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Conheça as novidades IAC na Agrishow 2004
Símbolo do conhecimento agrícola, o IAC está por trás do recorde da balança comercial do agronegócio (23/04)
Dos tempos do carro de boi para a era dos grandes equipamentos agrícolas, vê-se o movimento do Brasil no cenário mundial do desenvolvimento econômico. Por trás desse crescimento está o agronegócio, setor de sucesso indiscutível. Porém, é bom lembrar que o saldo recorde registrado, em março, na balança do agronegócio começa lá atrás, no campo, onde são determinantes a planta produtiva e resistente a pragas e doenças, o solo fértil e o manejo adequado, além de outros fatores determinantes da semeadura à boa colheita. Nessa origem do agronegócio atua o Instituto Agronômico (IAC), que em quase 117 anos de pesquisa já desenvolveu cerca de 700 variedades de 66 espécies diferentes.
A Agrishow 2004 será mais uma oportunidade para o público conhecer a ampla contribuição desse órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Durante a Feira, o IAC irá expor algumas novidades ? como as quatro novas variedades de cana-de-açúcar, lançadas neste mês de abril, que inovam o Programa Cana IAC por terem vocação regional. Isso significa que essas variedades são adequadas para ambientes específicos de regiões de São Paulo, de Goiás e Minas Gerais. Com essa adequação, a resposta da cultura pode ser maior. Anteriormente, dava-se uma grande ênfase à adaptação de variedades às condições ambientais diversas. Agora, a seleção de tecnologias regionais pode proporcionar melhor desempenho da cultura e ganhos mais significativos para nichos mais específicos.
Para desenvolver as variedades, em um trabalho que durou dez anos, o Programa Cana IAC utilizou-se de uma rede de estações experimentais distribuídas nas principais regiões canavieiras de São Paulo, onde conduziu avaliações quantitativas de características agroindustriais dessas novas variedades ? IAC91-2195, IAC91-2218, IAC91-5155 e IACSP93-6006.
Uma importante contribuição dessas novas variedades está na ampliação do leque de opções, e conseqüentemente, no reforço da diversidade genética. Isso redunda em uma estratégia de proteção das lavouras contra doenças e pragas, que viabiliza a proteção do agronegócio canavieiro como um todo. Quando se tem pouca variabilidade genética, tem-se plantas semelhantes e suscetíveis aos mesmos problemas fitossanitários. Assim, quando ocorre uma doença quase todo o canavial é afetado, reduzindo drasticamente a produção.
Outra novidade do IAC é uma nova variedade de arroz preto tipo exótico ? a IAC 600, a primeira desenvolvida para o cultivo em São Paulo. Atualmente, todo arroz preto consumido no Brasil é importado. A novidade abre uma oportunidade para o rizicultor explorar um nicho específico de mercado.
Desenvolvida para o cultivo em São Paulo em condição de arroz irrigado e sequeiro, a IAC 600 é produzida da mesma forma que o arroz tradicional e com igual custo de produção. A principal diferença está no preço: atualmente, o quilo do arroz preto importado custa cerca de R$ 25,00, enquanto o arroz tradicional está em torno de R$ 2,00 o quilo. Dessa forma, a IAC 600 abre para o agricultor a possibilidade de produzir um produto diferenciado e com alto valor agregado.
Quanto às características agronômicas, a IAC 600 é um material altamente resistente à brusone, principal doença do arroz, tem porte baixo e é precoce, com cerca de 85 dias do plantio à colheita. A produtividade é aceitável para o nicho de mercado, mas é menor quando comparada com o arroz tradicional. Entretanto, a diferença de preços entre o arroz preto e o tradicional supera, em muito, a diferença de produtividade, o que deverá resultar em maiores lucros para o produtor.
