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Workshop de Pós-Colheita traz informações sobre condições de produtos exigidas no mercado
Evento acontece de 10 a 12 de abril de 2007, na sede do IAC, em Campinas.
Consumidores escolhendo esta ou aquela fruta ? esta é a cena mais comum em varejões ou mercados que vendem esses produtos in natura. As ?feias?, amassadas ou murchas ninguém quer levar para casa. Também no mercado de frutas, ?beleza é fundamental?, como disse o poeta Vinícius de Moraes. Daí a necessidade de a cadeia produtiva cuidar dessa etapa do agronegócio, pois os procedimentos da pós-colheita são tão importantes quanto os cuidados empregados durante o cultivo.
Com o objetivo de transferir os avanços em tecnologias de conservação pós-colheita, que vêm sendo obtidos pelos setores de pesquisa e desenvolvimento das instituições públicas e privadas do Brasil e do exterior, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, realizará o II Workshop Internacional de Pós-colheita de Frutas e o III Workshop Internacional de Pós-colheita de Citros. Os dois workshops acontecerão em um único evento, de 10 a 12 de abril de 2007, na sede do IAC, em Campinas. O encontro promoverá discussões em torno dos novos rumos da fruticultura de mesa paulista e brasileira. Os participantes do evento terão acesso a especialistas da área de pós-colheita do Brasil e de outros países, como França, Espanha, Canadá, Itália, Argentina, Costa Rica e México. O evento é dirigido a agrônomos, produtores, técnicos, professores e alunos, que têm participações distintas nas cadeias produtivas de frutas e citros e poderão solucionar dúvidas diversas durante o encontro.
Nos últimos anos, os aumentos das safras, do consumo e das exportações levaram à necessidade de um abastecimento constante de frutas frescas no mercado, em condições adequadas de comercialização e industrialização. Por isso é também crescente o interesse pela pós-colheita de frutas. ?Os frutos em geral, e os citros em particular, são produtos perecíveis, que após a colheita continuam seu processo de maturação e senescência?, explica a coordenadora do evento e pesquisadora do IAC, Lenice Magali do Nascimento. Essas características levam à degradação progressiva do produto, com perda de qualidade e durabilidade. De acordo com a pesquisadora do Centro APTA Citros ?Sylvio Moreira?, do IAC, grande parte dessas perdas decorre da falta de conhecimento da fisiologia pós-colheita e de técnicas mais adequadas para a conservação dos frutos.
Segundo os pesquisadores, muitos trabalhos vêm sendo realizados com o objetivo de desenvolver novas tecnologias de tratamentos e de armazenamento pós-colheita, visando prolongar o período de comercialização, com o aumento da qualidade de fruta fresca. No IAC, vem sendo realizadas pesquisas no segmento de pós-colheita de citros e outras fruteiras, entretanto a quantidade de trabalhos já realizados ou em andamento é insuficiente para suprir as carências do setor.
O Brasil ainda carece de investimento em trabalhos de pesquisas em pós-colheita. O País também precisa avançar na orientação de produtores e revendedores sobre como trabalhar adequadamente com produtos sensíveis e suscetíveis ao ataque de patógenos, evitando enormes perdas, quantificadas principalmente nos pontos de venda.
O caminho da pós-colheita
A pós-colheita abrange o caminho das frutas desde a porteira da propriedade até a mesa do consumidor, passando pelo tratamento na unidade de beneficiamento, onde os frutos são lavados, selecionados, tratados com fungicidas para o controle de doenças nessa etapa, encerados com produtos de recobrimento, embalados, armazenados a frio ou distribuídos imediatamente nos pontos de venda.
Os consumidores brasileiros, até alguns anos atrás, eram pouco exigentes em relação à qualidade das frutas que consumiam. Porém, esse quadro vem se alterando rapidamente. ?Atualmente, durante a compra, os consumidores estão atentos à aparência das frutas, ligando o aspecto às ausências de manchas, de ferimentos, de fungos, de murchamento, e preferindo frutos intactos, com coloração típica da variedade, com brilho da casca e embalados adequadamente?, afirma a pesquisadora.
A coordenadora dos eventos esclarece que os tratamentos utilizados nas unidades de beneficiamento diferem conforme a variedade ? cada uma recebe tratamento específico, levando-se em consideração a resistência da casca e da polpa. ?Quanto melhor a aparência, maior a facilidade de comercializar o produto, por isso o esforço de alguns comerciantes em agregar valores que entusiasmam o consumo de frutas?, afirma.
De acordo com Lenice do Nascimento, um produto só alcança o consumidor final em boas condições se for colhido por meio de técnicas adequadas, que envolvem o correto manuseio do produto ? desde a colheita até a embalagem ? e os tratamentos fitossanitários específicos da variedade, respeitando-se os registros junto ao MAPA. A conservação do produto ainda requer transporte adequado. ?Com esses cuidados, evita-se o desperdício causado pela ausência de técnica e pelas doenças, responsáveis por grande parte das perdas na pós-colheita?, diz. Segundo Lenice, estima-se que a maior parte da produção de frutas brasileiras é perdida antes de chegar à mesa do consumidor. ?Se a perda for da ordem de 50%, como acontece com a maioria das variedades de nossas frutas, a cadeia produtiva perde 50% em benefícios econômicos?. A pesquisadora ressalta que nesses casos, perde o produtor, o revendedor, o País e, principalmente, o consumidor, pois diminui a oferta e elevam-se os custos.
A adoção de técnicas adequadas de manuseio pós-colheita tem o custo elevado se for considerado o primeiro momento, com a instalação de equipamentos de beneficiamento, de refrigeração e de transporte. Porém, se esse custo pode ser compensado com o aumento da produção, do beneficiamento de mais produtos e do alcance de maior nicho de consumidores. ?Com esses procedimentos, a qualidade propicia maior durabilidade do produto, seja na casa do consumidor, nos pontos de vendas ou no armazenamento das frutas com vistas à sua distribuição na entressafra?, explica Lenice.
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