Notícias IAC
IAC leva para Agrishow 2005 quatro novas variedades de cana e uma de girassol
Confira as novidades (13/05/2005)
Por Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC
Muitas tecnologias, novidades e orientação de técnicos e pesquisadores ? com esse ?agricardápio? o Instituto Agronômico (IAC) irá receber o público da Agrishow 2005, de 16 a 21 de maio, em Ribeirão Preto. Os visitantes poderão ver e conhecer novas variedades de cana-de-açúcar, adequadas para a safra de inverno e primavera, proporcionando novos ganhos para os principais Estados produtores do Centro-Sul do Brasil. A variedade de girassol que será lançada é exclusiva para produção de óleo, no compasso com a adoção do biodiesel. Outra novidade que será exposta é um programa de computador que simula a ação de um especialista na sugestão de formas de amostragem, análise e interpretação dos resultados obtidos, gerando soluções que esse especialista apontaria para aquela situação específica.
O público verá também outras culturas que têm conquistado mercados e provocado a expansão de campos em São Paulo. Exemplo está no amendoim, que registrou novo aumento de área plantada, com acréscimo de 30% em relação ao ano passado, e as variedades IAC ocupam mais de 80% da área. O milho pipoca IAC é outra opção para os agricultores, que poderão adotar materiais IAC de baixo custo de semente e com alta qualidade da pipoca. Arroz, feijão, café irrigado e tecnologias para irrigação também encherão os olhos de quem percorre quilômetros para ter na Agrishow uma amostragem de recursos que fortaleçam o agronegócio e melhorem a renda dos agricultores e dos demais integrantes das cadeias produtivas do Brasil agrícola.
Confira nos textos abaixo a participação do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.
CANA
Variedades IAC reforçam período de maior volume de produção
Basta percorrer algumas estradas do Estado de São Paulo ? especialmente na região de Ribeirão Preto ? para ter a visão tomada pelos canaviais. Quem vê aquela cobertura verde pode pensar simplesmente que o cultivo de cana-de-açúcar cresceu porque alguém resolveu plantar. É isso também, claro. Mas não simplesmente. A expansão da área cultivada está intimamente ligada ao aprimoramento tecnológico de produção e colheita. A fim de contribuir nessa ampliação, o Instituto Agronômico ? IAC - tem gerado tecnologias que permitem ? e muito ? não só expandir os campos, mas também agregar padrões qualitativos de produtividade à canavilcultura brasileira.
A mais recente contribuição do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, chegará em outubro próximo com quatro novas variedades de cana adequadas para serem colhidas no meio e fim de safra ? as quais serão expostas na Agrishow 2005.
Essas novas variedades ampliam o quadro varietal disponível aos usuários e garantem ao mercado a matéria-prima para produção de açúcar e álcool combustível, dois produtos competitivos no mercado internacional, contribuindo de forma efetiva para os saldos positivos na balança comercial brasileira. Internamente, a cana-de-açúcar constitui umas das principais cadeias produtivas do setor agrícola, com enorme capacidade geradora de empregos diretos e indiretos.
As quatro novas variedades de cana ? IACSP93-3046, IACSP94-2094, IACSP94-2101 e IACSP94-4004 ? têm perfil de maturação para o meio e fim de safra, atendendo às condições edafoclimáticas do Centro-Sul do Brasil. De acordo com o pesquisador do IAC, Marcos Landell, nessa principal região produtora do Brasil ? responsável por 4,2 milhões de hectares cultivados ? a safra é dividida em três estações: outono (abril-junho), inverno (julho-setembro) e primavera (outubro-novembro). Nesses períodos, o volume de cana produzido é de 25%, 45% e 30% respectivamente. ?Percebe-se a grande importância das safras de inverno e primavera, que reúnem 75% do total de volume de matéria-prima?, destaca Landell. Daí a relevância das novas variedades IAC, adequadas à colheita nos meses de maior volume de produção.
