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IAC inova e lança quatro variedades de cana com vocação regional
Novas variedades irão proporcionar ganhos importantes para as regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Goiás (08/04)
Matéria-prima para produção de açúcar e álcool, ela ainda pode gerar energia elétrica e até plástico biodegradável. A cana-de-açúcar ? com tamanha versatilidade ? está entre um dos principais produtos agrícolas do Brasil, líder mundial em produção de cana.
São Paulo é o maior produtor do País, com cerca de 3,3 milhões de hectares de cana. É muito canavial que precisa estar saudável sob pena de elevados prejuízos nesse importante agronegócio, que gera cerca de 300 mil empregos no campo e outros 90 mil na indústria.
A fim de contribuir para alavancar o padrão de produtividade da canavilcultura brasileira, o Instituto Agronômico (IAC), órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, irá lançar quatro novas variedades de cana-de-açúcar selecionadas para as condições do Centro-Sul do Brasil. O lançamento será neste mês de abril e as variedades serão expostas na Agrishow 2004, em Ribeirão Preto.
Uma importante contribuição que chega com essas novas variedades refere-se à ampliação do leque de opções, e conseqüentemente, o reforço na diversidade genética. Isso redunda em uma estratégia de proteção das lavouras contra doenças e pragas, que viabiliza a proteção do agronegócio canavieiro como um todo. Quando se tem pouca variabilidade genética, tem-se plantas semelhantes e suscetíveis aos mesmos problemas fitossanitários. Assim, quando ocorre uma doença quase todo o canavial é afetado, reduzindo drasticamente a produção.
Na década de 70 e 80, quase 50% da cana cultivada em São Paulo era dominada por uma única variedade. Em 1993 surgiu o Amarelinho da Cana-de-Açúcar, atingindo a variedade que ocupava mais de 30% da área, resultando em queda de quase 30% da produção de algumas usinas.
A ocorrência do Amarelinho da Cana-de-Açúcar mudou a visão dos produtores, que insistiam em uma só variedade, e estimulou os programas de melhoramento, que de 1995 até hoje liberaram cerca de 50 novas variedades de cana-de-açúcar, propiciando a diversificação do cultivo. Atualmente, a variedade mais plantada em São Paulo soma, aproximadamente, 10% do total cultivado.
Vê-se, portanto, que a relevância dessa nova contribuição do IAC relaciona-se à sustentabilidade técnica de um setor nacional ? o sucroalcooleiro ? que é o mais competitivo e eficiente do mundo. ?O grande impacto da liberação de novas variedades traduz-se na sustentabilidade das altas produtividades agroindustriais?, afirma o pesquisador do IAC e coordenador das pesquisas, Marcos Guimarães de Andrade Landell.
O desenvolvimento de variedades com vocação regional constitui-se em uma inovação do Programa Cana IAC. Essas quatro novas variedades são adequadas para ambientes específicos de regiões de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Com essa adequação, a resposta da cultura pode ser maior. Anteriormente, dava-se uma grande ênfase à adaptação de variedades às condições ambientais diversas. Agora, a seleção de tecnologias regionais pode proporcionar melhor desempenho da cultura e ganhos mais significativos para nichos mais específicos.
Para desenvolver as variedades, em um trabalho que durou dez anos, o Programa Cana IAC utilizou-se de uma rede de estações experimentais distribuídas nas principais regiões canavieiras de São Paulo, onde conduziu avaliações quantitativas de características agroindustriais dessas novas variedades ? IAC91-2195, IAC91-2218, IAC91-5155 e IACSP93-6006.
Importante ressaltar que esse lançamento é fruto do apoio do setor sucroalcooleiro, com recursos financeiros e apresentação de demandas para o grupo de pesquisa do IAC. ?Além das dezenas de empresas envolvidas diretamente no processo de avaliação, o CTC da Copersucar, com o seu banco de germoplasma, tem se constituído em importante parceiro na etapa de hibridação da cana-de-açúcar?, afirma Landell.
