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Confira as características e o diferencial das novas variedades de cana IAC
(17/10/2005)
Destaques de cada nova variedade
IACSP94-2094: Além das características superiores, exigidas das novas variedades, destaca-se nesta o potencial de rusticidade, permitindo o cultivo em ambientes restritivos quanto à química de solo e disponibilidade hídrica. Essas características predominam em solos de cerrado e pastagens ? áreas onde estão sendo estabelecidas as novas unidades industriais do setor sucroalcooleiro.
IACSP94-2101: caracteriza-se por apresentar aumento de produtividade agrícola quando cultivada em ambientes superiores. O componente TCH (quantidade de produtividade de colmos) desta variedade possui uma forte interação com a disponibilidade de água no solo.
IACSP93-3046: tem relevante e desejável característica, que é a ampla adaptabilidade aos diversos ambientes de produção. Assim facilita o cultivo em diferentes regiões produtoras da região Centro-Sul do Brasil, aspecto importante neste momento de expansão da canavicultura.
IACSP94-4004: apresenta altíssima produtividade de colmos (TCH), principalmente na cana planta. Essa qualidade é muito desejável por resultar na amortização dos custos de implantação do canavial, promovendo um retorno financeiro mais rápido.
Diferencial dos novos materiais
O objetivo do Centro de Cana do IAC é sempre buscar novas variedades que sejam superiores às mais cultivadas comercialmente. Com esses novos materiais a finalidade é a mesma, porém com um diferencial: ?A inovação que esse programa oferece é o detalhamento das interações dessas novas variedades com os ambientes de produção, proporcionando caminhos que irão otimizar os manejos fitotécnicos?, explica Marcos Landell, pesquisador do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
Os ambientes de produção compreendem os componentes de clima, solo e água e suas diversas interações com a planta. Com esse enfoque, o Centro de Cana do IAC está desenvolvendo uma escala de classificação de ambientes de produção de cana-de-açúcar que varia de A1 a E2, em que são contemplados os atributos químicos, físicos e hídricos do solo. ?Esse conhecimento proporciona a otimização de cultivo das novas variedades disponibilizadas ao setor, atendendo as demandas atuais, inclusive, em relação às áreas de expansão da canavicultura nacional?, explica Landell.
O pesquisador explica que, ao longo do ciclo vegetativo e de maturação, as variedades de cana-de-açúcar são expostas às mais diversas condições ambientais, incluindo clima, solo e água. Esse contexto determina as variações na expressão do potencial produtivo e tecnológico das variedades utilizadas.
Outro reflexo do clima refere-se à maturação (teor de sacarose) da cana que aumenta à medida que se intensifica o período de seca. Se o avanço tecnológico objetiva facilitar o desenvolvimento da cultura, é evidente a necessidade de desenvolvimento de novas variedades com diferentes perfis de maturação, capacidade de brotação e estabelecimento de suas soqueiras, nos períodos de menor quantidade de água, que ocorre de julho a setembro. As pesquisas não só propiciam esses benefícios, mas também acrescentam às novas variedades outras características importantes, como período de utilização industrial mais longo e ampla estabilidade de comportamento em diferentes ambientes de produção. Com esse conjunto de características, as novas variedades atendem a uma demanda mais ampla não se limitando apenas às variedades de alta produtividade agrícola.
Além do detalhamento na relação entre as novas variedades e os ambientes de produção, esses materiais contribuem também por ampliar o quadro varietal disponível ao setor produtivo. A diversidade genética é fundamental para garantir ao mercado a matéria-prima para produção de açúcar e álcool combustível, dois produtos competitivos no mercado internacional, contribuindo para a balança comercial brasileira. Internamente, a cana-de-açúcar constitui umas das principais cadeias produtivas do setor agrícola, com enorme capacidade geradora de empregos diretos e indiretos. ?As variedades representam o elo inicial da cadeia produtiva do setor sucroalcooleiro. Assim qualquer incremento nesse elo certamente contribuirá para o sucesso do setor?, diz Landell.
O bom desempenho da atividade sucroalcooleira brasileiro foi consolidado sobre a base tecnológica e científica de São Paulo. Não por acaso, os campos paulistas são os maiores produtores de cana-de-açúcar do País, com cerca de 3,7 milhões de hectares de cana cultivada, com previsão de chegar a 4,0 milhões no fim desta primeira década do século XXI.
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