O pesquisador explica que, ao longo do ciclo vegetativo e de maturação, as variedades de cana-de-açúcar são expostas às mais diversas condições ambientais, incluindo clima, solo e água. Esse contexto determina as variações na expressão do potencial produtivo e tecnológico das variedades utilizadas.
Outro reflexo do clima refere-se à maturação (teor de sacarose) da cana que aumenta à medida que se intensifica o período de seca. Se o avanço tecnológico objetiva facilitar o desenvolvimento da cultura, é evidente a necessidade de desenvolvimento de novas variedades com diferentes perfis de maturação, capacidade de brotação e estabelecimento de suas soqueiras, nos períodos de menor quantidade de água, que ocorre de julho a setembro. As pesquisas não só propiciam esses benefícios, mas também acrescentam às novas variedades outras características importantes, como período de utilização industrial mais longo e ampla estabilidade de comportamento em diferentes ambientes de produção. Com esse conjunto de características, as variedades atendem a uma demanda mais ampla não se limitando apenas às variedades de alta produtividade agrícola.
Todo o aporte científico destina-se a propiciar uma agricultura cada vez mais sustentável e rentável. O sistema de pagamento vigente no setor contempla em seus cálculos, tanto aspectos quantitativos como qualitativos, exigindo novas variedades mais competitivas.
O sucesso do setor sucroalcooleiro brasileiro, assim como outros segmentos de destaque no cenário nacional, foi consolidado sobre a base tecnológica e científica do Estado de São Paulo. Não por acaso, os campos paulistas são os maiores produtores de cana-de-açúcar do país, com cerca de 3,4 milhões de hectares de cana cultivada, com previsão de chegar a 4,0 milhões no fim desta primeira década do século XXI. ?O sucesso da expansão em São Paulo e no Brasil inevitavelmente dependerá do suporte tecnológico dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo e da capacidade de gestão empresarial do setor?, afirma Landell.
Para desenvolver essas novas variedades, em um trabalho que durou dez anos, o Programa Cana IAC utilizou-se de uma rede de unidades experimentais distribuídas nas principais regiões canavieiras de São Paulo, onde se realizaram avaliações quantitativas de características agroindustriais dessas novas variedades ? IACSP93-3046, IACSP94-2094, IACSP94-2101 e IACSP94-4004. ?Importante ressaltar que esse lançamento é fruto do apoio do setor sucroalcooleiro, com recursos financeiros e apresentação de demandas para o grupo de pesquisa do IAC, além da importante contribuição do CTC ? Centro de Tecnologia Canavieira, parceiro na primeira fase desse trabalho, mediante o processo de hibridação realizado na Estação Experimental de Camamu, BA?, diz.
Características das variedades:
IACSP93-3046: alta produção agroindustrial com características de uniformidade de diâmetro de colmo, o que proporciona maior eficiência na colheita mecânica e manual. Tem alto teor de sacarose no meio e no fim de safra, proporcionando ganhos qualitativos para esses períodos. O período de utilização industrial é longo, adequado para a colheita de junho a outubro. A IACSP93-3046 pode ser cultivada em solos de menor fertilidade e responde significativamente quando plantada em ambientes de maior potencial. Resistente ao carvão, à escaldadura e à ferrugem, essa variedade tem excelente brotação de soqueiras e é adaptada para o Centro-Sul do Brasil.
IACSP94-2094: boa produção agroindustrial e baixa exigência em ambiente de produção, grande tolerância à seca e pode ser cultivada em solos de menor fertilidade. A IACSP94-2094 é adaptada à colheita mecânica com ótima capacidade de brotação sob palha. Seu período de utilização industrial é longo, adequada para a colheita de junho a outubro. Adaptada para o Centro-Sul do Brasil, a variedade resiste à ferrugem, ao carvão e à escaldadura.
