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IAC completa 122 anos e apresenta novo Laboratório de Análise Química de Fertilizantes e de Resíduos \r\n

Após o credenciamento pelo Inmetro, este será o único laboratório público do Brasil para análise de fertilizantes

Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa - IAC
O Instituto Agronômico irá apresentar nesta sexta-feira, 26, as novas instalações do Laboratório de Análise Química de Fertilizantes e de Resíduos, reformado para atender às exigências da NBR ISO/IEC 17025:2005 — norma internacional utilizada por laboratórios de ensaios e calibração e pelos organismos de credenciamento de laboratórios em todo o mundo, facilitando a harmonização de práticas e aceitação mútua de laboratórios no comércio internacional. Este será o único laboratório público no Brasil credenciado para realizar análises de fertilizantes. O credenciamento coloca esta unidade do IAC em conformidade com os padrões de qualidade consagrados em normas internacionais. A apresentação faz parte das comemorações do 122º aniversário do IAC, que terão início às 14 horas desta sexta-feira, na Sede do Instituto, em Campinas.
O laboratório teve sua estrutura física toda reformada – esta é a primeira etapa para obter o credenciamento junto ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). A conclusão do processo deve acontecer até março de 2010, com a auditoria do Órgão. O credenciamento representa o reconhecimento da competência técnica para realizar análises e atender a demandas de controle nacional e internacional. A importância desse passo é clara. A comprovação das informações prestadas é uma necessidade cada vez maior para quem vende e para quem compra, para quem produz e para quem consome, especialmente no envolvimento de agricultores e empresas fabricantes de insumos agrícolas. Como o produtor rural pode saber se as quantidades de produtos químicos recomendados nos rótulos e aplicados ao solo são suficientes para atender às necessidades das plantas ou se o corretivo destinado ao solo irá produzir o efeito esperado? Isso, sem exceder nas doses para evitar contaminações do ambiente — do próprio solo, da água, do ar e do trabalhador rural. Os excessos nas aplicações representam ainda menos dinheiro no bolso do agricultor, já que esses produtos totalizam até 30% do custo de produção agrícola.
As respostas para essas e muitas outras questões determinantes para o sucesso agronômico vêm das análises químicas. Para ampliar o apoio aos setores produtivos, o IAC passará a oferecer, em 2010, os serviços do Laboratório de Análise Química de Fertilizantes e de Resíduos adequado às exigências da ISO17025:2005, que implementa no laboratório um sistema de gestão de qualidade, tornando-o tecnicamente competente e capaz de gerar resultados válidos. “Além de o laboratório credenciado viabilizar o trânsito internacional de produtos, internamente o mercado está exigindo cada vez mais essa garantia de qualidade”, afirma Aline Renée Coscione, pesquisadora do IAC, instituto da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
Essa unidade de análises já existe no IAC desde 2004 e a partir do próximo ano estará em funcionamento de acordo com a norma ABNT NBR/ISO IEC 17025, que especifica os requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaios e calibração. “A ISO assegura a confiabilidade na prestação de serviços laboratoriais à comunidade, aos órgãos governamentais e reguladores e na emissão de resultados”, explica a pesquisadora.
O que faz o laboratório
Exemplos práticos de análises que podem ser feitas no laboratório do Instituto Agronômico: se o agricultor quer saber se a informação presente no rótulo do produto adquirido é verdade, ele pode mandar a amostra para o IAC analisar. Se a indústria precisa comprovar para o Ministério da Agricultura que o seu produto está em conformidade com o anunciado, ela manda a amostra para análise no IAC. A pesquisadora do IAC explica que o Ministério precisa de uma instituição idônea para confirmar a fiscalização e, neste caso, será o IAC o responsável para analisar os fertilizantes no Brasil. “Vamos ter um centro colaborador do Ministério com qualidade para fazer acompanhamento nas empresas e oferecer análise ao produtor”, diz a pesquisadora. “O controle de qualidade de fertilizantes novos registrados no Ministério da Agricultura também pode ser feito por nós. Também testamos a eficiência agronômica de resíduos e de novos fertilizantes, comparando-os com os que já existem, por meio de ensaios com plantas para saber se eles são bons ou não”, acrescenta Aline.
Empresas de saneamento, como Sabesp e Sanasa, que precisam saber se o lodo de esgoto proveniente das estações de tratamento pode ser usado na agricultura, podem enviar o material para análises no IAC. “Essas análises alertam o agricultor sobre a presença de contaminantes que possam se acumular no solo e que venham a entrar na cadeia alimentar, provocando efeitos indesejáveis em animais e seres humanos, além de danos ambientais”, esclarece a pesquisadora do IAC.
A unidade