Boletim Técnico
O lançamento das variedades será efetivado com a publicação de um Boletim Técnico que apresenta todas as características agroindustriais das quatro variedades e indica o manejo mais adequado nos diversos ambientes de produção do Centro-Sul brasileiro. O Boletim Técnico traz informações sobre o manejo de cada uma das variedades, a qualificação dos ambientes de produção, os tipos de solos, a capacidade de armazenamento de água do solo e outras informações que viabilizam o cultivo das variedades. A publicação é direcionada a produtores, técnicos e agrônomos e pode ser adquirida pelo valor de R$7,00, no Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento do IAC, fone (19) 3231-5422, ramal 190, ou e-mail vendas@iac.sp.gov.br
Conheça as variedades IAC
No estado de São Paulo, a principal região produtora de cana é a de Ribeirão Preto. Quem viaja por aquelas bandas enche os olhos de canaviais. Não é para menos, são cerca de um milhão de hectares. Com tamanho peso no mercado sucroalcooleiro, Ribeirão Preto está entre as regiões de adaptação das quatro novas variedades IAC.
Para garantir o sucesso dos enormes campos, a sanidade é fundamental. As quatro novas variedades IAC têm bom grau de resistência a algumas das principais doenças e pragas da cana, conferindo boa estabilidade de produção em diferentes anos agrícolas, independentemente das variações climáticas. Confira abaixo as características de cada variedade.
IAC91-2195
Boa produção na cana-planta e soqueiras, alto teor de sacarose, maturação precoce, adequada para a colheita nos meses de abril a julho, florescimento raro nas condições do Estado de São Paulo, média exigência em fertilidade do solo, teor baixo de fibra (semelhante ao da RB72454), boa brotação da soca. Resistente a carvão, escaldadura e ferrugem. Moderadamente resistente a broca. Região de adaptação: Ribeirão Preto, Jaú, Piracicaba, Mococa e Pindorama.
IAC91-2218
Exigente em solo e facilitadora dos processos de mecanização, é adequada para produções mais tecnificadas.
Características:
Boa produção na cana-planta e soqueiras, alto teor de sacarose, ótima brotação da soca, floresce sob condições favoráveis (altitude e anos mais favoráveis) no Estado de São Paulo, alta exigência em fertilidade do solo, adequada para a colheita no período junho ? agosto, teor de fibra médio, excelente brotação sob palha. Resistente a carvão, escaldadura e ferrugem. Moderadamente resistente a broca. Região de adaptação: Ribeirão Preto, Jaú, Piracicaba, Mococa e Pindorama.
IAC91-5155
Com grande tolerância à seca, destaca-se em regiões de limitação hídrica, como Pindorama, Ribeirão Preto, Jaú, Minas Gerais e Goiás. Seu porte ereto permite boa colheita manual e mecanizada.
Características:
Boa produção na cana-planta e alta nas soqueiras, alto teor de sacarose, ótima brotação da soca, ausência de florescimento para as condições da região Centro-Sul do Brasil, baixa exigência em fertilidade do solo, adequada para colheita no período maio ? outubro, teor de fibra baixo. Sensível a ferrugem. Resistente a carvão e escaldadura. Boa resistência a broca.
IACSP93-6006
Esta variedade marca o início do programa de melhoramento de cana na região de Assis e da Serra da Mantiqueira, que não faz parte da canavicultura tradicional. Selecionada para solos de baixa fertilidade, a IACSP93-6006 se destaca nessas condições, em regiões de clima mais ameno.
Características:
Alta produção na cana-planta e soqueiras, alto teor de sacarose, boa soqueira, ausência de florescimento nas condições da região Centro-Sul do Brasil, baixa exigência em fertilidade do solo, média exigência em água, adequada para a colheita no período maio ? agosto, teor baixo de fibra. Resistente a carvão, escaldadura e ferrugem. Sensível a Pokkah Boeng. Moderadamente resistente a broca do colmo. Região de adaptação: Assis, Mococa, Jaú, Piracicaba e Ribeirão Preto.
Os interessados em saber como obter as novas variedades podem entrar em contato pelo e-mail canaiac@netsite.com.br
Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessoria de Imprensa - IAC
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