IACSP94-2101: com alta produção agroindustrial e características de uniformidade de diâmetro de colmo, essa variedade proporciona maior eficiência na colheita mecânica e manual. O perfil dessa nova cana inclui também alto teor de sacarose, média exigência em ambiente e resistência à ferrugem, ao carvão e à escaldadura.
IACSP94-4004: a uniformidade de diâmetro de colmo proporciona maior eficiência na colheita mecânica e manual. Essa variedade caracteriza-se ainda pela alta produção agro-industrial, alto teor de sacarose, média exigência em ambiente de produção, sendo resistente à ferrugem e ao carvão e sensível à escaldadura e ao mosaico. A IACSP94-4004 é adaptada para a região de Mococa, Ribeirão Preto e Jaú.
GIRASSOL
IAC lança girassol exclusivo para produção de óleo
A variedade de girassol IAC-Iarama será lançada oficialmente na Agrishow 2005. A utilização da variedade IAC-Iarama é exclusiva para a produção de óleo, apesar da quantidade média de óleo em outras variedades de girassol ser próxima desse valor. A IAC-Iarama se destaca por produzir a mesma quantidade de óleo, porém em tempo mais curto, de acordo com a pesquisadora do IAC Maria Regina Gonçalves Ungaro. A IAC-Iarama, pesquisada desde 1990, possui semente escura, com cerca de 42% de óleo, porte baixo e ciclo curto; rendimento médio de grãos de 2.000 kg/ha e boa uniformidade, o que facilita a colheita mecanizada.
Deve ser plantada preferencialmente na safra, pois, em outras épocas, a produção pode não corresponder aos padrões. Para áreas de reforma de canavial, na safra, constitui boa opção em razão da precocidade, pois a principal doença do girassol na Região Sudeste encontra condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento nos plantios de outubro, e a IAC-Iarama pode ser plantada em novembro, após o período crítico de maior dano pelo fungo. Sua precocidade ainda viabiliza a colheita sem atrapalhar a preparação do solo para o plantio da cana. As outras cultivares destinadas à renovação de canaviais, por terem ciclos mais longos, geralmente têm mais problemas com a alternariose, uma vez que precisam ser plantadas em outubro para permitir a liberação da área no fim de fevereiro.
O público da Agrishow poderá conhecer também o desempenho da IAC-Uruguai, variedade de girassol que tem todo seu potencial explorado, se plantada na safrinha. Excelente para silagem também pode ser utilizada para a produção de grãos para pássaros e adubação verde. É de ciclo semitardio, porte alto, sementes rajadas com cerca de 34% a 38% de óleo. Na safrinha pode render de 10 a 12 t/ha de matéria seca.
Além da precocidade e da uniformidade de porte e ciclo, outra grande vantagem das variedades IAC, em relação aos híbridos, está no preço mais baixo e na possibilidade de uso das sementes produzidas pelo próprio agricultor por até dois ciclos, desde que não tenham ocorrido problemas graves com doenças, o que é raro quando a tecnologia de produção é respeitada.
O cultivo de girassol é pesquisado no Instituto Agronômico desde 1942 e, em processo contínuo, desde 1972. Atualmente, envolvem o desenvolvimento de novas variedades, avaliações fitotécnicas e fitopatogênicas, estudos de fisiologia, máquinas agrícolas e, mais recentemente, a utilização do biocombustível de girassol em motores agrícolas.
Usos - O girassol é uma das quatro maiores culturas oleaginosas comestíveis do mundo. Além do óleo para consumo humano e medicinal e da proteína para consumo humano, também pode fornecer alimentação para animais, como os grãos para pássaros e aves, tortas para compor rações em geral, silagem e forragem para gado, caprinos e ovinos, além de ser excelente produtor de mel e bom adubo verde.
