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Pesquisa na PG-IAC busca sistema para melhor aproveitamento do látex da seringueira no Estado \r\n
O estudo envolve análise econômica de diferentes clones de seringueira, sob diversos sistemas de sangria (18/08/2006)
Por Carla Gomes (Mtb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC
Os estudos desenvolvidos no curso de Pós Graduação do Instituto Agronômico (IAC) buscam soluções concretas para os problemas existentes na agricultura. O Estado de São Paulo é o principal produtor de látex do Brasil, graças às pesquisas IAC, estudos que continuam na busca da melhoria desse segmento do agronegócio, cuja renda é proporcional aos lucros gerados pela cana-de-açúcar, cultura em maior área no Estado de São Paulo. Altamente rentáveis, os seringais geram R$ 6.000,00/ha. Atualmente, São Paulo conta com 60 mil hectares de seringueiras, gerando 12 mil empregos diretos fixos no campo, além de outros 12 mil indiretos. Somam-se ainda mais três mil empresários heveicultores, sendo mais de 90% pequenos e médios produtores, com seringais de 10 a 20 hectares. A pesquisa no IAC foca bons resultados sempre aliados a práticas sustentáveis. Por isso, a busca pelo aprimoramento da cultura e da melhor forma de extração do látex.
Duas pesquisas realizadas na Pós Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do IAC ? que está com as inscrições abertas até 22 de setembro de 2006 ? enfocam a heveicultura. Uma tese já concluída tratou da obtenção do melhor porta-enxerto para receber os clones de seringueira recomendados para plantio no Estado de São Paulo. ?Tema muito importante para resolver um problema que há muito tempo nos preocupava?, diz o pesquisador do IAC e orientador da Pós-Graduação, Paulo Gonçalves. A outra pesquisa, ainda em andamento, tem por objetivo conseguir o melhor sistema para explotar o látex da seringueira no Estado de São Paulo, já que um dos principais problemas encontrados na heveicultura em campos paulistas é o alto custo da extração da borracha, que envolve mão-de-obra especializada, reduzindo os lucros do heveicultor.
De acordo com Paulo Gonçalves, a forma de retirada do látex da seringueira é uma das práticas mais importantes da cultura, pois a maneira de extrair o látex é um fator que determina a vida útil do seringal e sua produtividade. E mais: a extração responde por aproximadamente 60% dos custos totais de borracha produzida. Ou seja, o processo de obtenção é decisivo para o sucesso do agronegócio da seringueira.
Diante dessa necessidade do setor, a pesquisa em andamento na PG-IAC, realizada pelo pós-graduando Juliano Quarteroli Silva, tem como principal objetivo identificar o melhor sistema de explotação do látex, para cada um dos dez diferentes clones de seringueira para a Região Oeste do Estado de São Paulo. Esse sistema envolve a viabilidade econômica, em termos de ganho líquido, e aspectos fisiológicos, como a menor incidência de seca do painel. O termo explotação do seringal compreende uma série de operações com a finalidade de obter o látex ? sua retirada do seringal e conservação, a fim de colocá-lo em condições de ser beneficiado.
Quarteroli e Gonçalves afirmam que outro aspecto importante nos sistemas de exploração comercial da seringueira é a ocorrência de seca do painel em árvores em sangria. Essa importante enfermidade conhecida como brown bast ou TPD (tapping panel dryness) ? provoca baixo rendimento ou obstrução completa da produção de látex e deformação da casca da árvore, porque a brown bast causa uma gradual seca do látex. Em casos raros, essa seca pode ser súbita. ?Provavelmente, essa enfermidade pode ser causada pela adoção de sistemas de explotação com alta freqüência de sangria e altas concentrações de estimulante?, afirma o engenheiro agrônomo e pós-graduando. Ele ressalta, porém, que as causas primárias da síndrome ainda não foram esclarecidas, apesar de toda a pesquisa desenvolvida sobre o assunto.
Como é a pesquisa com seringais na PG-IAC
Com o objetivo de avaliar o desempenho produtivo e econômico de clones de seringueira, sob diferentes sistemas de sangria, a pesquisa na PG-IAC está envolvendo a análise de vigor, produção, seca do painel e parâmetros econômicos. Neste, são abordados os itens receita bruta, salários, insumos e materiais agrícolas utilizados. ?Estamos estimando os custos totais, receita líquida e ganho líquido para cada clone por sistema de explotação?, diz Quarteroli, que iniciou as análises em março de 2006. A conclusão da pesquisa será em janeiro de 2008.
Sob a orientação do pesquisador Paulo Gonçalves, o experimento encontra-se instalado em uma fazenda no município de Guararapes, Estado de São Paulo. Os estudos envolvem dez clones de seringueiras diante de nove sistemas de retirada do látex.
Com base nos estudos, o aluno da PG-IAC explica que as hipóteses científicas são que a redução da quantidade de sangrias, de acordo com os sistemas estudados, além de diminuir os custos de produção e, conseqüentemente, proporcionar maior ganho líquido, poderá diminuir o trauma às plantas, aumentar o tempo de regeneração do látex entre duas sangrias e reduzir enfermidades fisiológicas, como a seca do painel. ?Um possível decréscimo da produção ocasionado pelos sistemas de baixa freqüência de sangria poderá ser minimizado com a adoção de um sistema de estimulação adequado?, avalia.
De acordo com o pós-graduando, os resultados preliminares da dissertação revelam que no sistema sangria a cada três dias com estimulação de ethefon a 2,5%, três clones estudados (RRIM 600, PR 255 e GT 1) apresentaram melhores produções acumuladas sendo PR 255 o clone mais produtivo.
A análise econômica dos diferentes sistemas de sangria dos três clones estudados, com base nos cinco anos de produção, mostra que o ganho líquido dos clones PR 255 e RRIM 600 no sistema de sangria a cada três dias com 2,5% de estimulação de ethefon, foram superiores em 43% e 47%, respectivamente, em relação à testemunha. Já o maior ganho líquido do clone GT1 foi obtido no sistema de sangria a cada sete dias com estimulação a 2,5% de ethefon, quando se observou uma superioridade de 61% em relação à testemunha (sangria a cada dois dias sem estimulação).
?Esses ganhos já foram confirmados de acordo com as análises preliminares dos dados, porém ainda existem sete clones a serem estudados e assim saberemos qual o melhor sistema de explotação, em termos de ganho liquido, para todos os clones estudados?, afirma o orientador.
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