Notícias IAC
IAC é o coordenador da pesquisa que conclui seqüenciamento genético de citros\r\n
Interesse está na resistência às doenças (31/08)
O Brasil mais uma vez se destaca na pesquisa de citricultura e conclui o seqüenciamento genético de citros. A coordenação desse trabalho de repercussão mundial é do Instituto Agronômico (IAC), por meio de seu Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Citros ?Sylvio Moreira?, em Cordeirópolis. Desde janeiro de 2002, o IAC coordena essa pesquisa que envolve uma rede de instituições. O projeto \"Integração de melhoramento genético, genoma funcional e comparativo de citros\", coordenado pelo IAC, foi o único na área de ciências agrícolas escolhido pelo Programa Institutos do Milênio, no final de 2001. Esse Programa é do Ministério de Ciência e Tecnologia.
De acordo com o pesquisador do IAC e coordenador do projeto, Marcos Antonio Machado, foram concluídas 240 mil seqüências de genes, sendo 80 mil de laranja, 80 mil de tangerina e o restante de Ponicrus trifoliata, material usado como porta enxerto.
Para se ter uma idéia do que representa, para a citricultura brasileira e mundial, o encerramento do mapeamento genético funcional e comparativo dos citros, atualmente não chegam a 50 mil o total de seqüências existentes em bancos de dados públicos. ?É o maior banco de informações sobre citros do mundo?, afirma Machado. Esse material encontra-se no Centro de Citros do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Machado explica que o foco da pesquisa com genoma é o melhoramento genético de plantas. O objetivo é entender as doenças que prejudicam a citricultura e melhorar as plantas, tornando-as mais resistentes. Com base no seqüenciamento e por meio do melhoramento genético de citros realizado no IAC será possível transferir características de resistência, da tangerina para a laranja, por exemplo, sem a produção de transgênicos. ?A aplicação do conhecimento, em princípio, será concentrada no IAC?, diz.
Na avaliação do pesquisador, a conclusão do genoma abre uma grande fronteira com relação ao conhecimento de citros, já que as variedades apresentam padrões diversificados. Ele espera que em dois anos poderão haver variedades já disponíveis para ir a campo. Esse aspecto prático do trabalho atende ao caráter de integração do genoma com o melhoramento genético. ?Nenhum programa de melhoramento tem todo esse aparato genético?.
Resultado para o campo
A aplicabilidade do conhecimento ao campo tem razões mais que fortes: a doença é principal limitante da citricultura brasileira. Por essa razão, o seqüencimento enfocou o estudo da resistência a doenças como a clorose variegada dos citros (CVC), tristeza, gomose, morte súbita, leprose e cancro cítrico. O impacto dessas doenças na cadeia do agronegócio da citricultura justifica a movimentação científica e o investimento de R$ 4,4 milhões feitos no projeto. Apesar de competitiva, a citricultura brasileira ainda tem baixa produtividade ? duas caixas de 40,8 quilos, por planta, a cada ano. Na Flórida, EUA, atinge-se seis caixas. ?Estamos procurando melhorar o material genético para manter a competitividade?, diz Machado.
Outros números explicam o direcionamento do seqüenciamento para o estudo da resistência a essas doenças: o combate à CVC, principal problema, gasta 150 milhões de dólares, anualmente, com reposição de mudas, poda de planta infectada e controle do vetor. A tristeza atinge todas as 180 milhões de plantas existentes no Estado de São Paulo, reduzindo, no mínimo, 20% do potencial produtivo. A erradicação do cancro cítrico consome cerca de 30 milhões de dólares, por ano. No controle do ácaro vetor da leprose são gastos cerca de US$ 100 milhões com acaricidas. Ao final dessa batalha, de 20% a 30% dos 1,2 bilhão de dólares exportados em suco são investidos na convivência com essas doenças.
Sem dúvida, esse capital poderia ser investido no agronegócio citrícola, que produz cerca de 340 milhões de caixas de laranja por ano, gera em torno de 400 mil empregos em São Paulo e tem mais de 20 mil citricultores.
Para fortalecer esse segmento de destaque reuniram-se, além do IAC, a Embrapa, Unesp, Unicamp, Universidade Estadual de Maringá (UEM), o Instituto Biológico e a Universidade Federal de Lavras.
Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? IAC
Fone (19) 3231-5422, r. 124
Para mais informações acesse -