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Instituto Agronômico apresenta novas variedades de amendoim na Agrishow

IAC 503 e IAC 505 têm melhor qualidade de grãos e de óleo (24/04/2009)

Por Carla Gomes (MTb 28156) - Assessora de Imprensa – IAC
Amendoins com maior durabilidade e melhor qualidade nutricional. Somadas a essas características desejadas pela indústria e pontos de venda e também pelo consumidor, está o ótimo desempenho agronômico no campo. Esse é o perfil das novas variedades de amendoim IAC que serão apresentadas ao público pelo Instituto Agronômico, de Campinas, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, de 27 de abril a 2 de maio.
O maior destaque das variedades IAC 503 e IAC 505 está no alto teor de ácido oléico — entre 70% a 80% — enquanto os materiais tradicionais têm 40% a 50%. Esse ácido garante maior durabilidade ao produto — isto é, o armazenamento pode ser feito por maior tempo, sem perda de qualidades. O sabor de ranço deixa de existir, ao menos por um bom período, já que os óleos vegetais possuem outros ácidos em sua composição que conferem maior resistência à oxidação. Esse atributo é fundamental para o mercado brasileiro, pois apesar de o amendoim ser uma oleaginosa, o produto é mais utilizado pela indústria de confeitaria, com rígidos critérios de qualidade para atender ao exigente mercado de doces e confeitos. “Os derivados do amendoim, como doces e óleos, terão prolongada a sua vida de prateleira”, afirma Ignácio Godoy, pesquisador do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
De acordo com o pesquisador, esse ácido graxo tem grande relevância para a cadeia produtiva como um todo. “Essa característica representa um salto de qualidade para a indústria e tende a tornar o amendoim mais atraente, sobretudo no mercado externo”, diz Godoy. As sementes desse material deverão chegar aos produtores em 2010/2011.
Granulometria é outro destaque
Os novos materiais são superiores também na quantidade de grãos de maior tamanho, obtidos após o descascamento e a retirada das impurezas. O IAC 503 apresenta cerca de 30% a mais de grãos grandes que o Runner IAC 886. A granulometria da IAC 505 também é superior aos materiais já conhecidos. Grãos de maior tamanho são os mais valorizados no mercado de confeitaria.
Desempenho agronômico
\tIAC 503 e IAC 505 são classificadas como do grupo “runner”, com hábito de crescimento rasteiro e ciclo ao redor de 130 dias. Em relação às doenças foliares, ambas classificam-se como moderadamente suscetíveis à mancha preta e ferrugem, principais doenças do amendoim, cujo controle representam cerca de 30% do custo de produção. A variedade Runner IAC 886, o de maior expressão comercial atualmente, é considerado suscetível a essas doenças.
Segundo Ignácio Godoy, os primeiros testes de produtividade foram feitos em 2005/2006. Na média de duas localidades, a IAC 503 e a IAC 505 produziram, respectivamente, 5.859 e 5.344 Kg/hectare (em casca), contra 4.412 e 4.495 Kg/hectare dos cultivares Runner IAC 886 e IAC Caiapó.
Já em 2006/2007, ano considerado difícil sob o aspecto de clima e de baixa eficiência no controle de doenças, como a mancha preta, o desempenho produtivo médio dos materiais IAC 503 e IAC 505, em quatro localidades, foi de 3.519 e 3.514 Kg/hectare, e de 3.364 e 3.571 Kg/hectare para os tradicionais Runner IAC 886 e IAC Caiapó, respectivamente.
São Paulo produz 70% do amendoim nacional
As tecnologias IAC dominam os campos paulistas de amendoim, que respondem por 70% da produção nacional da oleaginosa, com cerca de 100 mil hectares. O IAC é referência em pesquisas com amendoim, principalmente na área de melhoramento genético e desenvolvimento de variedades. Cerca de 80% da área plantada com amendoim no Brasil utiliza materiais IAC. Segundo Ignácio Godoy, na safra 2008/09, estima-se que foram plantados 70 mil hectares com a cultivar Runner IAC 886 e 18 mil hectares de IAC Tatu ST, além de outros com menores áreas de cultivo.
Para identificar as necessidades do setor produtivo e orientar as pesquisas nesse sentido, o programa de melhoramento do IAC vem trabalhando em parceria com um grupo de dez empresas da cadeia de amendoim, desde 2003. “Desde então, quatro novas variedades de amendoim foram registradas e têm sementes sendo multiplicadas pelos parceiros do projeto e pelo próprio IAC”, diz Godoy.

