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Pesquisa na PG-IAC avalia tolerância de café ao bicho-mineiro
Resultado do estudo pode beneficiar o agronegócio café e o ambiente (30/07)
O bicho-mineiro, principal praga do cafeeiro no Brasil, e a ferrugem, mais importante doença dessa cultura, são objetos de estudo em uma pesquisa que está em desenvolvimento na Pós-Graduação do Instituto Agronômico (IAC) sob o título Biologia, dano e controle do bicho-mineiro do cafeeiro nos cultivares Ouro Verde IACH5010-5 e Obatã IAC1669-20. .
Resistente à ferrugem, a cultivar Obatã IAC 1669-20 ? variedade IAC de café lançada em 2000 ? tem maior retenção foliar durante a ocorrência do fungo causador dessa doença, que provoca a queda das folhas. De acordo com o pesquisador do IAC e orientador da pesquisa, Oliveiro Guerreiro Filho, a cultivar Obatã vem sendo muito cultivada nas principais regiões cafeicultoras do País e, logo que começou a ser plantada, os produtores, técnicos e pesquisadores perceberam que nessa variedade a incidência do bicho-mineiro era maior que nas variedades tradicionais, como Catuaí e Mundo Novo. Esse fato levou ao tema de uma das teses da PG- IAC.
Para checar se o maior número de lesões causadas pelo bicho-mineiro na variedade Obatã está relacionado à resistência dessa variedade à ferrugem, montou-se uma série de experimentos. De acordo com Guerreiro, na pesquisa iniciada em janeiro de 2003, a incidência da ferrugem e do bicho-mineiro é acompanhada mês a mês, analisando-se uma variedade resistente e outra suscetível à ferrugem. Os pesquisadores coletam folhas para analisar a incidência da praga e da doença e, em amostragens periódicas, verificam quantas folhas têm em cada variedade. ?Temos percebido que na Obatã há maior número de lesões de bicho-mineiro, mas o número de folhas também é maior, principalmente nessa época do ano (maio-junho), em que a incidência da ferrugem é muito grande na variedade suscetível?, explica Guerreiro.
Segundo a tese em desenvolvimento, por ser a Obatã resistente à ferrugem e, portanto, segurar mais folhas na planta, vê-se mais lesões do bicho-mineiro. Ou seja, há mais lesões desse tipo porque existe maior quantidade de folhas. ?O que se espera é constatar que além de resistente à ferrugem, a Obatã apresenta uma certa tolerância ao bicho-mineiro?, explica Guerreiro.
Essa praga forma uma galeria na folha do cafeeiro, causando a redução da superfície foliar responsável pela fotossíntese da planta, com prejuízo para a formação dos frutos. A queda na produtividade da lavoura varia de 30% a 50%, quando a ataque é muito intenso. O principal método de controle é o uso de produtos químicos.
A investigação realizada na PG-IAC, pelo aluno Celso Henrique Costa Conceição, busca saber até se é necessário controlar o bicho-mineiro na Obatã da mesma forma que em variedades suscetíveis à ferrugem. Acredita-se que ao reduzir as aplicações de produtos químicos é possível manter um controle integrado de pragas mais eficientes, por meio de equilíbrio com inimigos naturais. ?As pesquisas apontam para isso, mas os resultados ainda não são definitivos?, afirma o orientador. A pesquisa deve ser finalizada até o final deste ano
A confirmação dessa tese beneficiaria o ambiente e o agronegócio café, já que o controle químico de pragas e doenças no cafeeiro representa cerca de 12% a 15% do custo total de produção, segundo Guerreiro. ?Queremos saber se as aplicações de produtos químicos podem ser reduzidas para combater o bicho-mineiro na Obatã e com isso reduzir o custo de produção?, diz o pesquisador do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
A importância desse estudo para o produtor está no fato de a Obatã ter produtividade muito alta. A resistência à ferrugem garante à cultivar Obatã maior número de folhas e maior área verde fazendo fotossíntese, o que resulta no aumento da produção de frutos. Com excelente sabor de bebida, a Obatã vem ganhando concursos de qualidade.
Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessora de Imprensa ? Instituto Agronômico (IAC) Núcleo de Comunicação Institucional
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