O biodiesel de girassol vem despontando como uma das opções mais viáveis para grande parte do território nacional, pois a planta gera biodiesel que atende às normas européias, o que abre um vasto mercado externo. Além disso, o girassol é uma cultura complementar, plantada na entresafra da principal, por esse motivo não exige a substituição de uma cultura já estabelecida pela do girassol. Outro aspecto positivo do girassol está na melhoria das condições químicas, físicas e microbiológicas do solo. Não bastassem todas essas vantagens, o girassol é uma cultura de baixo custo.
Introduzido no Brasil pelos imigrantes europeus devido ao hábito do consumo de suas sementes tostadas, o girassol pode ser cultivado em grande parte do território brasileiro, com exceção da faixa litorânea e da região amazônica devido ao excesso de umidade. O Centro-Oeste é hoje o grande produtor de grãos para óleo e pássaros. São Paulo vem logo em seguida, produzindo grãos para silagem, pássaros, óleo comestível e medicinal.
MAMONA
Outra fonte de biodiesel, a mamona é pesquisada no IAC desde 1936, sem interrupção, acumulando importante acervo de conhecimento sobre a tecnologia de produção, disponíveis aos diferentes níveis tecnológicos dos produtores do Brasil. O público da Agrishow terá acesso às variedades IAC de mamona ? a Guarani, já comercializada, e a IAC-2028, ainda em experimentos. Essas variedades de alto potencial de produtividade, frutos indeiscentes e porte médio são indicadas para produtores de grande e de pequeno porte. A colheita é única e manual, mas é possível a mecanização em certas condições.
A IAC 2028 tem produtividade média de 2.121 kg/ha e teor de óleo nas sementes de 48%. Com esse mesmo teor de óleo, a IAC Guarani tem produtividade média de 1500 kg/ha.
De acordo com o pesquisador do IAC, Ângelo Savy, o alto potencial de produtividade viabiliza o cultivo em diversos Estados do Brasil, com perspectivas de aumento da área de plantio e produção. A expectativa é que esses materiais possam contribuir para o Programa Nacional de Biodiesel, que autoriza o uso comercial de biodiesel em todo o território nacional.
ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO
Conheça o software que simula a ação de especialista
Os aficionados por agricultura de precisão poderão observar no plot do IAC duas novidades interessantes a todos que trabalham na área de pesquisa e extensão. Imagine um software que simula a ação de um especialista. Ele existe e poderá ser visto no plot do IAC, na Agrishow. É o E-Sprinkle ? Sistemas Especialistas para Algodão, Cana-de-Açúcar e Soja. Trata-se de um programa de computador que simula a ação de um especialista na sugestão de formas de amostragem, análise e interpretação dos resultados obtidos, gerando soluções que esse especialista daria naquela situação específica. O e-Sprinkle, programa de análise do tamanho de gotas, desenvolvido pela Embrapa/Ablevison e validado cientificamente pelo IAC, é uma importante ferramenta na pulverização, mas os dados que gera são de difícil interpretação por produtores ou mesmo por técnicos com baixo conhecimento na área de tecnologia de aplicação. Por essa razão, analisando as diferentes condições de aplicação que podem ocorrer dentro das culturas de algodão, cana-de-açúcar e soja, estudaram-se algumas formas de distribuição do papel hidrossensível sobre o alvo químico e gerou-se um interpretador das análises realizadas pelo e-Sprinkle, que fornece diretamente a orientação ao agricultor sobre a adequação ou não da pulverização ao controle da praga ou doença-alvos. No caso da inadequação, segundo os princípios da tecnologia de aplicação, são fornecidas sugestões sobre a forma de elevar a eficácia. Dessa forma, tais sistemas poderão constituir-se em importante ferramenta à tomada de decisão no momento da pulverização.
