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Pesquisador do IAC é agraciado com o Prêmio Péter Murányi 2007

Cerimônia será no dia 16 de abril, em São Paulo.

Por Igor Carvalho ? Assessoria de Imprensa ? IAC
A bioenergia, ao longo das últimas três décadas, destaca-se como uma das fontes de combustíveis mais promissoras ? além de ser renovável, é também menos poluente que o petróleo, característica relevante em uma época com previsões alarmantes sobre o efeito estufa. Ciente da importância do desenvolvimento dessas novas fontes de energia, a Fundação Péter Murányi agracia o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Ângelo Savy Filho, com o Prêmio Péter Murányi, por sua dedicação ao cultivo da mamona, importante matéria-prima para produção de biodiesel. A cerimônia de premiação será realizada no próximo dia 16 de abril, às 19h30, no Espaço Rosa Rosarum, na capital paulista.
O agraciado receberá um troféu e um certificado como forma de reconhecimento pela sua contribuição no desenvolvimento científico e tecnológico de fontes de energia renovável, foco desta edição do prêmio. O pesquisador foi um dos responsáveis por quatro das seis variedades de mamona desenvolvidas pelo IAC, ao longo de quase 30 anos de trabalho ? iniciado em período em que os biocombustíveis ainda eram apenas promessas, em um horizonte futurista e longínquo.
?A premiação é um incentivo e vem coroar, além do meu trabalho, também o trabalho do IAC, já que parte das minhas pesquisas são frutos de atividades anteriores, de três ou quatro gerações de pesquisadores. Agora, deixo o meu legado para que novos pesquisadores dêem continuidade?, ressaltou Savy.
Para o diretor-geral do Instituto, Orlando Melo de Castro, o prêmio traz reconhecimento tanto para o pesquisador, como também para a Instituição, responsáveis pelo desenvolvimento de grande parte dos materiais plantados no País ? as variedades IAC-Guarani, IAC-2028. ?É uma satisfação muito grande para nós, ainda mais que o prêmio vem de importantes entidades ligadas à pesquisa. Com essa divulgação, temos a oportunidade de mostrar para a sociedade a nossa atuação, o que nos torna mais competitivos, além de auxiliar na obtenção de recursos para novas pesquisas?, justificou.
Nesta edição do prêmio foram indicados 43 trabalhos e, dentre eles, o júri destacou as pesquisas com mamona, do pesquisador do IAC, como sendo o de maior contribuição, não só para a produção de combustível vegetal, mas também por sua função social. Ao desenvolver as variedades de mamona IAC-80, IAC-226, IAC-Guarani, IAC-2028, parte de um conjunto de conhecimentos que permitem a obtenção de uma maior produção, com custo mais baixo e dispondo de unidade de área menor, o cultivo tornou-se mais acessível aos produtores, principalmente àqueles ligados à agricultura familiar. ?A mamona é a matéria-prima obrigatória para a produção do biodiesel na região nordeste do País. Os produtores, quando utilizam a mamona produzida por pequenos agricultores satisfazem, no mínimo em 50%, a condição necessária para a obtenção do selo ?Combustível Social?, para a isenção de impostos na comercialização do biodiesel. Por isso, a mamona é também um fator de inclusão social na economia regional?, contou Savy.
As oleaginosas começaram a despertar nos cientistas interesse especial a partir da década de 70, diante da crise do petróleo. No Brasil, foram criados dois programas voltados à produção de biocombustível, o Pró-Álcool e o Pró-Óleo ? embora este tenha ficado esquecido quando a produção petrolífera se estabilizou. Segundo o pesquisador, a Instituição é um dos únicos centros de pesquisas do País a desenvolver atividades relacionadas à mamona e, além do seu pioneirismo ao iniciar esse trabalho em 1936, ela também é responsável por sustentar a produção nacional e vislumbra a manutenção e ocupação de novas áreas desse cultivo no Brasil a ponto de elevá-lo à posição de principal produtor mundial.
De acordo com Savy, hoje a mamona tem um papel importante, pois destaca-se como um óleo industrial para a confecção de produtos equivalente aos derivados de petróleo, mas com custo de produção inferior. ?O prêmio traz também uma maior visibilidade aos trabalhos realizados com a mamona, não só para o biodiesel, mas para os mais diversos fins a que ela se destina?, complementou.
Conheça o Premiado
Angelo Savy Filho é Pesquisador Cientifico, nível VI, do IAC, onde ingressou em 1969. Aposentou-em 2006, mas continua atuando como pesquisador voluntário na Instituição. É graduado em agronomia pela Escola Superior de Agricultura ?Luiz de Queiroz? e mestre em ?Solos e Nutrição de Plantas? pela mesma instituição. Em sua carreira científica e tecnológica desenvolveu trabalhos com as plantas oleaginosas como amendoim, gergelim e mamona ? sendo que a essa variedade dedicou maior parte do seu trabalho.
Ao longo de sua profissão, publicou 66 artigos técnico-científicos em periódicos especializados e 14 trabalhos científicos em anais de eventos. Teve também dois livros publicados e participação em capítulos de outros quatro. Possui autoria em seis produtos tecnológicos tais como obtenção de quatro cultivares de mamona e uma de gergelim, além de participação na construção de protótipo de colhedeira de mamona.
Prêmio Péter Murányi
Há seis anos, a Fundação Péter Murányi premia pessoas e instituições de todo o mundo que tenham contribuído para o progresso científico nas áreas da saúde, alimentação, educação ou desenvolvimento científico e tecnológico que beneficie as populações situadas abaixo do paralelo 20 de latitude norte, em especial o Brasil. A entidade foi idealizada pelo empresário húngaro Péter Murányi com o objetivo de estimular o desenvolvimento de trabalhos científicos, além de promover e colaborar com atividades culturais e assistenciais.

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