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Pesquisa do IAC leva óleo de manjericão para o Canadá
IAC dá apoio na condução agrícola e na extração de óleo (01/11/2005)
Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC
Diz a lenda que ao apertar com força a folha de manjericão na mão de uma pessoa desejada ela não mais se afastará....Crenças à parte, o fato é que o óleo extraído de manjericão como resultado de uma pesquisa IAC acaba de ganhar o Canadá. Essa relação comercial ? sim ? espera-se ser duradoura. É que o primeiro lote de linalol ? óleo essencial extraído de manjericão ? seguiu para o Canadá, no último dia 21 de outubro. Trata-se da primeira disponibilização do produto resultante de uma pesquisa concluída no Instituto Agronômico (IAC) em 2002. No estudo, o pesquisador do IAC, Nilson Borlina Maia, descobriu ser possível extrair do manjericão o linalol ? uma substância muito usada na fabricação de perfumes.
A chamada \"planta do rei\", que até então era usada principalmente na culinária, ganhou nova aplicação com a descoberta feita no IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A pesquisa trouxe novas oportunidades para os agricultores e chances de preservação para o ambiente, já que esse óleo usado na composição de perfumes vem sendo extraído do pau-rosa ? árvore Amazônica em extinção em razão de uma exploração que começou no século XVII, quando a madeira era usada para carpintaria naval e mobiliária.
De acordo com o pesquisador, a primeira remessa exportada foi em torno de 40 quilos de óleo. ?O Canadá pediu todo o material que havia?, diz o pesquisador. Iniciada em agosto, a negociação com a indústria de aromas envolveu vários aspectos, como avaliação de perfumista e análise química do óleo. A variedade de manjericão que vem se adaptando melhor tem entre 30 a 40% de linalol. De acordo com Maia, foi testado material que apresentou até 70% da substância, mas a ocorrência de doenças inviabilizou esse cultivo. ?Houve todos os percalços naturais da agronomia, como variedades de manjericão que não se adaptaram?, diz o pesquisador. Apesar desses obstáculos fitossanitários e de outros burocráticos que envolvem o desenvolvimento e a aplicação de tecnologia, o pesquisador se diz surpreso com o curto tempo entre o início do projeto, em 1999, e a exportação do produto final, em 2005. ?Considero esse um sistema de pesquisa que evoluiu muito rápido. Do pensamento do projeto até a exportação não chegou a seis anos. Isso é pouco tempo para a aplicação de tecnologia agrícola.?
Tecnologia IAC
O objetivo da pesquisa IAC finalizada há três anos e então apresentada em Congresso no Canadá, país que agora recebe o primeiro lote do linalol, foi obter um óleo com as mesmas características dos principais componentes de perfumes. De lá para cá, o pesquisador trabalhou para a aplicação prática da pesquisa: reuniu produtores interessados no novo segmento e mobilizou pessoas e instituições para viabilizar a extração do óleo com vistas para a industrialização e comercialização. A dedicação do pesquisador resultou no apoio da Fapesp por meio do Pipe (Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas), que propiciou a instalação da empresa chamada Linax, que agora extrai o óleo. A mesma empresa fornece as mudas de manjericão aos produtores rurais, que, sob orientação do pesquisador do IAC, conduzem a lavoura e vendem o produto. A prefeitura de Votuporanga, onde está sendo desenvolvido o projeto, também teve importante participação na concretização do projeto, fornecendo área, apoio de infraestrutura e máquinas.
Tanto as plantações como os campos de produção estão instalados na região, que reúne condições adequadas para o desenvolvimento de plantas aromáticas. ?A região é muito boa em termos de clima e solo para o manjericão, que requer clima bastante quente e limitação de água no inverno, que pode ser facilmente contornada com irrigação, possibilitando a produção o ano todo?, afirma Maia. O tempo do plantio até a colheita tem sido de 60 a 70 dias, surpreendendo inclusive o pesquisador, que esperava um período de três a quatro meses. ?Podemos chegar a até seis corte por ano, mas de quatro a cinco cortes é certeza.?
Em busca desse mercado aberto pela tecnologia IAC, quatro produtores estão envolvidos na produção, que ocupa atualmente 12 hectares. A expectativa é que o projeto se estabilize em 200 hectares, segundo o pesquisador. ?Cada hectare e meio vai empregar uma pessoa. A expectativa é positiva pois a região é composta de muitas pequenas propriedades e a opção com manjericão representa a chance de se obter remuneração interessante?, avalia Maia. Até o ano passado, havia limitação na produção de mudas de manjericão, empecilho que está sendo resolvido neste ano. Outros dez agricultores já se inscreveram para ingressar na atividade, mas a adesão desses interessados vai depender do movimento do mercado que se inicia com a venda do óleo.
O pesquisador avalia que de agora em diante haverá um trabalho constante pelo desenvolvimento de melhores variedades, com maior rendimento de óleo e mais resistente a doenças. A incorporação de outras espécies ao segmento de óleos essenciais é outra possibilidade. ?A Linax está providenciando mudas de outras espécies com a idéia de tornar Votuporanga um pólo aromático?, diz Maia ao avaliar que a tecnologia IAC plantou na região a semente para novos agronegócios.
IAC apresenta aparelho para extrair óleo três vezes mais rápido
Depois de descobrir a possibilidade de extrair o linalol de manjericão, o IAC volta a contribuir com o setor, agora com o desenvolvimento de um aparelho para extrair óleo essencial que é três vezes mais rápido que outros equipamentos convencionais. Segundo o pesquisador do IAC, Nilson Borlina Maia, responsável pelo desenvolvimento do novo equipamento de pequeno porte para bancada, outro diferencial está na possibilidade de extrair óleo de materiais líquidos ou pastosos, como resíduos da indústria de citros. Já os aparelhos convencionais admitem a extração apenas de materiais sólidos, como folhas e raízes. O equipamento será apresentado durante o III Simpósio Brasileiro de Óleos Essenciais, de 8 a 10 de novembro, no IAC, em Campinas.
Destinado ao uso em laboratórios de indústrias e na pesquisa, o destilador de óleo essencial apresenta boa exatidão, precisão e praticidade na carga e descarga, segundo o pesquisador. Para funcionar, o aparelho utiliza energia elétrica, mas se for necessário usá-lo no campo, é possível utilizar um queimador de gás. ?Em todas as fases do projeto procuramos soluções para as dificuldades encontradas nos aparelhos de vidro?, diz Maia.
O aparelho todo é produzido em aço inoxidável 304, com juntas e conexões de aço inoxidável 316 em todas as partes em contato com o óleo essencial. A exceção está no visor, feito de vidro resistente a fortes impactos. ?Essas características são importantes porque o uso de aparelhos inadequados pode contaminar o óleo.?
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