Outra novidade da área de engenharia e automação do IAC é o Scanner 3D. Segundo o pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos, esse scanner poderá ser uma importante ferramenta para análise de imagens na pesquisa. ?Nele, qualquer objeto posicionado no ponto de aquisição da imagem é automaticamente rotacionado e tem sua imagem digitalizada através de uma câmera de alta resolução, resultando na imagem explodida deste objeto com grau de precisão bastante elevado?, explica Ramos. Após a digitalização, através da construção de filtros, pode-se analisar a área da imagem coberta pelas diferentes cores que a compõe. Como o equipamento trabalha com luz ultravioleta e branca, será possível digitalizar rapidamente as amostras de materiais perecíveis trazidos do campo para posterior análise, dispensando a construção das escalas de notas, que são, normalmente, subjetivas. Além disso, todas as amostras poderão ser armazenadas para outras análises futuras. ?Esse equipamento poderá ser usado principalmente em estudos onde haja contraste de cores, como a determinação da área coberta pela pulverização com traçadores fluorescentes e da porcentagem da superfície lesionada por doenças ou insetos?, afirma Ramos. Essas duas novidades foram desenvolvidas em parceria com a Ablevision.
AMENDOIM
IAC contribui para a expansão do amendoim no Brasil
A safra de amendoim do verão de 2004/2005 acaba de ser colhida. Seguindo a tendência dos últimos anos, registrou-se novo aumento da área plantada, com acréscimo de 30% em relação ao ano passado. Da cultura agora tecnificada, foram plantados cerca de 120 mil hectares, dos quais 100 mil só em São Paulo, onde se concentra grande parte da cadeia de produção. Os outros 20 mil hectares foram plantados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. As variedades IAC ocupam mais de 80% da área, nesse novo perfil tecnológico.
Devido à estiagem prolongada em diversas regiões do Sudeste, estima-se que houve uma redução de 25% na produção da safra deste ano. Mesmo assim, considerando-se uma produtividade média de 2 mil kg/hectare, estima-se uma produção bruta de 240 mil toneladas de amendoim em casca, para abastecer os mercados interno e externo.
O mercado interno constitui-se por indústrias de confeitaria. São centenas de empresas, de pequeno e médio porte, espalhadas pelo País, e que absorvem cerca de 100 mil toneladas de grãos descascados e selecionados.
As exportações são dirigidas principalmente para os países da Europa. Nesse segmento, as oportunidades para o amendoim brasileiro estão crescendo ano a ano. Estima-se, para 2005, exportações brasileiras de grãos selecionados (in natura) na ordem de 50 mil toneladas.
Variedades IAC
O IAC irá expor na Agrishow 2005 quatro variedades já disponíveis comercialmente. Três delas ?IAC Tatu ST, Runner IAC 886 e IAC Caiapó ? ocupam, em conjunto, mais de 80% da área plantada em 2004/2005. Suas características diferenciadoras visam atender às necessidades das diversas regiões, sistemas de produção e padrões do produto requeridos pelos mercados interno e externo. As principais características são apresentadas a seguir:
IAC Tatu ST: porte ereto e ciclo curto (100 dias), adaptada para regiões e sistemas onde a precocidade é necessária, tais como as áreas de renovação de cana-de-açúcar e os sistemas de plantio de amendoim em segunda safra; sua produtividade varia de 2.500 a 4.000 kg/hectare em casca, superior aos amendoins ?Tatu? comuns; produz vagens longas com três a quatro grãos de película vermelha e tamanho pequeno, utilizados principalmente na indústria brasileira de confeitaria (produtos in natura ou torrados ?com pele?).
IAC 8112: cultivar plantado em escala experimental, com potencial para expansão; porte ereto e ciclo curto (100 dias), com produtividade entre 3.000 e 4.500 kg/hectare; é adaptado especialmente como cultura de segunda safra, mostrando bom desempenho em condições de estiagem moderada; produz vagens de dois grãos de película de cor castanho; os grãos são pequenos, uniformes e arredondados, constituindo um produto de qualidade especial para a confecção de amendoins ?drageados? (grãos revestidos tipo japonês, achocolatados e outros).
