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VI Dia de Campo de Tangerina foca qualidade e variedades sem sementes \r\n

Tangerinas sem sementes abrem possibilidade de mercado muito mais valorizado (12/06/2006)

Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC

Encontrar alguém que aprecie uma tangerina como sobremesa ou mesmo como lanche nos intervalos das refeições não é tarefa difícil. Gostosa, a tangerina costuma deixar seu aroma por onde passa. Apesar de fazerem parte da alimentação no cotidiano, a verdade é que, no mercado doméstico, não se investiu muito em variedades típicas de mesa, com diversificação de produtos processados e aprimoramento das técnicas comerciais. Na maioria das vezes, o agricultor planta sem imaginar a fruta nas mãos do consumidor ? isto é ? sem visualizar a cadeia produtiva como um todo.
Para enfrentar essa falta de planejamento no agronegócio de tangerinas, o Instituto Agronômico (IAC) irá realizar o VI Dia de Campo de Tangerina, no próximo dia 14 de junho de 2006, em Capão Bonito, das 9h às 16h.
Durante o evento, o público terá acesso a palestras e ao contato direto com as plantas. Na visita ao campo, os participantes têm a oportunidade de conhecer 22 variedades de tangerinas plantadas, incluindo as sem sementes e as que vêm apresentando tolerância à alternaria, doença que vem encarecendo e dificultando a produção.
De acordo com a pesquisadora do IAC, Rose Mary Pio, em geral, o produtor tem visão restrita à propriedade, sem pensar na fruta percorrendo as etapas da cadeia produtiva. ?Às vezes, o manejo um pouco diferenciado pode evitar problemas de comercialização?, afirma Rose. Para orientá-los nesse aspecto, o pesquisador do IAC, Fernando Alves de Azevedo, irá falar sobre as opções de variedades de tangerina e o manejo com vistas para a qualidade. ?A Fremont e a Thomas vêm apresentando tolerância à alternária?, explica Rose. Esse resultado pode alterar em muito os custos de produção, já que a doença vem aumentando em até cinco vezes o número de pulverizações necessárias para controlar o pomar.
Um dos problemas resultantes do manejo inadequado praticado pelo setor é a disponibilização de frutas pequenas e verdes, colhidas fora do tempo de maturação. Outra falha apontada pela pesquisadora é o armazenamento inadequado. ?Com isso, a casca da Ponkan, que é mais macia, fica amassada, e o consumidor não quer fruta amassada?, diz Rose.
Para ampliar a visão dos produtores sobre a tangerina no universo do consumidor, Fernando Bacic Olic, do Carrefour Brasil, irá falar sobre as exigências de padrão de qualidade na comercialização e as principais causas de perda no varejo. Os presentes ao Dia de Campo irão conhecer as ocorrências e causas que desestimulam os clientes a colocarem a tangerina no carrinho durante as compras.
?A qualidade da fruta depende de uma seqüência que começa com os cuidados no pomar, passam pelo pachinghouses (barracões) e refletem no consumidor?, explica Rose Mary Pio. A fim de contribuir para melhorar a percepção dos produtores e atentá-los para a importância dos cuidados, o evento irá abordar informações com foco na qualidade e sua relação com o manejo. São vários e pequenos cuidados que podem determinar se a fruta vai para a casa do consumidor ou não. Por exemplo, a tangerina deve ser colhida com tesoura e o corte deve ser rente à fruta para que o cabinho de uma fruta não fure a outra. Sem esse manejo, o resultado é aquele furinho que às vezes é encontrado na Ponkan e que até facilita a descasca. Porém, ele não pode existir na fruta de qualidade porque é uma porta para a entrada de bactérias e fungos, que destroem o produto.
A pesquisadora ressalta que são vários os cuidados no campo que fazem o produto final. Já nos pachinghouses, as frutas passam por banho, secagem, cera e secagem. ?Isso garante maior vida de prateleira e amplia o tempo para a fruta ser consumida?, explica.
O perfil do citricultor paulista reflete na questão do manejo das tangerinas. Caracterizado pela citricultura industrial, o produtor de São Paulo tem foco na quantidade e não na qualidade dos frutos. ?Na fruticultura, deve-se prezar pela qualidade, o produtor precisa ter uma visão artesanal do pomar?, diz. Rose.
Nesse sentido, a região de Capão Bonito é privilegiada por não ter predomínio de produção industrial. Além disso, o clima ameno favorece a produção ? adequado para o cultivo de tangerina. As frutas produzidas naquela região apresentam coloração mais atrativa, melhor sabor, melhor aparência e casca mais fina, lisa e sem mancha. Com tudo isso, têm maior valor agregado.