Outra novidade em grãos
Novo milho híbrido IAC – mais produtivo e menor custo
Um outro destaque do Instituto Agronômico exposto na Agrishow 2009 é o milho híbrido IAC 8390 — competitivo aos melhores materiais disponíveis no mercado, com a grande vantagem de ser muito produtivo e com custo inferior de sementes. Segundo o pesquisador responsável, Eduardo Sawazaki, esse milho irá beneficiar tanto a produção de silagem como a de grãos. Para a alimentação animal, o IAC 8390 tem um destaque especial — alta qualidade de silagem e elevada produtividade de massa. “Por ter maior digestibilidade, o animal apresenta melhor conversão em produção de leite e carne”, explica o pesquisador do IAC. Esse resultado IAC deverá contribuir bastante com a pecuária brasileira. “No mercado de silagem, esse material é quase imbatível”, avalia.
A expectativa, de acordo com Sawazaki, é que esse híbrido alcance Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais para a produção de grãos na safrinha, plantado em sucessão à soja. O IAC 8390, de grãos duros e em cor alaranjado intenso, se somará às tecnologias paulistas que rompem fronteiras e levam melhoria no desempenho agrícola para outros estados.

IAC expõe produtos já adotados por produtores brasileiros
Durante a Agrishow 2009 o público poderá ver e conhecer tecnologias IAC já adotadas por produtores brasileiros de diversos segmentos do agronegócio. Nesta edição da Feira, o IAC traz parte de seus resultados científicos em cana-de-açúcar, arroz, feijão, café, pinhão-manso, algodão, girassol e mamona. Na área de mecanização, o IAC expõe ensaios de máquinas e implementos, mostrando o trabalho com pulverizadores, treinamento de trabalhadores rurais e o programa de qualidade de vestimentas de proteção para risco químico.