Runner IAC 886: porte rasteiro e ciclo de 125 a 130 dias; se colhido com 124 dias, torna-o apto a ser plantado nas áreas de renovação de cana; em áreas com solos férteis e doenças foliares eficientemente controladas, produz entre 4.000 e 6.000 kg/hectare em casca; as vagens são de dois grãos, de tamanho médio (tipo chamado ?runner?) e película de cor rosada; os grãos possuem sabor ?neutro? (menos adocicado) e textura mais ?crocante? do que a dos amendoins tradicionais; esses padrões qualitativos são exigidos pelos compradores internacionais, o que recomenda esse cultivar preferencialmente para o mercado de exportação.
IAC Caiapó: porte rasteiro e ciclo entre 130 e 140 dias; possui moderada resistência às principais doenças foliares e relativa tolerância ao ataque de pragas, o que o recomenda para projetos de produção com menor custo; produz entre 3.000 e 5.000 kg/hectare; as vagens são de dois grãos de película castanha e com as demais características do tipo ?runner?; os grãos possuem sabor e textura intermediários entre os amendoins tradicionais e os de Runner IAC 886, sendo, portanto, aceitos tanto para os produtos do mercado interno como para exportação. Quimicamente, essa variedade apresenta mais de 50% de óleo nos grãos, o que o coloca como a melhor opção para o mercado alternativo de óleo, tanto para culinária como para a produção de biodiesel.
MILHO IAC Ouro
O aroma de pipoca vem acompanhado de cheiro de bons negócios! É a IAC Ouro que chega para atender à necessidade de o produtor ter uma variedade de milho-pipoca de baixo custo de semente e com alta qualidade da pipoca. Com essas características, a IAC Ouro irá representar ótima oportunidade para os pequenos produtores interessados no mercado de pipoca. A variedade pode ser destinada também à versão para microondas, desde que a debulha seja feita sem dano mecânico nos grãos. ?O preço do milho-pipoca está muito bom, principalmente para cultivares IAC, de boa qualidade e aceitação?, afirma o pesquisador do IAC, Eduardo Sawazaki.
A nova variedade deve interessar principalmente à Região Sul do Estado de São Paulo, tendo maior adaptação ao plantio precoce, solos férteis e a locais de maior altitude. De porte baixo e com características positivas de mercado, a IAC Ouro poderá incentivar a produção de milho pipoca por pequenos produtores, resultando em maior oferta do produto. Para o consumidor, o resultado deve ser a redução do preço.
A pesquisa com essa nova variedade teve início em 2001/2002 e a conclusão em 2004/2005. A variedade foi avaliada por dois anos para resistência a pragas e doenças, produtividade e qualidade da pipoca, em experimentos nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.
MILHO IAC 125
Também para o mercado de milho-pipoca o Instituto Agronômico desenvolveu o híbrido IAC 125 ? novidade com m produtividade igual ao híbrido comercial IAC 112, maior qualidade da pipoca, porte baixo e maior rendimento na produção de sementes. De boa adaptação às principais regiões produtoras de milho pipoca, a IAC 125 resulta em pipoca mais macia e com maior rendimento no estouro. De acordo com o pesquisador, a IAC 125 possui condições excepcionais de manejo, colheita e secagem, viabiliza a produção de pipoca para microondas. Com essas qualidades, já dá pra sentir o cheirinho no ar.
FEIJÃO
IAC expõe quatro novas variedades de feijão
Ao longo dos anos as pesquisas do IAC permitiram que a produtividade do feijoeiro saltasse de 1700 kg/ha para 2800 kg/ha. Parte desse resultado estarão na Agrishow 2005 ? são as quatro novas variedades de feijão, lançadas em abril passado ? três tipo carioca e um preto. Mais produtivas e resistentes às principais doenças do feijoeiro, as novidades devem fortalecer o mercado.