O Laboratório de Análise de Fertilizantes e de Resíduos fica no 2º andar do edifício Conselheiro Antonio Prado, dentro do Jardim Botânico do IAC, na avenida Barão de Itapura, em Campinas, em uma área de 271 m2 e de mais algumas salas de apoio no mesmo edifício. De acordo com a pesquisadora Aline Coscione, o laboratório é constituído por sete grandes salas distribuídas em salas de moagem, secagem e armazenamento de amostras, sala de balanças, de extração e de digestão de amostras, secretaria, arquivo, sala dos técnicos e almoxarifado. Essa área foi reformada no período junho de 2008 a junho de 2009, com recursos do Governo do Estado de São Paulo, como parte do projeto Certificação dos Laboratórios, para adequação da unidade às exigências da ISO17025. Em 2008, a Clínica Fitopatológica de Citros do IAC foi credenciada de acordo com a ISO17025:2005 junto ao Ministério de Agricultura.
O credenciamento de um laboratório, além da estrutura física e da manutenção e calibração de equipamentos, exige que os procedimentos sejam feitos sempre do mesmo modo e com a obtenção de igual resultado. A sistematização de métodos de análises visa à não variação de resultados, independentemente da pessoa que esteja conduzindo o trabalho. Na unidade credenciada, é obrigatório o registro criterioso de todas as ocorrências – desde a temperatura do ambiente, passando por possível queda de energia até a solicitação de um cliente.
Dentre os equipamentos, o mais importante é o chamado espectrômetro de emissão por plasma de argônio, adquirido num projeto multiusuário da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), no valor de R$ 200 mil. “Ele permite a determinação simultânea de pelo menos 23 elementos químicos entre macro e micronutrientes e de metais pesados, que são de interesse nas amostras que analisamos”, explica Aline Coscione, coordenadora do laboratório.
No processo de adequação à ISO17025:2005, houve aquisição de equipamentos de uso geral em laboratórios, como estufas e agitadores, com recursos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), aprovados em dezembro de 2008. “Este projeto é uma parceira do CNPq com o Ministério da Agricultura visando estabelecer e consolidar centros colaboradores em defesa agropecuária e muita ênfase foi dada a instituições que possam oferecer as análises de fertilizantes como nós fazemos”, afirma a pesquisadora do IAC. Segundo Aline, outros equipamentos foram adquiridos por outros projetos de pesquisa, além dos já existentes no laboratório.
Conheça as análises feitas
“A análise dos fertilizantes, corretivos e de resíduos com potencial de uso agrícola também implica na preservação da qualidade do solo em manter-se produtivo, sem causar riscos ao meio ambiente e economizando recursos naturais”, explica Aline Renée Coscione.
Análises de fertilizantes – por meio dessas, é possível determinar garantias e atestar a presença de contaminantes em fertilizantes minerais, organominerais e orgânicos, calcário e escórias silicatadas. As análises são realizadas segundo os métodos oficiais do Ministério da Agricultura para atender às Instruções Normativas Nº 5 de fevereiro/2007, que trata de contaminantes orgânicos, inorgânicos e patógenos humanos, e a Nº 27 de junho/2006, que define os tipos de fertilizantes, o que precisa estar nas fórmulas e o que deve ser analisado.
Análises de resíduos com aplicação agrícola – estas viabilizam a determinação de metais pesados e de macro e micronutrientes em amostras de resíduos, como lodo de esgoto, composto de lixo e escórias para atender às normas vigentes da Cetesb e do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). O IAC tem autorização para analisar as amostras de lodo que as estações de tratamento de esgoto disponibilizam aos agricultores interessados em aplicar o lodo na agricultura. O laboratório realiza também ensaios de biodegradação de carbono, mineralização de nitrogênio e elevação do pH do solo para avaliação de uso de resíduos em áreas agrícolas.
Análises de solo para monitoramento ambiental - Determinação de teores totais de elementos em solos com aplicação ou não de resíduos. Segundo a pesquisadora Aline Coscione, são feitas análises para certificar se o solo não está contaminado, comparando os resultados aos parâmetros da Cetesb que determinam se o solo está ou não poluído. “Além de metais pesados, são avaliados também sódio e potássio, que danificam a estrutura do solo, causando um processo erosivo”, diz. A quantidade de sais em geral no solo é analisada, observando cada elemento presente e comparando-os ao solo limpo para detectar possível alteração.
Análise de produtos, subprodutos e resíduos da indústria sucro-alcooleira – Os resíduos torta de filtro e vinhaça são bastante estudados, pois são aplicados como fertilizantes. Faz-se também a determinação de resíduo da sílica insolúvel — uma impureza carregada no processo de corte da cana e prejudicial ao beneficiamento da cultura. Essa sílica é analisada no caldo de cana ou no mosto, um caldo mais concentrado. O laboratório avalia ainda o balanço de nutrientes de caldos que vão para a fermentação.
Os contatos com o laboratório podem ser feitos pelos e-mails: aline@iac.sp.gov.br ou qualidade@iac.sp.gov.br, berton@iac.sp.gov.br . Telefones 19-3232-8488 ou19-3231-5422, ramal 170. A lista de serviços e custos analíticos está no www.iac.sp.gov.br .

Para mais informações acesse https://cnpem.br/iac-completa-122-anos-e-apresenta-novo-laboratorio-de-analise-quimica-de-fertilizantes-e-de-residuos/


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