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IAC leva para a Agrifam tecnologias que geram opções a pequenos produtores

Evento será em Agudos, de 2 a 5 de agosto (31/07/2007)

A demanda por cana-de-açúcar para abastecer a indústria sucroalcooleira tornou a cultura uma das mais rentáveis do agronegócio brasileiro. Embora a produção canavieira seja predominante nas grandes propriedades, pequenos produtores também podem encontrar na canavicultura importante fonte de renda. Durante a IV Agrifam (Feira de Agricultura Familiar e do Trabalho Rural do Brasil), entre as tecnologias que serão apresentadas pelo Instituto Agronômico (IAC), serão disponibilizadas informações sobre o cultivo de cana-de-açúcar em áreas menores destinadas, por exemplo, à produção de açúcar mascavo. A feira acontece em Agudos, de 02 a 05 de agosto, no Instituto Técnico Educacional para Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo.
Segundo o pesquisador do Programa Cana IAC, Ivan Antônio dos Anjos, responsável por essa pesquisa, é possível obter cerca de 9,5 mil quilos do açúcar mascavo por hectare plantado com variedades de cana IAC. Com o preço de R$ 1,00 o quilo, a renda pode chegar a R$ 9,5 mil/ha ? sendo que metade desse valor cobre o custo de produção da lavoura e do açúcar. Ou seja, a cada hectare de cana destinado ao açúcar mascavo, o produtor pode ter um lucro de R$ 4,5 mil, de acordo com dados constatados nas pesquisas do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O açúcar mascavo é um produto da cana com valor agregado. Esse açúcar pode ser usado em diversos tipos de bebidas, como café e sucos, e até mesmo para acompanhar iogurtes. Além do mercado interno, a exportação é outra possibilidade: Alemanha, Holanda e Japão estão entre os países consumidores. No segmento de açúcar mascavo, o comércio externo só não é maior por falta de produto.
Além do açúcar, o produtor pode ampliar sua renda com a produção de rapadura e melado, este pode ser servido como geléia, acompanhando bolacha, queijos e até mesmo mandioca. De acordo com o pesquisador do Programa Cana IAC, a coloração e consistência desses produtos variam conforme a variedade usada e a escolha do material cultivado deve ser feita em função do mercado a ser atendido.
Anjos ressalta também que na fabricação desses produtos, o agricultor pode dispensar a madeira usada como lenha e aquecer a caldeira com o próprio bagaço da cana, além de outras opções para alimentar o fogo, como folhas e serragem. ?São opções existentes dentro da propriedade e que contribuem para reduzir o custo de produção?, afirmou.
Fora da Feira, os produtores que quiserem obter informações sobre a fabricação desses produtos poderão visitar a unidade piloto para produção de açúcar mascavo na sede do Programa Cana IAC, em Ribeirão Preto.
Fruticultura e a produção de hortaliças serão tema de palestras de pesquisadores do IAC
A fruticultura é uma outra boa opção de renda para as pequenas propriedades, por isso o IAC apresentará ao público da IV Agrifam novas alternativas para a produção de frutas, tema de uma das palestras que os pesquisadores do Instituto irão proferir durante o evento. A produção de hortaliças ? que assim como a fruticultura tem papel importante na produção agrícola das pequenas propriedades ?será o outro assunto abordado. As duas palestras acontecerão nos dias 02 e 03, no auditório da feira. ?Iremos mostrar aos produtores algumas opções de frutas que servem para o cultivo orgânico, como a nêspera e a amora-preta, as novas variedades de pêssegos e nectarinas criadas pelo IAC e outros materiais que apresentam uma menor exigência de frio?, afirma o pesquisador do IAC, Edvan Alves Chagas. Segundo ele, essas novas tecnologias, permitirão o cultivo desses materiais em regiões de temperaturas mais elevadas, possibilitando que áreas menos tradicionais de cultivo possam ser exploradas.