As informações a serem transferidas no evento, porém, podem beneficiar todas as regiões de São Paulo, já que a tangerina tem seu cultivo distribuído em todo o Estado, onde não há concentração de áreas de produção. ?A tangerina fica espalhada pelo Estado, quem planta laranja também planta tangerina, em menor quantidade?, explica Rose.
O manejo inadequado reflete na balança comercial ? no Brasil, cerca de 30% dos pomares são exportados, enquanto no Chile esse índice sobe para 70%. ?Além do manejo certo, a produção do Chile é privilegiada pelo isolamento geográfico, que a protege das doenças?, diz. Esse é mais um motivo para os produtores brasileiros adotarem cuidados e conquistarem o mercado externo.
Preço amargo não existe na Tangerina sem semente IAC
Pesquisa IAC disponibiliza ao agronegócio critrícola materiais e tecnologia para produzir frutos desejados por consumidores exigentes
As tangerinas sem sementes desenvolvidas pelo IAC e abertura de mercado com valor agregado serão outro tema deste VI Dia de Campo. A pesquisadora do IAC e responsável pela pesquisa, Rose Mary Pio, irá mostrar os campos, falar sobre as perspectivas, a experiência de quem já está produzindo o material e quem pode participar do trabalho. Um dos aspectos avaliados na escolha da área rural é o isolamento da tangerina sem sementes, que não pode ter contato com outras frutas cítricas.
As variedades sem sementes resolvem o principal problema dos produtores de tangerina: o preço. A caixa de 15 kg da variedade sem semente custa R$ 10,00, enquanto a caixa de Ponkan de 27 kg é vendida a R$ 3,50. ?Esse produto IAC abre oportunidade para nicho de mercado com melhor remuneração?, diz Rose. Ela explica que o baixo preço da Ponkan resulta do excesso de produção. Segunda a pesquisadora, os produtores precisam observar onde há espaços no mercado, onde distribuir o produto, o que o consumidor quer. ?A gente tem que começar do fim, para depois desenvolver o produto de acordo com a demanda.?
Para superar o problema do excesso de produção, as variedades sem sementes têm períodos de maturação diferentes entre si. Assim, o produtor tem fruta o ano todo, mas cada qual no seu momento. Dessa forma, evita-se o excesso, mas garante continuidade no fornecimento de produto aos atacadistas.
As variedades sem sementes Nova e Clemenules já foram inclusive testadas junto aos atacadistas que atuam na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). A apresentação foi feita no último dia 17 de maio e os materiais foram aprovados por quem entende de venda ? dos 15 atacadistas que trabalham com citros, 10 participaram da apresentação das tangerinas, feita pela pesquisadora do IAC. Além de ouvirem explicações sobre as características e qualidades das novas tangerinas, os atacadistas também degustaram as frutas que, além de não terem sementes, apresentam boa coloração, ótimo sabor e tamanho que atraem os consumidores.
Um dos cinco locais onde está sendo cultivadas as tangerinas sem sementes é Taquarivaí, onde foi plantado o primeiro campo, em 2003. Lá, em quatro hectares há quatro variedades sem sementes ? Nova, Ortanique, Clemenules e Satsuma Okitsu. As duas primeiras, por serem menores, não exigem espaçamento grande, então é possível ter mais plantas por área.
Para iniciar o trabalho foram escolhidas quatro variedades sem sementes, com período de colheita de março a outubro. Atualmente, cinco produtores cultivam a tangerina sem sementes em cinco municípios: Angatuba, Taquarivaí, Capão Bonito, Buri e Sorocaba.
Esse audacioso projeto de cultivo de tangerina sem sementes foi implantado pelo IAC, na região de Capão Bonito, em 2003. O objetivo é estimular e orientar o cultivo de variedades que atraem mercados da Europa e dos Estados Unidos. As variedades ainda têm características para ocupar nichos de mercado nacional com elevado valor agregado. O trabalho é inédito no Estado de São Paulo e destina-se a aumentar a exportação de tangerinas por meio de frutas que agradam mercados mais exigentes. Atualmente, existe uma pequena produção desse tipo de tangerina no sul do País. No mundo, a Espanha é o maior produtor de tangerina sem sementes. Israel e Marrocos também cultivam essa fruta. E é desses países que vêm a literatura sobre o assunto usada no Brasil, pois o IAC é a primeira instituição de pesquisa a desenvolver estudos sobre essa variedade.
A pesquisa do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), destina-se a oferecer aos produtores tecnologia para conquistar novos mercados. E a produção de tangerinas sem sementes já é realidade em São Paulo
SERVIÇO
VI Dia da Tangerina
Data: 14 de junho de 2006
Horário: das 9h às 16h
Local: Pólo Regional do Sudoeste Paulista, Rod. Sebastião Ferraz de C. Penteado, km 232, Capão Bonito. em Capão Bonito.



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