As três variedades do tipo carioca são a IAC-Votuporanga, IAC-Ybaté e IAC-Apuã, a de feijão preto é a IAC-Tunã. Para o produtor, esses materiais representam novas opções com maior capacidade produtiva e maior resistência a patógenos, características que proporcionam maior rentabilidade por hectare. Tais qualidades reduzem o custo de produção ao exigir menos aplicações de agroquímicos. ?Além de diminuir o número de pulverizações, o agricultor pode usar fungicidas de menor custo, apenas em caráter de prevenção?, explica Pompeu.
As quatro novas variedades são resistentes aos fungos da antracnose, ferrugem e murcha de Fusarium, e ao vírus do mosaico-comum. Essa resistência recobre as variedades de enorme benefício, já que as doenças do feijoeiro abalam ? e muito ? toda a cadeia produtiva. Para entender melhor quanto vale um material resistente, basta dizer que a antracnose ? principal doença da cultura ? pode reduzir em até 95% a produtividade da lavoura. A ferrugem, existente no Brasil em 53 diferentes raças, derruba a produtividade em torno de 43%, a murcha de Fusarium a reduz drasticamente e pode até matar a planta. Já o mosaico baixa a produtividade em 50%. Vê-se, portanto, quanto vale adotar um material resistente a esses patógenos. Ressalta-se que as vantagens não se restringem aos cifrões economizados. Ao plantar essas variedades, reduz-se também o impacto ambiental e os riscos para a saúde do trabalhador rural.
Desde o início do Programa de Melhoramento do Feijão, no IAC, por volta de 1930, busca-se desenvolver plantas que aliem alta capacidade produtiva com resistência a vários patógenos. Esse objetivo vem sendo plenamente alcançado e a produtividade dos materiais IAC saltou de 1700 kg/ha para 2800 kg/ha, desde o começo dos estudos.
Resultantes de pesquisas que duraram dez anos, as quatro novas variedades ? IAC-Votuporanga, IAC-Ybaté e IAC-Apuã e IAC-Tunã ? apresentam excelente produtividade, superior aos materiais já existentes ? de 2.853 kg/ha, 2.778 kg/ha, 2.778 kg/ha e 2.806 kg/ha respectivamente. Essa é a média geral produzida nas três épocas de cultivo ? águas, seca e inverno.
Essas variedades devem impactar o mercado de feijão, já que, de acordo com Pompeu, cerca de 80% do feijão produzido em São Paulo é do tipo carioca. São Paulo é quarto maior produtor do país, com 303 mil toneladas, na safra 2003/2004. Em solos paulistas, a produção de feijão está concentrada no sudoeste do Estado, envolvendo os municípios de Sorocaba, Avaré, Itararé, Itapetininga e outros ? região que já concentrou 60% da produção paulista.
O líder nacional é o Paraná, com 668 mil toneladas, seguido de Minas Gerais, 453 mil, e Bahia, 318 toneladas. Apesar de ser o terceiro maior produtor mundial de feijão, o Brasil ainda importa o produto. Diante desse quadro, amplia-se a relevância da contribuição que esses resultados IAC deverão trazer para o agronegócio do feijão, sobretudo porque, além de desenvolver variedades, o IAC dedica-se também à transferência de tecnologia.
ARROZ
Quem visitar a Agrishow verá também as mais novas variedades de arroz IAC ? duas do tipo especial, IAC 400 e IAC 600, e duas tradicionais para cultivo em sistema irrigado por inundação ? IAC 105 e IAC 106 ? que abrem chances para aumentar os lucros em 10% e diminuir as doenças nos campos de arroz.
As novas variedades destacam-se pela produtividade superior, moderada resistência à brusone e qualidade de grãos que atende aos padrões da indústria e do consumidor. A nova variedade IAC 105 supera em 9,8% em produtividade as duas variedades que atualmente são cultivadas na região do Vale do Paraíba, principal área de produção no Estado.
