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IAC contribui para que assentados passem de bóias-frias para agroindustriais
Dia de Campo será em 19 de março, em Mogi Mirim (12/03)
\"Ontem eu era bóia-fria, hoje sou micro-empresário. Isso me dá esperança.\" A frase de um senhor de 64 anos revela a satisfação de quem pratica a agricultura familiar, gera emprego e renda e melhora a qualidade da própria vida e da família. O depoimento é de um dos cerca de 400 moradores de um assentamento, em Mogi Mirim. O solo ruim foi recuperado por meio de tecnologias pesquisadas no Instituto Agronômico (IAC). Variedades IAC de arroz, plantas aromáticas, girassol e outras têm crescido no campo e elevado a auto-estima de pessoas que querem dar certo no campo.
O projeto de pesquisa que leva tecnologias e variedades IAC para o assentamento de terra resulta de uma parceria entre o Instituto Agronômico, a Prefeitura de Mogi Mirim, o Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), a Associação de Pequenos Produtores Rurais \"12 de Outubro\" e o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Com sustentabilidade econômica, ambiental e social, o projeto tem apresentado bons resultados, como o cultivo de espécies de plantas aromáticas e a instalação de uma destilaria para extração de óleo essencial. Funcionando há cerca de um mês, a destilaria será oficialmente inaugurada no próximo dia 19 de março de 2004, durante o II Simpósio Técnico e Dia de Campo: Manejo e Novas Opções do Agronegócio para a Agricultura Familiar. Durante o evento, que será realizado no Assentamento do Horto do Vergel, em Mogi Mirim, seis pesquisadores do IAC e um da Esalq irão levar conhecimentos sobre diversos aspectos das atividades agrícolas praticadas no assentamento.
As ações do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, junto aos agricultores envolveram todas as etapas do campo: primeiramente foram ouvidos os agricultores para saber o que eles pretendiam plantar. Depois foram feitas análises física e química do solo, testes de variedades IAC, orientações para práticas industriais e demonstrações práticas no campo, mostrando, por exemplo, que a cultura não produz quando plantada fora da época adequada ou em solo ruim. Para citar um exemplo, o capim-limão cultivado pelo IAC atingiu dois metros de altura e o plantado pelos agricultores do assentamento ficou em 70 ou 80 centímetros. Quando o capim-limão plantado pelos assentados secou os pesquisadores encontraram a razão: a planta tinha 60 centímetros de raiz de profundidade, enquanto as cultivadas pelo IAC têm de um metro e meio a dois metros. Sem análise de solos, os agricultores aplicavam menos adubo e menos calcário, o que prejudicava o desempenho da planta. Com o plantio adequado, a planta fica verde o ano todo, possibilitando o trabalho também no inverno. As primeiras análises dos óleos essenciais já obtidas indicaram que esses possuem uma alta qualidade. Isso deverá permitir a venda a um preço maior, em nível nacional e internacional, gerando maior lucro. Mudas de plantas aromáticas ? capim-limão, citronela e vetiver ? também são fornecidas pelo IAC. Durante o evento, dia 19, serão distribuídas mudas de plantas aromáticas aos agricultores e participantes do evento. Dia de Campo
No dia 19 de março, durante o II Simpósio Técnico, Inauguração da Destilaria de Plantas Aromáticas e Dia de Campo: Manejo e Novas Opções do Agronegócio para Agricultura Familiar os agricultores do Assentamento do Horto do Vergel e Região, em Mogi Mirim, terão mais contato com pesquisadores e conhecimentos do IAC. Dentre o vários assuntos será abordada a extração de óleo de girassol, que pode servir para alimentação das cerca de 400 pessoas que vivem no assentamento, além de abastecer também máquinas agrícolas. A pesquisadora Maria Regina Úngaro irá fazer uma demonstração com a mini-prensa, máquina utilizada para extrair óleo. O cultivo de duas variedades IAC de girassol representa uma opção para os agricultores do assentamento, que podem cultivar o girassol na safra ou na safrinha. Com esta possibilidade, além de aumentar a renda é possível distribuí-la melhor ao longo do ano. Manter ativa a mão-de-obra por maior período é outro benefício do cultivo de girassol, pois a extração do óleo é feita em julho e agosto, época em que os produtores não estão em preparo de terra, sendo um momento meio ocioso. A mini-prensa pode ser adquirida por um grupo de produtores e utilizada em sistema de rodízio, já que a máquina pode funcionar 24 horas, segundo a pesquisadora.
O plantio direto será outro tema do evento e o pesquisador do IAC, Orlando Melo de Castro, irá expor a tecnologia com foco no pequeno produtor. A característica de sustentabilidade ambiental desse projeto se deve também à aplicação de tecnologias como o plantio direto, que viabiliza a prática de uma agricultura com menor impacto ambiental, pois o sistema é capaz de diminuir em 80% as perdas de solo por erosão, o que reduz a poluição e o assoreamento de rios e represas. A menor erosão se deve ao fato de o solo ficar coberto com restos vegetais e o não preparo do solo deixa uma estrutura favorável a maior infiltração da água da chuva. Resultado: o lençol freático é melhor abastecido e garante maior disponibilidade de água aos aqüíferos.
Além de poupar o ambiente, o plantio direto toca diretamente o bolso do produtor, já que os gastos com combustível caem cerca de 70% em relação aos sistemas convencionais de preparo do solo, pois no plantio direto são eliminadas as operações como aração e gradagens. Em toda a atividade, o sistema pode levar a uma redução de 30% nos custos de produção em relação ao sistema convencional. Nada mal para quem está começando a investir nas lavouras.
Do campo para o mercadoSão cerca de 100 famílias vivendo em 600 hectares cultiváveis no Assentamento do Horto do Vergel, em Mogi Mirim. Dessas famílias, 26 estão organizadas em associações e praticando o agronegócio familiar. As demais famílias também plantam, mas não estão associadas. O grupo que se dedica à atividade com plantas aromáticas adquiriu a destilaria por meio de financiamento do Governo do Estado. Com a destilaria vieram 36 empregos diretos e a expectativa de exportar os óleos essenciais que já estão produzindo. Para abastecer a destilaria ? resultante da associação de seis famílias do assentamento - serão necessários plantar 200 hectares de capim-limão. Para se ter uma idéia, um litro de óleo de eucalipto custa em torno de seis dólares e um dia de serviço para quem corta folha de eucalipto é remunerado por R$ 45,00. Resultado: esse trabalho tem colaborado para manter o homem no campo. Por isso se diz que esse projeto tem sustentabilidade econômica e social.
Segundo o coordenador do projeto e pesquisador do IAC, José Guilherme de Freitas, o grupo produtor de mandioca se organizou e adquiriu, também por meio de financiamento, um caminhão para levar o produto diretamente para o Ceasa. Ao retirar o intermediário do negócio, que antes levava as mandiocas para o mercado, o valor alcançado com a caixa de mandioca passou de R$ 2,00 para R$ 5,00.
O projeto que irá completar três anos em junho já tem resultados reais: a parceria tem resolvido problemas. De acordo com o pesquisador, o trabalho realizado junto ao Assentamento tem viabilizado o agronegócio, capacitado o agricultor e despertado para a valorização do campo. Na avaliação do pesquisador Freitas, além de os agricultores estarem interagindo no campo, eles se organizaram em associações e estão se sentindo dignos, por melhorar a vida pelo próprio trabalho.
Carla Gomes (MTb 28156) ? Assessoria de Comunicação e Imprensa ? IAC
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