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Pesquisa da Pós IAC testa fungos em substratos orgânicos para produção de mudas de café
Dependendo do fungo e do substrato empregados, a resposta da planta foi igual ou melhor que a ocorrida em mudas produzidas convencionalmente
Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC
Os interessados em cursar a Pós-Graduação do Instituto Agronômico (IAC) têm até o próximo dia 20 de setembro para se inscrever. As inscrições podem ser feitas via internet. Todas as informações estão no www.iac.sp.gov.br e também podem ser obtidas pelo telefone (19) 3231-5422, ramal 110. Quem pretende ingressar nesse curso deve ter formação em engenharia agronômica ou agrícola, biologia ou em outros cursos que tenham relação com as áreas agronômica e ambiental.
Desde 1999, as 90 teses defendidas na PG-IAC vêm trazendo bons resultados para os problemas existentes na agricultura paulista e brasileira. Os estudos são variados e alcançam diversos setores ? citricultura, climatologia, solos, plantas ornamentais e medicinais, cafeicultura e outros.
Uma tese defendida em fevereiro deste ano na PG-IAC objetivou avaliar o efeito de fungos micorrízicos ? inoculados em substratos orgânicos comerciais ? na produção de mudas de cafeeiro. A pesquisa foi buscar no sistema radicular da planta e suas interações com fungos que ocorrem naturalmente no solo uma alternativa para a produção de mudas de café. Normalmente, o plantio do cafeeiro é feito por mudas utilizando-se um substrato convencional, composto por 70% de solo e 30% de esterco bovino, mistura enriquecida com adubos químicos. Esse estudo na PG-IAC substituiu essa mistura por substrato orgânico comercial e inoculação de fungos micorrízicos, a fim de avaliar o resultado na obtenção de mudas sadias e com bom pegamento no campo.
Após dois anos de estudos que envolveram experimentos com vários substratos e fungos, os resultados mostraram que a utilização de substratos orgânicos e a inoculação dos chamados fungos micorrízicos arbusculares são eficientes na produção de mudas de café de qualidade. Esses fungos se instalam na raiz do café e ajudam na absorção de nutrientes do solo, especialmente fósforo. ?O fungo auxilia a planta a explorar o solo, aumentando a absorção de nutrientes e, conseqüentemente, reduzindo o uso de fertilizantes?, explica a orientadora e pesquisadora do IAC, Adriana Parada Dias da Silveira.
De acordo com a orientadora, a micorrização traz outros benefícios à planta, como maior tolerância a estresse hídrico e a patógenos. Esse fortalecimento da cultura resulta na redução de custos de produção por diminuir o uso de insumos.
Em condições normais de cultivo, segundo a pesquisadora, a planta está sempre micorrizada, em função do contato com fungos presentes no solo. Ocorre que esses fungos micorrízicos não existem nos substratos orgânicos comerciais. Por isso a pesquisa pretendeu avaliar como seria a ação dos fungos no substrato e qual o desempenho da muda cultivada nesse sistema.
De acordo com resultados da pesquisa, a associação dos fungos com a raiz causou efeito positivo sobre o desenvolvimento das culturas, com incrementos de até 120% na produção de biomassa da planta. ?Dependendo do fungo e do substrato empregados, a resposta da planta foi igual ou melhor que a ocorrida em mudas produzidas convencionalmente?, afirma Adriana.
Na citricultura, o uso de substrato na produção de mudas é obrigatório por determinação legal. Na cafeicultura, essa exigência ainda não existe, mas o então mestrando Fabrício Sales Massafera Tristão e a orientadora decidiram avaliar qual seria o desempenho de substratos orgânicos na produção de mudas micorrizadas de cafeeiro.
PG-IAC
A Pós-Graduação do IAC em Agricultura Tropical e Subtropical objetiva formar pesquisadores, docentes e profissionais especializados, em nível de mestrado. São dois anos de curso, envolvendo disciplinas obrigatórias e optativas, finalizados com a apresentação de dissertação. A freqüência mínima de 75 % destina-se a completar, ao menos, 140 unidades de crédito, sendo 50 destinadas a disciplinas e trabalhos e 90 direcionadas à dissertação.
A PG-IAC se destaca por oferecer formação voltada para a pesquisa aplicada, com geração de tecnologia específica para cada cultura ou para cada linha de pesquisa no universo na agricultura tropical e subtropical.
O curso de Pós-Graduação do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, é dividido em três áreas de concentração: Gestão de Recursos Agroambientais, Melhoramento Genético Vegetal e Tecnologia da Produção Agrícola.
No último processo seletivo da PG-IAC, em outubro de 2004, 51 alunos foram selecionados para o curso de Mestrado. Até fevereiro de 2006, outras 27 teses deverão ser concluídas e mais 38 em fevereiro de 2007. Desde a criação da PG-IAC, 90 teses foram defendidas.
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