De acordo com o pesquisador, a produção de frutas é um investimento que traz bastante retorno por ser uma atividade com valor agregado ? nos últimos anos, o Brasil exportou cerca de 850 mil toneladas de frutas frescas, gerando receita de US$ 370 milhões. ?A fruticultura traz alta rentabilidade para a agricultura familiar e pode ser ainda maior se for utilizado o sistema de produção orgânica?, ressalta Chagas. Além da palestra, os produtores poderão adquirir variedades frutíferas desenvolvidas pelo IAC, à venda no estande do Instituto.
Já a pesquisadora do IAC, Silvia Moreira, abordará em sua palestra como os produtores podem ser beneficiados por meio de parcerias com instituições de pesquisa agrícola. O tema foi definido a partir de resultados bem sucedidos, como o ?Treinamento avançado em produção de espécies hortícolas no Parque Tecnológico de Horticultura do Instituto Agronômico?, que proporcionou, a um grupo de 19 jovens assentados, a possibilidade de aprimorar seus conhecimentos agrícolas, garantindo assim, a diversificação de sua fonte de renda na pequena propriedade. Segundo a pesquisadora, essa troca de informação entre produtores e pesquisadores é bastante rica e, estabelecido esse elo, é possível planejar futuros projetos e parcerias.
Arroz preto e abacaxi que não precisa ser descascado
Outras duas tecnologias do IAC estarão à disposição dos pequenos produtores durante a IV Agrifam: a variedade de arroz preto tipo exótico, IAC 600, e o abacaxi que não precisa ser descascado, IAC Gomo-de-mel. Os dois materiais visam atender a nichos específicos de mercado e são atrativos, não por suas características peculiares, mas também por possuir alto valor agregado.
Lançado em 2004, o IAC 600 é a primeira variedade de arroz preto adaptada para o cultivo no Estado de São Paulo. Com a novidade, o orizicultor tem disponível um material cujas formas de cultivo são semelhantes às do arroz tradicional, entretanto, é bem mais rentável ? o quilo do arroz agulhinha está em torno de R$ 2,00, enquanto o do arroz preto custa R$25,00.
Quanto às características agronômicas, esse material é altamente resistente à brusone, principal doença do arroz, tem porte baixo, é precoce ? com cerca de 85 dias do plantio à colheita ? e se adapta bem na região do Vale do Paraíba. A produtividade é aceitável para o nicho de mercado, mas é menor quando comparada ao arroz tradicional ? entretanto o preço a que é vendido supera, em muito, essa diferença.
Para o consumidor, a vantagem é que o arroz preto é um alimento de excelentes qualidades nutricionais, além de ter um sabor amendoado, bastante agradável. Comparado com o arroz integral, supera este na quantidade de proteínas, de fibras e de carboidrato, além de ter menor valor calórico e menos gordura. Outro destaque dessa variedade é que a IAC 600 tem dez vezes mais compostos fenólicos que o melhor material já analisado em testes na Universidade do Texas. Esses compostos fenólicos são benéficos à saúde humana por serem antioxidantes.
IAC Gomo-de-mel
O abacaxi IAC Gomo-de-mel, além da praticidade de não precisar ser descascado ? para consumi-lo basta cortá-lo ao meio e retirar-lhe os gomos ?, também se diferencia por ser um produto de maior valor, o que compensa os investimentos iniciais em mudas.
Essa variedade, lançada em 2004, ainda conquista os consumidores pela aparência de seus gomos amarelo-ouro, mais atraente que as variedades existentes no mercado, e pelo sabor, bastante doce e com baixa acidez.
O cultivo de IAC Gomo-de-mel requer clima quente, como as condições do centro do Estado de São Paulo até o norte do País. Já o solo deve ser arenoso ou pouco argiloso, e bem drenado.
Carla Gomes (MTB: 28156) e Igor Carvalho (MTB: 48421) ?
Assessoria de Imprensa IAC
SERVIÇO
02 de agosto ? quarta-feira ? 16h
Palestra: Novas Alternativas de Frutas para o Pequeno Produtor Familiar
Palestrante: Edvan Alves Chagas, pesquisador do IAC

03 de agosto ? quinta-feira ? 10h
Palestra: Horticultura, IAC e Agricultura Familiar
Palestrante: Silvia Moreira, pesquisadora do IAC

Outras informações sobre essas e outras tecnologias desenvolvidas pelo IAC podem ser obtidas junto à Assessoria de Imprensa do Instituto, pelo telefone (19) 3231-5422, ramais 124 e 128.

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