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Homenagem do IAC ao Professor Ernesto Paterniani
22/06/2009
A ciência brasileira perdeu uma de suas grandes referências. Ernesto Paterniani, professor e pesquisador, faleceu no dia 18 de junho, em Piracicaba, deixando um valioso patrimônio em conhecimento, na área de seleção e melhoramento genético de plantas, além de lições de simplicidade e sabedoria. Para o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, que tem no melhoramento genético convencional seu carro-chefe, o professor Paterniani é uma referência ímpar. No IAC, praticamente todos os pesquisadores da área de melhoramento genético tiveram o privilégio de aprender com ele em cursos de pós-graduação, palestras, congressos e outras interações em que o engenheiro agrônomo formado pela ESALQ, em 1947, fazia questão de transferir o conhecimento construído ao longo de uma vida dedicada à pesquisa e ao ensino.
O professor também ainda deu aulas no Curso de Pós-Graduação do IAC, onde mais uma vez manifestou sua peculiar disponibilidade em servir e transmitir conhecimentos. Nascido em 1928, dizia que gostava de estar entre os jovens. Que bom que era assim. E dessa forma criou oportunidades para que seu conhecimento ficasse um pouco em cada um de seus discípulos. “O IAC, que contou e conta com inúmeros ex-alunos do professor Paterniani, expressa seu pesar pelo falecimento de profissional exemplar, dedicado à causa do melhoramento genético vegetal em favor da segurança alimentar”, afirma Marco António Teixeira Zullo, diretor-geral do Instituto.
Para expressar o reconhecimento à contribuição, o IAC ofereceu a Paterniani, em 2008, o Prêmio “Amigos do IAC”, que visa homenagear pessoas físicas ou jurídicas que se destacam pela contribuição nas esferas científicas e tecnológicas ou em atividades práticas que propiciem o desenvolvimento da agricultura sustentável, a melhoria da renda do agricultor e do agronegócio paulista.
Das pessoas que tiveram a oportunidade de conviver com o professor, fica o relato de que “homens com a sua dignidade, sabedoria e amor ao próximo e à família nunca deixarão nossas mentes e nossos corações”, como afirma Maria Elisa A. G. Zagatto Paterniani, pesquisadora do IAC e nora do professor. “Seu legado permanecerá no Instituto Agronômico, em cada trabalho de seleção de plantas no campo, em cada cultivar lançada, em cada ex-aluno e nas futuras gerações de melhoristas”, diz.
Paterniani construiu sua frutífera carreira de pesquisador e docente em instituição pública. O início dos estudos com melhoramento de milho foi em 1951, no México. Um ano depois organizou um banco de germoplasma de milho na Esalq, onde lecionava Genética, Melhoramento de Plantas e Experimentação Agrícola. Também foi chefe do Departamento de Genética, diretor do Instituto de Genética e coordenador de cursos de pós-graduação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP. Esse banco de germoplasma foi mantido por ele durante 17 anos e, então, levado ao Centro Nacional de Recursos Genéticos, com a criação da Embrapa. Ao longo da carreira, desenvolveu novas variedades de milho e métodos científicos de seleção e melhoramento para identificação das melhores fontes de germoplasma de milho e obtenção de cultivares. Como membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), entre 1996 e 2001, teve relevante participação na aprovação da Lei Nacional de Biossegurança. Integrava o Conselho de Administração da Embrapa desde agosto de 2003.
A competência e dedicação do professor foram reconhecidas em diversas oportunidades. Este ano, ele foi um dos agraciados da Fundação Prêmio FCW de Ciência e Cultura 2008, concedido anualmente pela Fundação Conrado Wessel (FCW) à personalidade ou entidade de reconhecimento nacional nos campos da Arte, Ciência, Cultura e Medicina. Em 2005, recebeu o Prêmio da Fundação Bunge, na área de Agronegócio, categoria Vida e Obra. Dentre as diferentes formas de homenagens e reconhecimentos estão: \"Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico\" da Presidência da República (1995), membro titular da Academia de Ciências para os Países em Desenvolvimento (TWAS), membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República (2000), designado pelo Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas (IICA) como consultor da Embrapa em melhoramento de plantas para o Norte e Nordeste do Brasil, Prêmio Epitácio Pessoa (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – 1950), Prêmio Fondazione Prof. Tito V. Zapparoli (Itália – 1978), Prêmio Almirante Álvaro Alberto (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – 1988), Prêmio Frederico Menezes Veiga (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – 1992). Recebeu também a Medalha Jubileu de Prata, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em 1973.
Texto: Carla Gomes - Assessora de Imprensa IAC
Fontes: família Paterniani, Academia Brasileira de Ciências, Esalq e Embrapa.
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