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IAC realiza IV Dia de Campo de Tangerina

Público irá saber quais as variedades IAC não vêm apresentando sintomas de alternária (09/06)

Alimentos atraem pela aparência e aroma. E quando se trata de fruta de mesa ? como é a tangerina ? beleza é, mais uma vez, fundamental. O consumidor procura fruta de coloração e tamanho atraentes e, principalmente, sem manchas na casca. Esse é o código para o produtor conseguir vender sua produção. E para atingir a qualidade, os fruticultores precisam praticar suas atividades de acordo com as recomendações agronômicas, sob pena de perder os recursos investidos. Para levar informações fundamentais ao sucesso dos campos de tangerina, o Instituto Agronômico (IAC), juntamente com o Pólo Regional do Sudoeste Paulista, irá realizar o IV Dia de Campo de Tangerina, no próximo dia 17 de junho de 2004, das 9h às 16h, em Capão Bonito, onde, há oito anos, o IAC desenvolve pesquisas com 22 variedades de tangerina. Essa cultura tem sua produção espalhada no Estado todo e representa cerca de 4% da produção de citros. Em geral, o produtor de laranja também cultiva tangerina, mas em menor escala.
Direcionado a pesquisadores, produtores, técnicos, estudantes e outros interessados no setor, o evento está focado na abordagem de pragas e doenças. O objetivo é informar os produtores a fim de que conheçam as pragas e saibam como controlá-las. A mancha-marrom de alternária das tangerinas, fungo que está prejudicando os campos em São Paulo, será novamente tema de palestra. A alternária provoca a queda dos frutos e a perda do valor comercial daqueles que permanecem na árvore, em razão de manchas na casca. Durante o evento será exposto o resultado de uma avaliação feita com as 22 variedades IAC de tangerina pesquisadas. O público irá conhecer uma escala com notas de tolerância à doença, em que quatro variedades não vêm apresentando sintomas.
Por estar causando sérios problemas nas plantas, o controle desse fungo também será abordado no evento, com informações sobre época adequada de aplicação de produtos e o modo correto de uso. Adquirir mudas sadias e evitar plantios em áreas com alta umidade e maneira adensada estão entre as medidas de controle da doença. Quanto ao manejo, deve-se evitar o excesso de nitrogênio na adubação para diminuir os fluxos vegetativos no verão, aumentando-os no outono e início da primavera. Isso porque o fungo prefere os tecidos jovens.
De acordo com a pesquisadora do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Citros/IAC, Rose Mary Pio, essa orientação é importante porque, dependendo do estádio vegetativo da planta e da forma de utilização de defensivos, pode ocorrer o desequilíbrio da cultura e favorecer o aumento de outras doenças, como a pinta preta. Esta doença reduz o valor comercial e aumenta o custo de produção. A alternária e a pinta-preta se inter-relacionam e os estragos causados no campo refletem diretamente no bolso do produtor. Com o acréscimo no uso de produtos químicos, calcula-se que haja um aumento de 6% a 12% dos custo total de produção, estimado em R$ 11,00 por caixa de 40,8 kg.
O manejo de pragas será outro tema de palestra no IV Dia de Campo de Tangerina. A ênfase será em mosca-das-frutas, bicho-furão, minador e ortézia. A mosca-das-frutas deposita seus ovos no fruto e as larvas deterioram o seu interior, provocando podridão e queda abudante, quando a fruta amadurece. Já o bicho-furão deposita os ovos em frutos maduros, as lagartas penetram na casca e se alimentam do fruto, causando apodrecimento e queda. O chamado minador ataca folhas novas, formando galerias em zig-zag, o que diminui a área foliar. Esses ferimentos servem de porta de entrada para a bactéria do cancro-cítrico. Outra praga, a ortézia suga intensamente a seiva da planta, provocando desfolhamento lento mas crescente, com conseqüente definhamento da cultura.
Além de combater as doenças e pragas para viabilizar a produção, é necessário perseguir a qualidade para garantir mercados. Com esse objetivo, será realizada uma palestra sobre fitorreguladores, que envolvem a aplicação de hormônios para melhorar a qualidade da fruta. Essas substâncias contribuem, por exemplo, para ampliar a permanência do fruto na planta, aumentando-lhe o tamanho e melhorando a aparência da tangerina. Os fitorreguladores são de extrema relevância, principalmente para o mercado de frutas frescas, em que, definitivamente, beleza se põe à mesa.
Realizado pelo IAC e o Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Sudoeste Paulista, órgãos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o IV Dia de Campo de Tangerina oferece aos participantes, além das palestras, visita ao campo e degustação.

Sem sementes
A pesquisadora Rose Mary Pio afirma que essas ferramentas tecnológicas são importantes também para o projeto destinado à produção de tangerina sem sementes, desenvolvido pelo IAC, na região de Capão Bonito. Há um ano, produtores daquela localidade começaram o plantio dessas variedades sem sementes, que atraem mercados da Europa e dos Estados Unidos. O trabalho é inédito no Estado de São Paulo e destina-se a aumentar a exportação de tangerinas por meio de frutas que agradam mercados mais exigentes.
No Brasil, há poucos estudos sobre tangerina sem sementes, área em que o IAC se destaca, desenvolvendo essa pesquisa há dez anos. No ano passado, durante a 3ª edição do Dia de Campo de Tangerina, foi apresentado esse projeto de cultivo dessas variedades. Para iniciar o trabalho foram escolhidas quatro variedades sem sementes, com período de colheita de março a outubro. Desde então, três produtores já plantaram as variedades e outros dois ainda irão plantar nos próximos meses. Outro grupo de cinco produtores começará a produção de mudas no segundo semestre deste ano, com previsão para plantio no início de 2005. As produções estão localizadas em propriedades nos municípios de Angatuba, São Miguel Arcanjo, Taquarivaí, Capão Bonito, Buri e Sorocaba.
Segundo Rose Mary Pio, a expectativa é que nos próximos três ou quatro anos a região comece a ter produção de tangerina sem sementes para colocar no mercado. \"Esses plantios vão ser grandes laboratórios em que técnicas, como fitorreguladores e adubação, serão testadas\", afirma Rose Mary Pio, ao explicar que antes de os produtores começarem o cultivo dessas variedades, os estudos se davam somente nos campos de pesquisa, que são menores.

SERVIÇO:
IV Dia de Campo de Tangerina.
Data: 17 de junho de 2004
Horário: das 9h às 16h.
Local: Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Sudoeste Paulista ? Rodovia SP 250 km 232, Capão Bonito, S.P.
Informações: (19) 3546-1399
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