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3º Simpósio Internacional de Café trata de arborização dos cafezais: alternativa de produção equilibrada

Mais uma ferramenta para a cultura que ocupa 106 mil ha no Brasil e produz 2.200 ton. em 2006 (30/10/2006)

Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC
Na busca por respostas para atender necessidades dos diversos segmentos da sociedade, a ciência gera ferramentas tanto para o aproveitamento de boas alternativas como para a criação de oportunidades em situações desfavoráveis. As regiões com características inadequadas para o cultivo de café podem ser produtivas se usadas técnicas que driblem as adversidades. Para trazer mais uma opção para a cafeicultura em áreas inaptas ao cafeeiro, o Instituto Agronômico (IAC) realiza simpósio sobre arborização de cafezais, de hoje até 1º de novembro, na sede do IAC, em Campinas. O 3º Simpósio Internacional de Café aborda aspectos de clima, qualidade, fitossanidade e produtividade do café no sistema de arborização, com o objetivo de provocar pesquisadores, técnicos e produtores a respeito do assunto.
No Brasil, essa técnica ? que busca o sombreamento moderado para amenizar extremos térmicos ? ainda é pouco utilizada porque o café a pleno sol tende a produzir mais. ?Como aqui temos uma infinidade de climas e solos para plantio, os cafeeiros são cultivados em áreas aptas para a cultura?, diz pesquisador do IAC, Sérgio Parreiras Pereira.
Os principais solos utilizados pela cafeicultura brasileira são muito ácidos e apresentam baixa fertilidade natural. A contínua exploração e o esgotamento dos solos somados ao surgimento de novos modelos de produção sustentável e à perspectiva de minimizar os impactos de geadas e temperaturas elevadas têm despertado o interesse crescente pela arborização de cafezais brasileiros, já que os benefícios da arborização aumentam à medida que o ambiente se torna menos favorável ao cultivo de café.
As irregularidades do clima, características das principais áreas produtoras das regiões Sul e Sudeste do Brasil, têm sido importante fator de desestabilização da produção. A arborização vem auxiliar principalmente nesse aspecto ? com ela é possível regular os extremos térmicos, diminuir as perdas por evapotranspiração e equilibrar o balanço hídrico em períodos secos. A arborização também contribui para reduzir a taxa de maturação em regiões mais quentes, fator que melhora a qualidade do produto, tanto em tamanho de peneira como em características da bebida.
Na região Sudeste, grande parte das lavouras de café está instalada em áreas de relevo que variam de ondulado a fortemente ondulado. Nessas condições, destaca-se o avançado estágio de erosão e elevada perda de matéria orgânica e denutrientes do solo. Nesse contexto, os sistemas agroflorestais são excelentes alternativas técnicas para proteger o solo e, consequentemente, preservar as propriedades físicas, químicas e biológicas da terra, especialmente em relevo acidentado.
Em São Paulo, desde 1999 o uso da arborização vem sendo observado em lavouras comerciais e em experimentais, nos municípios de Mococa e Pindorama. Dentre os resultados, verifica-se que com relação à incidência da radiação solar, as árvores promoveram atenuações médias anuais de 20% a 42%, sendo o menor índice em áreas com bananeiras, em Mococa, e o maior nas arborizações com coqueiro-anão verde, em Garça. A redução da incidência dos ventos é uma ocorrência comum quando comparada a arborização com o cultivo a pleno sol.
No Paraná, os resultados mais promissores dessa técnica referem-se à proteção das lavouras contra geadas, desde o plantio até plantas adultas, utilizando diferentes opções de espécies e técnicas de manejo. O uso da técnica, porém, requer conhecimento. É necessário, por exemplo, escolher corretamente a espécie para arborização de acordo com a sua adaptação regional e nível de competição por água, luz e nutrientes que será estabelecida com o cafeeiro. De acordo com os estudos, árvores com copas frondosas e densas são menos indicadas para arborização, pois exercerão acentuada competição por luz. Já as espécies com sistema radicular superficial e que extraem muita água do solo poderão apresentar elevada competição com os cafeeiros, prejudicando-os em regiões de balanço hídrico menos favorável ou durante veranicos.
A opinião de quem conhece a técnica
O público do evento conhecerá os resultados da arborização obtidos no consórcio do café com a seringueira e com a bananeira. Nas regiões Sul e Centro Sul do Brasil, a união com a cultura produtora de borracha natural beneficia não só o solo, por cobri-lo e recuperá-lo, mas também proporciona a melhoria de renda do produtor. Os resultados dos experimentos revelam que além de não haver efeitos negativos para as culturas, a arborização viabiliza uma alteração microclimática que beneficia o cafeeiro.
Outra experiência a ser exposta no Simpósio tratará da arborização com bananeira, que evitou problemas com geadas no cafezal.

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