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IAC apresenta variedades tolerantes à alternária no V Dia de Campo de Tangerina\r\n
13/06/2005
Por Carla Gomes - Assessora de Imprensa - IAC
Frente às perdas causadas pela alternaria, o Instituto Agronômico (IAC) traz opções para os produtores de tangerina. As variedades IAC tolerantes a essa doença limitante serão apresentadas durante o V Dia de Campo de Tangerina, que será realizado nesta quinta-feira, 16 de junho, das 9h às 16h, em Capão Bonito. O evento é uma parceria do IAC com o Pólo Regional do Sudoeste Paulista, ambos órgãos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A participação é gratuita e os interessados podem obter mais informações pelo telefone (15) 3542-1310 ou 3542-1708.
As variedades IAC Fremont e Thomas, até o momento, não apresentaram sintomas da alternária e por isso representam uma solução para os agricultores que não pretendem mudar de cultura. As tangerinas Cravo e Clementina Nules (sem sementes) apresentaram baixos níveis de suscetibilidade à alternária, sugerindo que essas variedades IAC também podem ser usadas em cultivos comerciais, desde que adotado o manejo adequado da doença. Portanto, são quatro variedades IAC que chegam para abrir novas possibilidades nesse mercado. Os materiais IAC que serão apresentados aos produtores no V Dia de Campo de Tangerina deverão estar disponíveis aos produtores interessados no plantio em cerca de quatro meses.
Por serem tolerantes à alternaria e apresentarem características que agradam ao mercado de fruta in natura, esses materiais abrem uma opção aos agricultores, já que a doença ataca a Murcott e a Ponkan, que representam 80% dos plantios comerciais. Essas variedades IAC criam, portanto, a possibilidade de manter o agronegócio de tangerina, que representa cerca de 4% dos plantios de citros. ?Tendo em vista suas características, essas tangerinas constituem-se em variedades promissoras onde o plantio desse grupo de cítricos tem sido limitante em decorrência dessa doença?, afirma Rose Mary Pio, pesquisadora do Centro de Citros ?Sylvio Moreira? do IAC.
Nos campos de Capão Bonito ? onde as tangerinas Fremont e Thomas são avaliadas quanto ao grau de suscetibilidade ao fungo ? o público do V Dia de Campo de Tangerina poderá observar o comportamento das plantas, ouvir explicações de pesquisadores e degustar as frutas. No evento, também serão tratados temas referentes ao controle da alternaria e o custo de produção de tangerinas para mesa.
De acordo com Rose Mary, a mancha marron de alternaria limita a produção de tangerina, daí a necessidade de desenvolver variedades tolerantes à doença, já que o controle químico do fungo eleva muito os custos de produção, por exigir aplicações freqüentes de fungicidas. Segundo a pesquisadora, a gravidade excepcional da doença tem levado muitos produtores a considerarem a possibilidade de substituir a tangerina por outra cultura. A alternaria afeta folhas, ramos e frutos de tangerinas. Em variedades suscetíveis, a doença pode provocar intensa queda de folhas, seca de ramos e queda prematura de frutos, comprometendo a produtividade das plantas. Em frutos, as lesões da doença reduzem também o seu valor comercial no mercado de frutas frescas.
Diante dessa situação, os pesquisadores envolvidos nesse trabalho têm buscado não só o desenvolvimento de variedades com níveis adequados de tolerância ao fungo, mas também outras alternativas no manejo da doença. Os participantes do V Dia de Campo de Tangerina terão acesso a todas essas informações e poderão ver no campo o desempenho das plantas.
Para gerar essa solução ao setor de tangerina, pesquisadores do IAC e da APTA Regional vêm estudando, desde 2003, o fungo Alternaria alternata e a suscetibilidade dos materiais IAC frente à doença, que começou a atacar há três anos. ?Quando um novo problema passa a afetar a cultura, colocando em risco a sua sustentabilidade, busca-se alternativas que contribuam para dar continuidade à exploração comercial?, diz a pesquisadora.
Alternaria
No Brasil, a alternária foi encontrada pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 2001, afetando severamente plantas de tangerina Dancy, que são muito suscetíveis. Em 2003, ela foi detectada nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, onde vem causando elevadas perdas em cultivos comerciais de campos de Murcott e Ponkan.
Os estudos realizados por pesquisadores do IAC e dos Pólos Regionais de Pesquisa focam a possível utilização de materiais IAC em cultivos comerciais no Estado de São Paulo. Em Capão Bonito, no Pólo Regional do Sudoeste Paulista, 21 genótipos de tangerinas e tangores estão sendo avaliados, sob a coordenação do IAC. Desde maio de 2003, os pesquisadores avaliam a suscetibilidade desses materiais ao fungo causador da alternária. Sintomas típicos dessa doença já foram observados em 19 desses genótipos.
Mas o Brasil não é o único a sofrer com esse mal. A doença também é preocupante em vários locais como África do Sul, Argentina, Austrália, Colômbia, Cuba, Espanha, EUA (Flórida), Israel, Itália e Turquia.
SERVIÇO
V Dia de Campo de Tangerina
16 de junho de 2005
Início: 9h
Encerramento: 16h
Local: Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócio do Sudoeste Paulista
Rod. Sebastião Ferraz de C.Penteado, km. 232 (Capão Bonito ? Guapiara)
Informações: (15) 3542-1310 ou 3542-1708.
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