Variedades de cana IAC têm produtividade 17% maior com 120 toneladas/hectare

Nos últimos três anos o IAC lançou oito novas variedades de cana-de-açúcar que atendem diferentes condições edafoclimáticas do Centro-Sul do Brasil, região responsável por aproximadamente 85% da cana brasileira. A safra canavieira abrange os períodos de outono, inverno e primavera e essas novas variedades são aptas a atender conjuntamente todos estes períodos. Algumas delas têm um perfil mais rústico atendendo inclusive a região originalmente ocupada pelo cerrado. São elas: IACSP91-1099, IACSP93-3046, IACSP94-2094 e IACSP95-5000. Trata-se de um grupo de variedades de alto potencial biológico e que atende perfeitamente o perfil da canavicultura moderna que exige variedades habilitadas para o plantio e corte mecânico.
De acordo com o pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell, essas variedades, lançadas em 2007, asseguram o ganho de produtividade de 1,5% ao ano, índice que o segmento vem conquistando há mais de três décadas. Segundo o pesquisador, é possível obter aumentos de 10% a 30%, se os produtores souberem explorar bem o perfil desses materiais, associando-os ao ambiente de produção adequado.
Destaques
Dentre essas variedades, a IAC91-1099 e a IACSP95-5000 são as que mais se destacam pela elevada produtividade e concentração de sacarose. Comparadas a materiais bastante cultivados comercialmente, a produtividade da IACSP95-5000 foi superior em 17,7% e a da IAC91-1099 em 11%. Esses valores correspondem uma variação na produção de 120 a 90 toneladas/hectare e de 140 a 95 toneladas/hectare, respectivamente.
Ainda relacionada a essas características, a IAC91-1099 garante uma boa produtividade mesmo em cortes avançados, com produção superior em 20% a dos materiais que apresentam esse mesmo perfil. “Os ensaios que validaram essa variedade foram conduzidos até o quarto corte, em diversos ambientes de produção. Nessa condição, para o quarto corte ela apresentou dados médios de 94 toneladas/hectare”, informa o pesquisador do IAC, Mauro Alexandre Xavier. Segundo ele, outro aspecto que também chama a atenção da IAC91-1099 é o seu caráter rústico-estável, o que possibilita seu cultivo em ambientes médios a desfavoráveis.
Em relação ao nível de maturação, os novos frutos do programa de melhoramento genético de cana-de-açúcar do IAC atendem a diferentes demandas, ao atingirem o nível de sacarose ideal para o corte em diferentes períodos. A IAC91-1099 e IACSP95-5000 apresentam boa capacidade de acumular sacarose ao longo da safra, tornando-se uma boa opção para corte entre o inverno e a primavera – o que corresponde ao período entre julho e novembro. Já a IACSP95-3028 e a IACSP93-2060 chamam a atenção pela precocidade de maturação, o que beneficia a colheita durante o período de menor volume de produção. “Para a IACSP95-3028, colhida em início de safra – um momento bastante crítico para o acúmulo de sacarose – o teor percentual desse açúcar pode ser 7,5% superior ao das variedades ainda cultivadas e utilizadas em início de safra”, pontua Xavier. O pesquisador explica ainda que, enquanto IACSP95-3028 atende à necessidade de antecipação da colheita para final de março e início de abril, a IACSP93-2060 destina-se entre a quarta e a sexta quinzenas da safra. Essa característica permite que os produtores planejem melhor e possam adiar ou antecipar o início do corte.
Redução nos impactos ambientais
Diante das preocupações com a sustentabilidade agroambiental, as variedades têm perfil para atender a esses anseios: dos quatro materiais, a IAC91-1099 e a IACSP95-500 foram desenvolvidas para a colheita mecânica crua, por possuírem porte muito ereto, e a IACSP93-2060 também apresenta boa adaptação a essa condição de colheita – prática que dispensa a queimada da cana-de-açúcar, bastante utilizada na colheita manual. “Essa característica é muito importante frente à realidade da colheita mecanizada”, explica Landell.
De acordo com Xavier, as variedades sem características agronômicas que possibilitem a adoção dos processos mecanizados, provavelmente, serão substituídas em um curto espaço de tempo. “Esse desafio é condição essencial para se liberar uma variedade atualmente, e essa demanda foi levantada pelo próprio setor”, justifica.
De maneira geral, todos os programas têm procurado se adaptar a esse perfil. Entretanto, o Programa Cana IAC, por submeter os ensaios à colheita mecânica crua, desde as primeiras etapas do seu trabalho, impõe uma seleção de material bastante rigorosa, conferindo aos clones selecionados adaptação às necessidades atuais de mecanização de todo o processo de produção agrícola.
Perfil das variedades de cana IAC
IAC91-1099
Alta produção agrícola associada a alto teor de sacarose.
Apresenta uniformidade de altura e diâmetro de colmos, característica facilitadora do processo de colheita mecânica.
Adaptada às regiões de Piracicaba, Jaú, Ribeirão Preto, Catanduva e Oeste Paulista, além das regiões de expansão do Centro Oeste brasileiro – como Goiás e Mato Grosso.
Adequada para colheita nos meses de junho a outubro.
IACSP95-5000
Variedade com perfil de alta produtividade e elevadíssimos teores de sacarose.
Adaptada à colheita mecânica.
Apresenta grande estabilidade associada a perfil responsivo, sendo adaptada praticamente a todas as regiões de cultivo da região Centro-Sul do Brasil.
Com possibilidades de colheita de junho a outubro.
IACSP93-2060
Variedade precoce e rica em sacarose.
Adaptada à colheita mecânica.
Boa adaptação às regiões de Ribeirão Preto, Serra da Mantiqueira, Catanduva e Goiás.
Adequada para colheita de final de abril a agosto.
IACSP95-3028
Variedade riquíssima em sacarose e hiper-precoce com possibilidades de colheita a partir do final de março.
Apresenta ótima brotação de gemas no plantio e boa soqueira.
Possui boa performance em ambientes restritivos.