Já a IAC 106 produz 7% a mais que as testemunhas, que são as variedades com as quais é comparado o novo material. ?Pensando só em termos de produtividade, o produtor terá cerca de 10% a mais de lucro?, afirma o pesquisador do IAC, Luiz Ernesto Azzini ao destacar uma das vantagens da nova variedade IAC 105. A maior produtividade resulta em menor custo de produção por saca, segundo Azzini. Destaca-se também a redução de despesas no cultivo desses novos materiais em função da dispensa ou da redução dos defensivos, já que as variedades IAC são moderamente resistente à brusone ? principal doença do arroz.
De porte baixo e ciclo intermediário (135 dias do plantio à colheita), a IAC 105 produz 6.500 kg por hectare e a IAC 106, 6.300 kg/ha. As variedades possuem também qualidade de grãos industrial e culinária que atendem aos padrões nacional e internacional de mercado.
A qualidade industrial está relacionada ao rendimento de grãos inteiros no beneficiamento. A IAC 105 tem rendimento em torno de 60% e a IAC 105, 59%. Ressalta-se que a qualidade industrial reflete na comercialização do produto e no ganho do rizicultor, já que o preço da saca é fixado com base em ponto por grão inteiro. Os grãos inteiros garantem o bom visual do produto, indispensável para a aceitação no mercado. Os pesquisadores explicam que a qualidade industrial depende não só da genética da planta, mas também do ambiente de produção.
O público ainda poderá ver outras duas novas variedades de arroz do tipo especial ? a IAC 400, arroz para culinária japonesa, e a IAC 600, arroz preto. A IAC 600 é a primeira variedade de arroz preto desenvolvida para cultivo em São Paulo. Até ao ano passado, quando foi apresentada, não existia nenhuma variedade brasileira desse tipo exótico de arroz ? o que se consome no país é material importado.
Com esse resultado, abrem-se novos mercados para os produtores atingirem um nicho específico, com potencial no consumo interno e externo, já que o arroz preto tem amplo mercado na Europa e nos Estados Unidos.
Desenvolvida para o cultivo em São Paulo em condição de arroz irrigado e sequeiro, a IAC 600 é produzida da mesma forma que o arroz tradicional e com igual custo de produção. A principal diferença está no preço: o quilo do arroz preto importado custa cerca de dez vezes mais que o arroz tradicional. Quanto às características agronômicas, a IAC 600 é um material altamente resistente à brusone, tem porte baixo e é precoce, com cerca de 85 dias do plantio à colheita.
Para o consumidor, a IAC 600 é agradável ao paladar, com aroma e sabor acastanhados, em grãos inteiros e muito macios.
IAC 400
Outra variedade a ser vista pelos visitantes da Feira é a IAC 400, especial para a culinária japonesa, a primeira desse tipo selecionada para o cultivo em São Paulo.
A IAC 400 foi selecionada para atender ao nicho específico de mercado ? a culinária japonesa, especialmente para produção de sushi. Esse tipo de arroz é o que tem maior demanda dentre os tipos especiais de arroz . Os demais especiais são o arroz aromático, o exótico e o arbóreo (rizotto).
Apesar da grande demanda, até então, não havia nenhuma variedade especial selecionada para o cultivo em São Paulo. O Estado tem condições de clima favoráveis para esse tipo de arroz, com padrão compatível com a produção da melhor região do Japão. Por enquanto, as variedades cultivadas em campos paulistas vêm de outros Estados ou são importadas de outros países. Esse fator, além de encarecer o produto, tem outra agravante: as variedades importadas não são adequadas para as características de solo e clima paulistas, além de serem suscetíveis a doenças.
Segundo o pesquisador do IAC, Cândido Ricardo Bastos, a nova variedade IAC tem qualidade excelente, comparada aos melhores materiais importados, especialmente para fazer sushi. A IAC 400 é moderamente suscetível à brusone, enquanto material importado é altamente suscetível a essa doença.
_________
Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? Instituto Agronômico (IAC)
midiaiac@iac.sp.gov.br
(19) 3231 5422, ramal 124
Para mais informações acesse -