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Tecnologia do IAC estende-se pelo Brasil\r\n
A adoção de tecnologia IAC deve gerar novos empregos e aumentar a qualidade de vida da população nordestina (10/08/2007)
Uma das características do Instituto Agronômico é desenvolver tecnologias que ultrapassam os limites do Estado de São Paulo. Agricultores de todo o Brasil usufruem de novas variedades, tecnologias alternativas para o combate a pragas e doenças e outras técnicas que pesquisadores do Agronômico geram e disponibilizam para o agricultor.
Mais uma tecnologia do IAC avança as fronteiras do Estado ? é a do broto/batata-semente, desenvolvida pelo pesquisador José Alberto Caram de Souza Dias, que será aplicada no município de Caruaru, Pernambuco. A intenção é expandir o uso dessa tecnologia para todo o Agreste Nordestino, chegando a cidades como Campina Grande, João Pessoa e Recife.
A parceria de transferência de tecnologia foi firmada entre a Secretaria de Agricultura de Caruaru e o IAC. De acordo com Caram, na região do Agreste Nordestino, em um raio de 200 quilômetros, onde se localiza Caruaru, existe uma tradição no cultivo da batata há mais de 50 anos. ?São mais de 50 mil famílias que dependem da lavoura de batata para sobreviver?, comenta o pesquisador.
Segundo o pesquisador, o objetivo da Secretaria de Agricultura é tornar a região um pólo no plantio do broto/batata-semente. A adaptação da nova tecnologia deve gerar novos empregos e aumentar a qualidade de vida da população nordestina, com mais renda para os moradores da região. A participação da agricultura familiar será importante na produção de broto/batata-semente para a exportação ? para os Estados brasileiros ou outros países. ?A nova tecnologia adaptada no Agreste Nordestino vai agregar valor à batata produzida na região e, assim, a renda dos agricultores será maior?, avalia Caram.
De acordo com o pesquisador, a baixa produção de batata na região do Agreste Nordestino fica na média de 15 toneladas por hectare, equivale à metade da produção das regiões sul e sudeste e na Chapada da Diamantina, na Bahia. Mas, diferente da produção de batata nessas regiões, no Agreste a taxa de multiplicação é maior, isso evidencia o potencial no plantio de broto/batata-semente na região. O sistema de produção de batata no Nordeste é baixo porque não dispõe de tecnologia. Uma das dificuldades dos agricultores do Agreste Nordestino é plantar em meses de seca. Não há irrigação e a aquisição de equipamento necessário implica elevados custos. Por esse motivo, os agricultores optam por fazer somente uma safra por ano nos meses de inverno, de meados de maio até metade de agosto, época das chuvas.
Toda a produção é voltada para o mercado da região. Contudo, a comercialização desses agricultores está ameaçada com a produção da batata Ágata, na região da Chapada Diamantina. Segundo Caram, cinco dos maiores produtores de batata do Brasil estão nessa região. De acordo com o pesquisador, tanto o cultivo na Chapada como no Centro-Oeste do País tem condições de ser feito com qualidade, pontualidade e em maior escala, atendendo grandes comerciantes.
Conforme comenta Caram, a transferência da tecnologia do IAC do Broto/Batata-Semente para a região do Agreste visa explorar o potencial de baixa taxa de degenerescência viral da batata-semente. A parceria entre a Prefeitura de Caruaru e o IAC terá o apoio de professores do Departamento de Fitossanidade da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Paraíba e a parceria com empresas privadas.Essa transferência de tecnologia tem o apoio da FUNDAG (Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola), de Campinas.
Nordeste tem boas condições para produzir batata-semente
De acordo com o pesquisador Caram, o Agreste Nordestino possui potencial de plantio de broto/batata-semente porque a lavoura é feita uma vez por ano, com o solo livre de plantas da vegetação espontânea, que podem ser reservatório de vírus. O mesmo papel que a neve desempenha na eliminação do vírus nos países frios é exercido pelo excesso de calor no solo do Agreste. ?O custo da produção cai pela metade com a eliminação dos insetos transmissores de virose no ambiente porque quase não é preciso pulverizar a lavoura?, destaca Caram.
Nos países nórdicos são feitas, em média, seis pulverizações em cada lavoura. No Agreste, há locais em que são feitas três pulverizações em uma safra. Nas plantações da região Sudeste e Sul do Brasil, localizadas em um clima subtropical e propício para o desenvolvimento de insetos e vírus, a média é de 15 pulverizações por lavoura. Com isso, os custos na produção por hectare ficam em torno de 6 mil dólares. Esse valor é o dobro do gasto por um produtor no Agreste Nordestino. Segundo Caram, há locais no Agreste de Pernambuco e da Paraíba em que a produção de batata é parecida com a orgânica, porque o agricultor não pulveriza a lavoura e faz a adubação usando esterco animal.
A batata-semente plantada atualmente na região de Caruaru tem em média mais de 10 gerações. Ou seja, há 10 anos não se importa batata-semente dos países do hemisfério norte, como Canadá e Holanda, para a renovação das plantações, ou do Estado de Santa Catarina, maior importador de batata-semente do Brasil.
Idiomar Tessaro - Estagiário - Assessoria de Imprensa - IAC
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