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Prêmio Frederico de Menezes Veiga 2007 vai para pesquisador do IAC\r\n\r\n

O reconhecimento se justifica pela abrangência socioeconômica das pesquisas com cafeeiro

Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa - IAC
O conhecimento leva à liderança. Esta é a idéia do tema do prêmio Frederico de Menezes Veiga 2007 concedido a pesquisadores científicos. Nesse contexto ? em que a persistência e a excelência no trabalho conduzem ao reconhecimento ? o pesquisador Luiz Carlos Fazuoli, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, foi escolhido, este ano, para receber esta homenagem, que é uma das mais almejadas no meio científico. Concedido anualmente pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o prêmio teve, em sua 29ª edição, 128 indicações, feitas por diversas instituições de pesquisa, sob o tema \"O Brasil e a Agricultura Tropical: Liderança mundial movida a conhecimento\". A cerimônia de entrega será este mês, em Brasília.
Na opinião do agraciado, esse prêmio é o reconhecimento de 37 anos de trabalho sobre Genética e Melhoramento do Cafeeiro no IAC. Fazuoli ressalta que as atividades desenvolvidas no Instituto Agronômico não se limitam ao desenvolvimento de variedades de café, mas se estendem também na geração e transferência de soluções tecnológicas para o agronegócio café do Brasil e no treinamento de futuros pesquisadores. ?Ser escolhido entre 128 nomes de alto nível e sendo avaliado e julgado por uma comissão formada por renomados cientistas amplia o valor desse prêmio é me traz uma satisfação maior ainda?, diz Fazuoli.
Fazuoli trabalha no IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, desde 1970, onde desenvolve o Programa de Genética e Melhoramento do Cafeeiro. Durante 23 anos atuou ao lado de Alcides Carvalho ? um dos maiores líderes científicos em melhoramento do cafeeiro no mundo. E quando é perguntado a quem ofereceria o prêmio, não hesita: ?Ofereceria ao doutor Alcides Carvalho, que foi o meu grande mestre?.
Ao longo da frutífera carreira, participou do desenvolvimento das novas seleções de café Mundo Novo, objeto de sua tese de Mestrado na ESALQ-USP em 1977. A tese de doutorado de Fazuoli, defendida em 1991 na Unicamp, está relacionada com as variedades Icatu Vermelho e Icatu Amarelo, lançadas pelo IAC em 1992, e a Icatu Precoce, lançada em 1996. Fazuoli também participou da avaliação final das variedades Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo e Acaiá. Atualmente esses quatro materiais representam 90% da cafeicultura brasileira de café arábica, totalizando cerca de 6,2 bilhões de cafeeiros e 2,3 milhões de hectares, sendo Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Paraná os maiores produtores. Com isso, estima-se que de cada 100 cafezinhos consumidos no planeta, 1,27 tem origem brasileira.
Resultados
As variedades Catuai Vermelho e Catuai Amarelo modificaram os sistemas de produção, aumentaram a lucratividade e viabilizaram a utilização de novas áreas para a cafeicultura em regiões antes improdutivas, como a grande área de cerrado existente não só em São Paulo, mas no Triângulo Mineiro e em outras regiões de Minas Gerais.
Atualmente esses materiais também estão sendo plantados em grande escala em novas áreas irrigadas na Bahia e em áreas quentes de Minas Gerais, com temperatura média anual em torno de 26 graus. Nesse contexto, tem-se produtividade elevada ? cerca de 60 sacas de café beneficiado por hectare ? estabelecendo novos paradigmas na cafeicultura brasileira de café arábica. ?Considerando as preocupações atuais com o aquecimento global, essa contribuição torna-se ainda mais significativa, já que a Catuai Vermelho produz bem em áreas com temperaturas elevadas, desde que os cafeeiros sejam irrigados?, avalia Fazuoli. ?Isso fornece novo alento aos cafeicultores do País?, diz. Segundo Fazuoli, um programa de melhoramento visando selecionar cafeeiros tolerantes às condições adversas ? seca, alumínio e temperaturas mais elevadas ? está sendo desenvolvido já há algum tempo no IAC e com resultados promissores.
De acordo com o agraciado, estudos sobre o retorno socieoeconômico dos investimentos em pesquisa na cultura do café, em São Paulo, mostraram que, após um período de 18 anos, a sociedade passou a receber um benefício anual líquido de tendência crescente, com uma taxa interna de retorno que variou de 17 a 27%. ?Não fossem as pesquisas sobre melhoramento, esse retorno teria sido muito menor ou inexistente?, garante o pesquisador premiado.
A relevância social da contribuição de Fazuoli está justificada em números: a cafeicultura brasileira conta com cerca de 370.000 propriedades agrícolas, sendo 25% de cafeicultura familiar. Para esses produtores o acesso a tecnologias agrícolas é condição de sobrevivência da atividade. Os campos de café estão distribuídos em 1850 municípios, em 13 estados do País. São 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos, com 7 indústrias de café solúvel, 77 Cooperativas e 166 exportadoras relacionadas com o produto.
Brinde ao café!
Em seu característico bom humor, Fazuoli fala do prêmio e comenta que sua ?aura está brilhando muito.? E ele tem razão. Em 2006 recebeu o prêmio da Fundação Conrado Wessel, na categoria ?Ciência Aplicada ao Campo?. Também em 2006 foi considerado Destaque em Pesquisa pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo. Em 2001, Fazuoli foi agraciado com a Medalha Paulista de Mérito Científico e Tecnológico concedida pelo então Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Naquele mesmo ano, foi homenageado como aluno símbolo da ESALQ, por ocasião do centenário da Escola. É melhor encerrar a lista de reconhecimentos pois é elevada produção científica de Fazuoli, com 78 artigos científicos publicados em periódicos, 227 em eventos, 15 capítulos de livros e 81 produtos tecnológicos, dos quais 64 possuem registro no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Premiação
O prêmio Frederico de Menezes Veiga é concedido, anualmente, pela Embrapa a um pesquisador da própria Empresa e a outro externo, pertencente a instituições de ensino e pesquisa. O premiado recebe uma peça de arte, um diploma e uma quantia em dinheiro. O objetivo é valorizar os responsáveis por grandes contribuições à sociedade.
Dentro da Embrapa, a agraciada este ano é a pesquisadora Cacilda Borges do Valle, agrônoma formada pela Escola Superior de Agricultura ?Luiz de Queiroz? da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), com mestrado em Agronomia pela Lowa University e doutorado em Melhoramento de Plantas pela Illinois University. Fez pós-doutorado em Manejo de Pastagens e Produção de Forragens na Colorado State University. Cacilda trabalha há 25 anos com a forrageira tropical Brachiaria ? maior cultura desenvolvida pela Embrapa e maior cobertura vegetal produtiva do Brasil.
Fala o premiado
Durante minha carreira científica, tive apoio e colaboração de pesquisadores do Centro de Café %/%Alcides Carvalho%/% do IAC e de outros departamentos de pesquisa do Instituto Agronômico, Instituições de Pesquisa e Desenvolvimento, Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, coordenado pela EMBRAPA/Café, universidades e produtores. Dessa maneira, este Prêmio é extensivo a todas as pessoas que sempre me incentivaram e me apoiaram.


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