Variedades IAC expostas são destinadas a reforçar período de maior volume de produção de cana
Também expostas na Agrishow, as variedades de cana — IACSP93-3046, IACSP94-2094, IACSP94-2101 e IACSP94-4004 — têm perfil de maturação para o meio e fim de safra, atendendo às condições edafoclimáticas do Centro-Sul do Brasil. De acordo com o pesquisador do IAC, Marcos Landell, nessa principal região produtora do Brasil, a safra é dividida em três estações: outono (abril-junho), inverno (julho-setembro) e primavera (outubro-novembro). Nesses períodos, o volume de cana produzido é de 25%, 45% e 30% respectivamente. “Percebe-se a grande importância das safras de inverno e primavera, que reúnem 75% do total de volume de matéria-prima”, destaca Landell. Daí a relevância dessas variedades adequadas à colheita nos meses de maior volume de produção.
O pesquisador explica que, ao longo do ciclo vegetativo e de maturação, as variedades de cana-de-açúcar são expostas às mais diversas condições ambientais, incluindo clima, solo e água. Esse contexto determina as variações na expressão do potencial produtivo e tecnológico das variedades utilizadas.
Outro reflexo do clima refere-se à maturação (teor de sacarose) da cana que aumenta à medida que se intensifica o período de seca. Se o avanço tecnológico objetiva facilitar o desenvolvimento da cultura, é evidente a necessidade de desenvolvimento de novas variedades com diferentes perfis de maturação, capacidade de brotação e estabelecimento de suas soqueiras, nos períodos de menor quantidade de água, que ocorre de julho a setembro. As pesquisas não só propiciam esses benefícios, mas também acrescentam às novas variedades outras características importantes, como período de utilização industrial mais longo e ampla estabilidade de comportamento em diferentes ambientes de produção. Com esse conjunto de características, as variedades, lançadas em 2005, atendem a uma demanda mais ampla não se limitando apenas às variedades de alta produtividade agrícola.
O sucesso do setor sucroalcooleiro brasileiro, assim como outros segmentos de destaque no cenário nacional, foi consolidado sobre a base tecnológica e científica do Estado de São Paulo. Não por acaso, os campos paulistas são os maiores produtores de cana-de-açúcar do país. “O sucesso da expansão em São Paulo e no Brasil inevitavelmente depende do suporte tecnológico dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo e da capacidade de gestão empresarial do setor”, afirma Landell.
Características das variedades:
IACSP93-3046: alta produção agroindustrial com características de uniformidade de diâmetro de colmo, o que proporciona maior eficiência na colheita mecânica e manual. Tem alto teor de sacarose no meio e no fim de safra, proporcionando ganhos qualitativos para esses períodos. O período de utilização industrial é longo, adequado para a colheita de junho a outubro. A IACSP93-3046 pode ser cultivada em solos de menor fertilidade e responde significativamente quando plantada em ambientes de maior potencial. Resistente ao carvão, à escaldadura e à ferrugem, essa variedade tem excelente brotação de soqueiras e é adaptada para o Centro-Sul do Brasil.
IACSP94-2094: boa produção agroindustrial e baixa exigência em ambiente de produção, grande tolerância à seca e pode ser cultivada em solos de menor fertilidade. A IACSP94-2094 é adaptada à colheita mecânica com ótima capacidade de brotação sob palha. Seu período de utilização industrial é longo, adequada para a colheita de junho a outubro. Adaptada para o Centro-Sul do Brasil, a variedade resiste à ferrugem, ao carvão e à escaldadura.
IACSP94-2101: com alta produção agroindustrial e características de uniformidade de diâmetro de colmo, essa variedade proporciona maior eficiência na colheita mecânica e manual. O perfil dessa nova cana inclui também alto teor de sacarose, média exigência em ambiente e resistência à ferrugem, ao carvão e à escaldadura.
IACSP94-4004: a uniformidade de diâmetro de colmo proporciona maior eficiência na colheita mecânica e manual. Essa variedade caracteriza-se ainda pela alta produção agro-industrial, alto teor de sacarose, média exigência em ambiente de produção, sendo resistente à ferrugem e ao carvão e sensível à escaldadura e ao mosaico. A IACSP94-4004 é adaptada para a região de Mococa, Ribeirão Preto e Jaú.

