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Condições adversas de clima poderão comprometer safra de café 2007/2008\r\n\r\n

Condições climáticas adversas também favoreceram ocorrência do bicho-mineiro

Embora as chuvas de final de outubro tenham contribuído para interromper a estiagem prolongada, que em muitas localidades cafeeiras já persistia por mais de seis meses, os produtores de café deverão sentir os reflexos desse período de seca na próxima safra, com expectativa de reduções variáveis na produção. Por causa das condições climáticas atípicas deste ano ? com deficiência hídrica e temperaturas elevadas, mais altas que as médias históricas ? pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, acreditam que esses fatores comprometerão o pegamento da florada do café, ou seja, o número de frutos que completarão o desenvolvimento, em especial na Região Mogiana do Estado de São Paulo e no Sul de Minas Gerais.
De acordo com o pesquisador do IAC, Joel Irineu Fahl, as condições adversas de clima ocasionaram a geração de botões florais mal formados, provocados por floradas de diferentes intensidades, caracterizados pelo desenvolvimento reduzido das pétalas, que protegem os estigmas das flores, podendo comprometer a fecundação dos óvulos. ?Observa-se também, com freqüência nessa fase, que os estiletes apresentam necrose, provavelmente provocada pelas altas temperaturas, associadas à acentuada deficiência hídrica. Contribuiu ainda para a ocorrência de botões com má formação, a ocorrência de temperaturas mínimas abaixo das normais, atingindo em alguns locais até 22º C?, acrescenta.
Ataque do bicho-mineiro
Essas condições climáticas adversas também favoreceram a alta ocorrência do bicho-mineiro na cultura do café e o ataque dessa praga também interfere no desenvolvimento e abertura das flores. Segundo o pesquisador, a praga causa intensa queda de folhas, levando à baixa relação da área foliar por botão floral e, conseqüentemente, compromete o desenvolvimento e abertura dos botões florais. ?O baixo enfolhamento da planta provavelmente apresentará reflexos negativos, de diferentes intensidades, no pegamento e desenvolvimento dos frutos, devido à baixa relação hídrica planta/botão-fruto?, explica Fahl. Outra conseqüência negativa que a queda das folhas ocasiona é o suprimento insuficiente de carboidratos para a planta, principalmente na fase posterior à abertura das flores, período em que ocorrem intensa divisão e diferenciação de célula no ovário.
Essas anomalias na florada do café podem ser de diferentes intensidades e nem todas chegam a alterar a produtividade do cafeeiro. Segundo Fahl, o quadro de anormalidades apresentado na última florada evidencia a possibilidade de perdas na produção, em diferentes intensidades, podendo, em alguns casos, atingir percentuais elevados. Além disso, em decorrência de as três floradas terem acontecido com épocas diferentes, excessivamente espaçadas, a qualidade de bebida da próxima safra poderá ser depreciada, devido à falta de uniformidade na maturação dos frutos.
Entretanto, o pesquisador alerta que, apesar das fortes evidências, ainda é prematuro quantificar o percentual na quebra da produtividade. ?Essa avaliação poderá ser feita com consistência apenas no final da estabilização do processo de frutificação, o que deverá ocorrer em meados de dezembro?, conclui.
Assessoria de Imprensa IAC
Texto: Igor Carvalho
Edição: Carla Gomes

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