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Novas variedades de feijão IAC trazem tipo colorido inédito no Brasil e carioca com melhor grão do mercado

A pesquisa traz o primeiro feijão colorido para exportação, tipo calima, e recupera o tipo rosinha, bastante apreciado no passado

Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC-APTA


O mercado da maior fonte de proteína vegetal ? e com menor preço ? ganhará reforço neste mês de novembro, quando o Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, lança seis novas variedades de feijão. Não só o mercado, mas também os consumidores poderão se fortalecer, já que as novas variedades se destacam pelo maior teor de proteínas. Atualmente, o consumo dessa leguminosa não ultrapassa os 16 kg/hab/ano. Mas quem alega falta de tempo para cozinhar o alimento também ganhará aliados ? as variedades IAC têm menor tempo de cozimento, cerca de 25 minutos, dependendo do clima, enquanto a maioria no mercado requer mais de 30. E para a cadeia produtiva, o destaque está para a qualidade de grãos e de caldo, além da redução de 15 a 20% na aplicação de defensivos, em razão da resistência à antracnose e tolerância à mancha angular, as principais doenças da cultura, cujo controle representa 15% do custo total de produção. O lançamento acontece no XXIII Dia de Campo de Feijão, nos dias 28 e 29 de novembro, no Pólo APTA Sudoeste Paulista, em Capão Bonito. Com teores de proteína acima de 22%, enquanto a média é de 18%, as novas variedades são: IAC Alvorada, tipo carioca, IAC Harmonia e IAC Boreal, tipo rajado, IAC Centauro, tipo mulato, IAC Galante, tipo rosinha, e IAC Diplomata, o único preto. Segundo Alisson Fernando Chiorato, pesquisador do IAC-APTA, não há no mercado feijão tipo carioca com a qualidade de grão do IAC Alvorada, que é mais claro e tem poucas listras. ?O Alvorada tem aroma típico de feijão, que muitos não exalam?, diz. O feijão tipo carioca é aceito em praticamente todo o Brasil e 70% da área cultivada é semeada com esse tipo de grão.
O IAC Boreal é grão especial de alta produtividade para exportação, tipo calima. O grão rajado e de cor vinho escuro é consumido na Europa. ?O IAC é pioneiro em lançar esse tipo de grão?, afirma o pesquisador. Uma empresa de exportação já manifestou interesse em adquirir toda a produção dessa variedade. Para se ter idéia da oportunidade de negócios, há países na América do Sul que compram esse grão na Europa como se fosse para consumo, mas plantam e exportam. O IAC Harmonia, outro rajado de visual bastante atraente, já existe no Brasil e é vendido a R$ 5,00, meio quilo.
Essa pesquisa, iniciada em 1996, recupera também o tipo rosinha, bastante apreciado no passado, mas que enfrentava limitações em função do mosaico comum. O IAC Galante é grão tipo rosinha de alta produtividade e resistência à antracnose e ao mosaico comum. ?A suscetibilidade estava associada à cor rosinha, porém conseguimos a resistência ao mosaico comum?, afirma Chiorato.
O perfil dos novos materiais também favorece nesses tempos de seca ? as variedades IAC Boreal, Diplomata, Galante e Harmonia são tolerantes às elevações do termômetro e baixa umidade relativa do ar. O pesquisador explica que, em altas temperaturas, o feijoeiro aborta as flores, inviabilizando a produção de vagens. Mas, esses materiais IAC não apresentam esse problema. ?Estas foram selecionadas em condição de calor, na região de Barretos e Colina, sendo tolerantes a altas temperaturas?, diz Chirorato, que atua juntamente com o pesquisador Sérgio Augusto M. Carbonell, também do IAC-APTA.
A tolerância ao calor do IAC Diplomata traz uma nova opção ao mercado do tipo preto, com excelente caldo, de cor achocolatado e resistente à antracnose. O tipo mulato IAC Centauro é direcionado ao Nordeste do Brasil e já foi aprovado por uma grande empresa do ramo. ?Já enviamos ao IPA (Instituto Pernambucano de Pesquisa Agropecuária) para novos testes?, informa.

Alimento social
O feijão é um dos produtos agrícolas de maior importância socioeconômica, especialmente em razão da mão-de-obra empregada. Estima-se que, somente em Minas Gerais, a cultura empregue cerca de sete milhões de homens por dia-ciclo de produção, envolvendo cerca de 295 mil produtores.
Nas atuais condições de Brasil, a produção gira em torno de 3.200.000 toneladas e não tem mudado nos últimos 15 anos. Embora a área de produção de feijão tenha diminuído, a produção pôde ser mantida porque a produtividade média das novas variedades aumentou em relação aos últimos anos. A área plantada em todo o Brasil é de cerca de 4 milhões de hectares, indicando que a produtividade média não atinge os 1000 kg/ha, ficando próximo aos 850 kg/ha. Segundo os pesquisadores, essa produtividade é considerada baixa, exigindo que novas cultivares de maior potencial genético sejam desenvolvidas.
Sobre a produção internacional de feijões, são plantados anualmente, em média, 27 milhões de hectares e são colhidos, aproximadamente, 20 milhões de toneladas, em mais de cem países. Desse total, 60% da produção mundial se concentram em seis países: Brasil, Índia, China, Myanmar, México e Estados Unidos.
A preferência do consumidor é regionalizada e diferenciada, principalmente quanto à cor e ao tipo de grão. O feijoeiro comum é cultivado ao longo do ano, na maioria dos estados brasileiros, proporcionando constante oferta do produto no mercado. A Região Sul ocupa lugar de destaque no cenário nacional, seguida pelas Regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte, respectivamente.
O feijão preto é mais popular no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sul e Leste do Paraná, Rio de Janeiro, Sudeste de Minas Gerais e Sul do Espírito Santo. No restante do País, esse tipo de grão tem pouco valor comercial. O feijão mulatinho é mais aceito na Região Nordeste, e o tipo rosinha é mais popular nos Estados de Minas Gerais e Goiás.

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