Feijão
Público poderá ver as mais recentes variedades de feijão IAC
Tipo colorido inédito no Brasil e carioca com melhor grão do mercado estão na Agrishow
As seis mais recentes variedades de feijão IAC estão na Agrishow – os materiais apresentam redução de 15 a 20% na aplicação de defensivos, em razão da resistência à antracnose e tolerância à mancha angular, as principais doenças da cultura, cujo controle representa 15% do custo total de produção. Outro destaque está na qualidade de grãos e de caldo, além do menor tempo de cozimento, cerca de 25 minutos, enquanto a maioria no mercado requer mais de 30.
Para os consumidores as variedades se destacam pelo maior teor de proteínas, acima de 22%, frente à média de 18%. As variedades são: IAC Alvorada, tipo carioca, IAC Harmonia e IAC Colorido, tipo rajado, IAC Jaraguá, tipo mulato, IAC Galante, tipo rosinha, e IAC Diplomata, tipo preto. Segundo Alisson Fernando Chiorato, pesquisador do IAC-APTA, não há no mercado feijão tipo carioca com a qualidade de grão do IAC Alvorada, que é mais claro e tem poucas listras. “O Alvorada tem aroma típico de feijão, que muitos não exalam”, diz. O feijão tipo carioca é aceito em praticamente todo o Brasil e 70% da área cultivada é semeada com esse tipo de grão.
O IAC Colorido é grão especial de alta produtividade para exportação, tipo calima. O grão rajado e de cor vinho escuro é consumido na Europa. “O IAC é pioneiro em lançar esse tipo de grão”, afirma o pesquisador. Produtores da América Latina costumam comprar esse grão na Europa como se fosse para consumo, mas plantam e exportam. Daí se percebe a oportunidade de negócios para produtores no Brasil. O IAC Harmonia, outro rajado de visual bastante atraente, já existe no Brasil e é vendido a R$ 5,00, meio quilo.
O IAC Galante é grão tipo rosinha de alta produtividade e resistência à antracnose e ao mosaico comum. Esse tipo foi bastante apreciado no passado, mas antes desse resultado enfrentava limitações em função do mosaico comum. “A suscetibilidade estava associada à cor rosinha, porém conseguimos a resistência ao mosaico comum”, afirma Chiorato.
O perfil desses materiais também favorece em situações de seca — as variedades IAC Colorido, Diplomata, Galante e Harmonia são tolerantes às elevações do termômetro e baixa umidade relativa do ar. O pesquisador explica que, em altas temperaturas, o feijoeiro aborta as flores, inviabilizando a produção de vagens. Mas, esses materiais IAC não apresentam esse problema. “Estas foram selecionadas em condição de calor, na região de Barretos e Colina, sendo tolerantes a altas temperaturas”, diz Chiorato.
A tolerância ao calor do IAC Diplomata traz uma nova opção ao mercado do tipo preto, com excelente caldo, de cor achocolatado e resistente à antracnose. O tipo mulato IAC Jaraguá é direcionado ao Nordeste do Brasil.
A preferência do consumidor é regionalizada e diferenciada, principalmente quanto à cor e ao tipo de grão. O feijoeiro comum é cultivado ao longo do ano, na maioria dos estados brasileiros, proporcionando constante oferta do produto no mercado. A Região Sul ocupa lugar de destaque no cenário nacional, seguida pelas Regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte, respectivamente.
O feijão preto é mais popular no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sul e Leste do Paraná, Rio de Janeiro, Sudeste de Minas Gerais e Sul do Espírito Santo. No restante do País, esse tipo de grão tem pouco valor comercial. O feijão mulatinho é mais aceito na Região Nordeste, e o tipo rosinha é mais popular nos Estados de Minas Gerais e Goiás.

