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IAC lança o Programa IAC de Qualidade em EPI na Agricultura \r\n

O IAC já tem o primeiro laboratório trabalhando no incremento da qualidade de EPI e terá um dos primeiros laboratórios capaz de atestar esses materiais. (16/05/2006)

Por Carla Gomes (MTb 28156)
A cobrança pela responsabilidade social é uma das mais novas barreiras impostas na briga pelos mercados consumidores mundiais. Quando o agricultor vence as exigências fitossanitárias e fiscais, surgem cobranças em relação aos cuidados com o ambiente ou com a saúde dos trabalhadores rurais. Neste quesito, o Brasil ainda deixa a desejar por não dispor de normas para certificar a qualidade das vestimentas usadas como Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na agricultura.
A resposta para essa questão está chegando como resultado de um trabalho do Instituto Agronômico (IAC), junto a empresas fabricantes e usuárias de EPI. O IAC irá lançar o Programa IAC de Qualidade em Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura, no dia 17 de maio, às 10h, no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, na Agrishow 2006. A feira acontece em Ribeirão Preto, de 15 a 20 de maio. O público da Feira irá conhecer o Selo IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura, que será atribuído às empresas fabricantes de EPI que atenderem à proposta do Programa.
Até o momento, a falta de normas para esse setor faz com que, no Brasil, o Certificado de Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho, documento necessário para que uma vestimenta seja considerada como equipamento de proteção, seja emitido com base na apresentação de uma Anotação de Responsabilidade Técnica. Esta é emitida pelo fabricante, que se responsabiliza pela qualidade do equipamento de proteção fornecido. Entretanto, não há comprovação efetiva sobre a eficácia desse EPI. ?Esta situação faz com que o trabalhador use vestimentas que possuem o CA para manipulação de agrotóxicos, que, no entanto, lhe proporcionam pouca ou nenhuma proteção contra o risco a que está exposto?, afirma o pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos.
Preocupado com essa lacuna, o Instituto Agronômico (IAC), em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG) e com fabricantes de vestimentas de proteção individual estabeleceram o Programa IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA).
Nesse Programa, os pesquisadores do IAC, com o apoio financeiro das empresas participantes e de órgãos oficiais financiadores de pesquisas, vêm estudando normas nacionais e internacionais que possam ser aplicadas às vestimentas de proteção. O objetivo é melhorar a qualidade da matéria-prima utilizada na confecção dessas vestimentas, a fim de proteger a saúde do trabalhador, melhorar os equipamentos já existentes e buscar a certificação desses materiais.
Por enquanto, a ênfase do trabalho está nas vestimentas porque mais de 90% da exposição do aplicador se dá por meio da pele, de acordo com o pesquisador do IAC. Com esse foco, a análise envolve os diferentes tipos de tecidos usados nos EPI e os diversos tipos de tratamento de hidrorrepelente (tratamento feito nos tecidos para evitar que o agroquímico chegue à pele do aplicador). ?Estamos trabalhando para o estabelecimento de normas e equipando o laboratório do IAC para trabalhar dentro destes critérios. Assim, quando as regras estiverem estabelecidas, o IAC estará preparado para certificar EPI?, afirma Ramos. O pesquisador explica que, por enquanto, não há padrão definido no Brasil, então o trabalho de desenvolvimento e pesquisa se orienta por normas internacionais. ?O IAC terá um dos primeiros laboratórios capaz de atestar esses materiais, assim como já tem o primeiro laboratório trabalhando não só na avaliação, mas também no incremento da sua qualidade?, diz.
O desenvolvimento dos materiais adequados pauta-se por importante visão: se o setor agrícola preocupar-se apenas com a definição de normas, quando estas forem definidas, os materiais e equipamentos ora existentes poderão não estar aptos para atendê-las na integridade, sendo impedidos de obter a renovação do CA. Assim, ?o trabalhador poderá ainda continuar nu em relação à proteção?, avalia Ramos. Por isso, o grupo vem trabalhando a definição de normas junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), concomitantemente com o desenvolvimento dos materiais de EPI. ?Dessa forma, quando a norma estiver estabelecida, haverá com certeza materiais e equipamentos aptos a atendê-la?, explica. A expectativa da ABNT é que a norma esteja pronta para implantação até o final de 2006.
Outras faces do trabalho
Nesse trabalho do IAC, além da análise de materiais e equipamentos, a qualidade dos EPIs vem sendo enfocada de outras formas. Outra face da pesquisa se dá na participação ativa de membros da Instituição em um trabalho conjunto com fabricantes e usuários de EPIs junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), no sentido de desenvolver normas que atestem a qualidade dos equipamentos disponibilizados ao agricultor. Esse trabalho é realizado há 2 anos.
Este ano, o pesquisador do IAC, Hamilton Ramos, foi nomeado ? pela ABNT ? representante do Brasil na ISO (International Standart Organization) para colaborar na elaboração de normas internacionais de qualidade de equipamentos de proteção voltados para a agricultura.
O novo grupo IAC de qualidade está inserido em um contexto mais amplo de trabalho do IAC, em que as pesquisas envolvem a segurança de máquinas, implementos e das condições de trabalho no campo, como por exemplo, a exposição ocupacional de trabalhadores à calda de agrotóxicos e a adequação dos EPIs utilizados. No IAC, tais estudos ocorrem desde 1995 e agora, com o conhecimento já adquirido em todas essas atividades, a pesquisa chega também à qualidade dos equipamentos de proteção individual.

Pesquisa tem parceria inédita com empresas
O Selo IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura será concedido às empresas parceiras da pesquisa. Segundo o pesquisador do IAC, Hamilton Ramos, as fabricantes de EPI assumem o compromisso de deixar de usar os materiais reprovados na pesquisa ou de alterar as informações de uso do EPI conforme os resultados das análises feitas, que são transmitidos às empresas periodicamente.
De acordo com o pesquisador, o uso do Selo IAC de Qualidade, num primeiro momento, não garantirá que os EPIs fabricados pelas empresas que o possuem atendam às normas nacionais ou internacionais de qualidade, já que essas ainda estão em estudo. ?Entretanto, sua utilização garantirá que tal empresa se preocupa com a qualidade dos equipamentos que produz, com a segurança que o mesmo proporciona ao trabalhador e que investe para a melhoria de ambos?, avalia Ramos. Segundo o pesquisador, assim que as normas estiverem estabelecidas, além de garantir a certificação dos equipamentos, a utilização do Selo IAC de Qualidade garantirá também que as empresas sejam periodicamente auditadas com relação à manutenção da qualidade.
Além disso, o grupo considera que as opiniões e sugestões das empresas são importantes para o processo de evolução, sendo obrigatório para a manutenção do direito de uso do selo a presença de, pelo menos, um representante em no mínimo 75% das reuniões ocorridas durante o ano. Os estudos contam inicialmente com a participação de cinco empresas, três de São Paulo e duas do Paraná, de grande penetração no setor produtivo em função de parcerias com empresas de agroquímicos. Porém, a participação no Programa está aberta a toda empresa preocupada com a qualidade e que queira contribuir com a evolução.

Serviço:
Lançamento do Programa IAC de Qualidade em Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura
Data: 17 de maio de 2006, às 14h
Local: Plot do IAC/SAA, na Agrishow 2006.

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