P. B. Couto, km 65, Jundiaí
Informações: 11-4582-8155

Programa do aniversário

A partir das 17h:
Recepção
Inauguração do Laboratório de Pós-colheita
Plantio da árvore comemorativa
Apresentação do Centro de Engenharia e Automação do IAC
Palavra das autoridades
Homenagem a ex-servidores do CEA.

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