Diferente, rentável e saboroso
Arroz preto IAC 600 conquista mercados
Sucesso entre produtores e consumidores, o arroz preto IAC 600 estará novamente na Agrishow. O tipo especial atrai rizicultores pela opção de nicho de mercado com boa remuneração e tem o mesmo manejo que o grão tradicional. São Paulo é o maior consumidor de arroz, mas até esse resultado IAC ser disponibilizado, não havia material adequado para os campos paulistas. Até então não existia nenhuma variedade brasileira desse tipo exótico de arroz – o que se consumia no País era material importado.
O objetivo do IAC ao gerar produtos diferenciados é abrir novos mercados para os produtores atingirem um nicho específico, com potencial no consumo interno e externo, já que o arroz preto tem amplo mercado na Europa e Estados Unidos.
Desenvolvida para o cultivo em São Paulo em condição de arroz irrigado e sequeiro, a IAC 600 é produzida da mesma forma que o arroz tradicional e com igual custo de produção. Quanto às características agronômicas, a IAC 600 é um material altamente resistente à brusone, principal doença do arroz, tem porte baixo e é precoce, toma de 100 a 110 dias do plantio à colheita. A produtividade é aceitável para o nicho de mercado, mas é menor quando comparada com o arroz tradicional. Entretanto, a diferença de preços entre o arroz preto e o tradicional supera, em muito, a diferença de produtividade, o que deverá resultar em maiores lucros para o produtor.
Para o consumidor, o arroz preto — que deve ser consumido na forma integral — é um alimento de excelentes qualidades nutricionais. Comparado com o arroz integral, o preto supera a quantidade de proteínas, de fibras e de carboidrato, além de ter menor valor calórico e menos gordura. Outro destaque dessa variedade é que a IAC 600 tem dez vezes mais compostos fenólicos que o melhor material já analisado em testes na Universidade do Texas. Além de fazer bem ao organismo, a IAC 600 é também agradável ao paladar, com aroma e sabor acastanhados, em grãos inteiros e muito macios.
Pinhão-manso
Pesquisas do IAC com pinhão-manso são apresentadas na Agrishow

Por David da Silva Junior / Estagiário da Assessoria de Imprensa IAC

Pensando no desenvolvimento das pequenas propriedades, o Instituto Agronômico (IAC), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) retoma pesquisas com o pinhão-manso, uma das oleaginosas base para a produção de biodiesel que atende a todos os parâmetros e normas da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O biodiesel que utiliza o óleo extraído dessa planta como matéria-prima tem a vantagem de ter um baixo custo de produção.

