Notícias IAC
Produtores de tangerinas têm nova opção com pesquisa do IAC
Estudo traz alternativa diante da Mancha de Alternaria
Por Carla Gomes (MTb 28156) - Assessora de Imprensa - IAC \r\n\r\nQuem aprecia uma tangerina logo após o almoço ou mesmo nos intervalos das refeições pode se arrepiar ao saber que a Ponkan e a Murcott estão sendo destruídas pela Mancha Marrom de Alternaria, doença que vem inviabilizando o cultivo da fruta. Susto maior acontece ao saber que essas duas variedades compõem 80% dos plantios.
Se o consumidor pode ficar chocado com a notícia, imagine a situação do produtor, frente à limitação causada pela baixa variabilidade genética. A concentração dos plantios em Ponkan e Murcott ocasiona também poucas opções de frutas e curto período de safra. Um problema maior está na limitação fitossanitária: a doença Mancha Marrom de Alternaria vem inviabilizando o cultivo desses importantes grupos de tangerina. Essa doença pode destruir praticamente todo o campo de Ponkan, e no caso da Murcott já está sendo inviável seu cultivo em algumas regiões do Estado de São Paulo. Ressaltando que a Ponkan e a Murcott compõem grande parte dos plantios de tangerina, compreende-se então o estrago que a Alternaria vem causando nos negócios de tangerina.
O resultado de uma pesquisa realizada na Pós-Graduação do IAC vem trazer uma opção ao produtor de tangerina, criando alternativa para que ele não precise deixar o cultivo da fruta, frente às restrições causadas pela Mancha de Alternaria. A conclusão do estudo será importante para que o Brasil mantenha sua posição como um dos maiores produtores de tangerinas.
O resultado da experimentação conduzida nos anos de 2003 e 2004, pelo então pós-graduando, Danilo Valério Barbasso, mostrou que a variedade Thomas, que vem apresentando tolerância à Mancha Marrom de Alternaria, tem potencial para o mercado de frutas frescas e de industrialização. Essa conclusão cria uma opção que permitirá ao produtor manter suas lavouras de tangerina. ?Após análises laboratoriais e de campo pôde-se concluir que as variedades copas estudadas, principalmente a Thomas, têm potenciais para serem incluídas no grupo das tangerinas, tanto para o mercado de fruta fresca, como para a industrialização?, explica Barbasso.
Acrescenta-se a esse quadro positivo o fato de a Thomas ter seu período de colheita mais tardio do que a tradicional Ponkan, o que propicia a ampliação do período de safra de tangerinas. Características da fruta ? como a casca mais rígida que a Ponkan e sabor mais adequado ao paladar do consumidores exigentes ? também abrem possibilidades para o mercado de exportação. ?A Murcott é a variedade de tangerina exportada. Como o seu cultivo está sendo limitado pela presença da Alternária, a variedade Thomas seria uma boa opção para plantios tendo em vista que suas características são bastante similares?, explica Rose Mary Pio, pesquisadora do Centro de Citros do IAC e orientadora da pesquisa.
Com o objetivo de ampliar esse quadro varietal, Danilo Barbasso estudou quatro variedades de tangerinas: Thomas, Szuwinkon, Szuwinkon x Szinkon-Tizon e Sul da África, variedades introduzidas e adaptadas pelo IAC para cultivo em solos paulistas.
Danilo desenvolveu ainda uma Escala Fenológica específica para o cultivo de tangerina. De acordo com Rose Mary Pio, essa escala mostra as etapas de desenvolvimento desde a emissão do botão floral até o ponto ideal de colheita. Essa escala auxilia, por exemplo, na orientação dos momentos mais apropriados para a aplicação de defensivos e da colheita dos frutos. ?É importante para fazer a previsão de safra?, afirma Rose.
Para mais informações acesse -