Para o consumidor, o arroz preto ? que deve ser consumido na forma integral ? é um alimento de excelentes qualidades nutricionais. Comparado com o arroz integral, a novidade supera a quantidade de proteínas, de fibras e de carboidrato, além de ter menor valor calórico e menos gordura. Outro destaque dessa variedade é que a IAC 600 tem dez vezes mais compostos fenólicos que o melhor material já analisado em testes na Universidade do Texas. Esses compostos fenólicos são benéficos à saúde humana por serem antioxidantes.
Uso da água
Uma pesquisa do IAC sobre o uso racional da água na agricultura também será um assunto interessante para o público da Agrishow. O objetivo do projeto é racionalizar o uso da água na agricultura irrigada pelo estabelecimento de um sistema de gerenciamento hidrometeorológico integrado, implementação de sistema de alerta para orientação do manejo da irrigação e de mananciais, além de alternativa tecnológica para destino de águas residuárias. Com isso, contribui-se para evitar o crescente problema de uso conflitivo da água sob a óptica da sustentabilidade ambiental e estabelece-se o equilíbrio necessário entre os usos rurais e urbanos dos recursos hídricos.
Como em todos os anos, o Instituto expõe na Agrishow um ?mini-campo?, onde são plantadas variedades de amendoim, milho, cana-de-açúcar, feijão, mamona, girassol, soja, pupunha e outras culturas. Para se ter uma idéia da contribuição do IAC, só no cultivo de amendoim, as variedades IAC estiveram presentes em cerca de 70% da área plantada na safra de verão que acaba de ser colhida. Na Agrishow, estarão expostas as variedades precoces IAC 5 e IAC 8112, que geram grãos para o mercado interno de confeitaria, além da variedade Runner IAC 886, de alta produtividade e grãos para exportação, e a IAC Caiapó, destinada à produção de grãos para exportação e produção de óleo.
Os interessados em girassol encontrarão duas variedades da planta - a Uruguai, que tem todo seu potencial explorado, se plantada na safrinha, e a IAC-Iarama que deve ser plantada na safra, pois em outras épocas a produção não corresponde aos padrões. A variedade IAC-Uruguai é excelente para silagem e também pode ser utilizada para a produção de grãos para pássaros e para adubação verde. Para áreas de reforma de canavial, na safra, a boa opção é a variedade IAC-Iarama, em razão da precocidade, pois as doenças do girassol atacam no início do plantio, em outubro, e a IAC-Iarama pode ser plantada em novembro, após o período mais propício ao desenvolvimento da doença. O público poderá conhecer também as pesquisas a respeito da produção de biodiesel, a partir de plantas oleaginosas, como o girassol e a mamona. O IAC ainda irá expor as tecnologias na área de manejo de irrigação. Todo esse conhecimento será exposto por pesquisadores e técnicos, que se revezam no atendimento do grande público.
O público poderá também conhecer algumas publicações técnicas produzidas pelo IAC, com a possibilidade de levar para casa informações importantes para as atividades agrícolas. Estará disponível uma publicação que acaba de ser concluída ? o título é Fertirrigação em Hortaliças (Boletim técnico IAC, 196). A obra cuida do uso de fertilizantes na água da irrigação, sistema muito usado em hortaliças sob cultivo protegido. Em 56 páginas, várias ilustradas com fotos coloridas, o Boletim apresenta as características dos equipamentos e os cálculos necessários para o manejo correto da água de irrigação, além de fornecer recomendações de fertirrigação para as culturas de pimentão, tomate, pepino, melão e alface cultivas sob estufa plástica e para morango no campo.
Com essa riqueza de informações levada pelo IAC, o público da Agrishow terá acesso à parte de um precioso patrimônio da pesquisa agrícola brasileira. A equipe de profissionais do IAC estará à disposição para matar a sede de conhecimento dos interessados, que devem levantar poeira e procurar suas áreas de interesse. Afinal, haja fôlego para conhecer quase 117 anos de pesquisa sob o forte calor que aquece ainda mais as negociações da grande Feira Internacional de Tecnologia Agrícola.
Carla Gomes - Assessoria de Imprensa - IAC
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