Os estudos no IAC se iniciaram na década de 1980 e voltam agora, com a necessidade de desenvolvimento de mais e melhores fontes alternativas de energia. No espaço reservado ao IAC na Agrishow, o visitante pode conhecer algumas plantas formadas a partir de sementes, que foram semeadas em sacolas plásticas preenchidas com o mesmo substrato utilizado para a formação de mudas de citros, à base de casca de pinus e eucalipto. As plantas foram transplantadas em dezembro de 2008, ou seja, estão com cerca de 120 dias de transplante e já chegaram à fase reprodutiva, com flores e frutos.
As pesquisas com pinhão-manso no IAC têm três eixos fundamentais: melhoramento genético da cultura, produção de mudas com base em estudos de viabilidade logística e econômica, e estudar e conhecer a cultura do pinhão-manso e qual o manejo a ser empregado no campo para obtenção de altas produtividades de grãos, qualidade de óleo e lucratividade ao produtor. Procura-se com isso selecionar plantas melhor adaptadas às condições de solo e clima do estado de São Paulo, e gerar recomendações técnicas para a cultura quanto ao espaçamento e a densidade de plantio, doses e épocas de adubação, formas e tipos de poda, formas de controle de plantas daninhas, pragas e doenças, e possibilidade de consorciação com outras oleaginosas ou culturas como o milho, o feijão, o algodão e o amendoim, ou com animais – sistema lavoura-pecuária.
Segundo Lília Sichmann Heiffig-del Aguila, pesquisadora do IAC, diversas instituições de pesquisa de todo o país estão montando bancos de germoplasma de pinhão-manso, entretanto não se verifica muita variabilidade entre as plantas obtidas em diferentes locais de coleta, o que dificulta o melhoramento genético. Essa realidade tem levado alguns pesquisadores a tentar o melhoramento a partir da biotecnologia, através da produção de mudas por explante, o que condiz com a formação de uma nova planta partindo de uma célula ou tecido por cultura in vitro.
Propriedades ideais para o cultivo
“A princípio o cultivo é recomendável para pequenas propriedades rurais, agricultura familiar e assentamentos agrários”, afirma a pesquisadora. A planta de pinhão-manso não apresenta uniformidade de produção, ou seja, pode haver na mesma planta ao mesmo tempo flores, frutos em formação, frutos verdes e maduros. Com essas características, a colheita deve ser feita manualmente e de forma contínua.
O pinhão-manso pode ser cultivado em qualquer tipo de solo e produz tanto em clima seco, como em ambiente mais úmido. Por ser uma planta perene – existem relatos de pés com mais de 30 anos ainda produzindo –, suporta períodos prolongados de seca, embora tenha seu nível de produtividade bastante afetado pela distribuição irregular de chuvas ou pela ação prolongada de ventos na época do florescimento.
Retorno financeiro
Ainda não se sabe qual o real retorno financeiro para o produtor de pinhão-manso, mas estudos já vem sendo realizados. Mesmo sem dados para confirmação, já se sabe que as principais fontes de renda do agricultor são o óleo, utilização da torta, uso medicinal e possibilidade de consórcio com outras culturas.
Na extração do óleo, a grande vantagem é a possibilidade de armazenamento de sementes por períodos mais longos, o que resulta em custos menores em comparação com outras oleaginosas como dendê. “As variações de acidez nas sementes são pouco expressivas, mesmo nos períodos longos de armazenamento”, explica a pesquisadora. Contudo, a auto-oxidação do óleo pode ser acelerada por ação de oxigênio, calor ou traços de metais pesados presentes na matéria-prima de tanques de armazenamento, produzindo reações laterais. “Para avaliar e minimizar os efeitos da auto-oxidação dos óleos insaturados, devem ser conduzidos estudos preliminares”, completa.
Subprodutos do pinhão-manso
Heiffig-del Aguila conta que a torta de pinhão-manso desintoxicada poderia ser usada para ração animal. O melhor processo para desintoxicação está sendo estudado. Enquanto isso não se torna realidade, a torta pode virar fertilizante natural, até no plantio do próprio pinhão-manso, funcionando como adubo orgânico. Além de enriquecer o terreno com matéria orgânica, o resíduo incorpora ao solo quantidades acentuadas de nitrogênio, fósforo e potássio, nutrientes presentes em índices elevados na torta residual, e aumenta a incidência de cálcio e magnésio, o que contribui na manutenção de um nível de produtividade mais regular e diminui o consumo dos fertilizantes químicos.
“Partes da planta possuem aplicações medicinais, tais como as folhas que possuem ação anti-sifilítica (combate a sífilis), a seiva com propriedades hemostáticas (cura e cicatrização de feridas) e as raízes com atividade anti-leucêmica, conforme mostram estudos realizados no Japão”, afirma a pesquisadora. As sementes podem ser aplicadas em tratamento veterinário, especialmente de bovinos, que se baseia em sua ação purgativa bastante enérgica, mas que pode causar a morte do animal quando em excesso.
O consórcio com outras culturas também pode vir a ser lucrativo, mas ainda não se tem uma variedade melhorada ou uma planta ideal. Sendo assim, não há como definir com bases científicas o espaçamento de plantio da cultura do pinhão-manso e com que culturas o consórcio seria possível. Segundo Heiffig-del Aguila, os atuais estudos consideram o espaçamento praticado pelo produtor hoje no campo, pesquisando com isso a utilização eficiente do solo. “Por enquanto, estão sendo estudados consórcios com girassol, feijão, milho, amendoim, mamona, mandioca e hortaliças, além de outras oleaginosas”, afirma.
Há ainda a possibilidade de utilização da planta como cerca viva. “Antes do Programa Nacional de Biocombustíveis, o interesse maior pela planta de pinhão-manso residia na formação de cerca viva e de quebra-ventos, principalmente no norte e nordeste do Estado de Minas Gerais, isto devido a sua rusticidade e rápido desenvolvimento”, lembra a pesquisadora.

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