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Preocupação com a sanidade no campo reúne cerca de 400 congressistas no IAC

Congresso acontece no IAC, em Campinas, de 10 a 12 de fevereiro (11/02)

A preocupação com doenças nos campos está reunindo agentes do agronegócio. Cerca de 400 profissionais e estudantes da área de fitopatologia de diversas regiões de São Paulo e de outros estados do Brasil participam do XXVII Congresso Paulista de Fitopatologia, sediado no Instituto Agronômico (IAC), em Campinas. O evento teve início ontem, 10, e se estende até 12 de fevereiro com vários temas importantes nesse setor (Confira as palestras no link do Congresso, canto inferior direito da tela).
A abertura do evento teve como destaque as considerações a respeito da importância da fitopatologia como ferramenta de proteção do agronegócio nacional. Durante a abertura, o diretor-geral do IAC, Cândido Ricardo Bastos, destacou a estreita relação entre o IAC e o Grupo Paulista de Fitopatologia, responsável pelo evento. ?A relação entre o Grupo Paulista de Fitopatologia e o IAC não começa agora. Esse entrelaçamento pelo bem da ciência e da agricultura vem de longa data. Para quem não sabe, o GPF foi formalmente fundado em 1974 no anfiteatro do Instituto Agronômico?, afirmou o diretor aos participantes.
De acordo com Bastos, a criação do GPF teve grande influência dos pesquisadores do IAC, com destaque para um de seus fundadores ? o pesquisador Álvaro Santos Costa, que dedicou 60 anos à pesquisa na área de virologia.
Diversos fitopatologistas de repercussão internacional fizeram carreira no IAC e levaram os conhecimentos para outras regiões do Brasil, segundo Bastos. Com isso, a contribuição do IAC no campo da fitopatologia não se restringiu à geração de tecnologia, mas também na formação de profissionais que auxiliaram na expansão do conhecimento pelo Brasil.
A sanidade vegetal foi apontada como importante aspecto no processo de globalização, que amplia a movimentação de produtos entre os países e com isso a probalidade de transportar patógenos. De acordo com José Sidnei Gonçalves, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), é necessário montar estratégia de proteção do produto nacional, sob pena de desmoronar toda a estrutura do agronegócio brasileiro, setor que representa um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e emprega 38% da mão-de-obra.
O coordenador enfatizou que a competência em proteção da produção nacional tem que ser anterior à ocorrência de doenças. ?Precisamos de equipes científicas em vários pontos do país com competência para proteger porque está em jogo toda a competitividade nacional?, afirmou.
O impacto da fitopatologia no agronegócio foi discutido por Armando Bergamin Filho, da ESALQ/USP, que expôs um histórico das doenças nos campos quando a agricultura ainda era uma atividade de subsistência. Naqueles tempos, em 1845, a epidemia da requeima da batata, na Irlanda, causou dois milhões de mortes. No Brasil, na década de 1920, o mosaico da cana provocou grande baixa na produção, que caiu de 1.250 sacas, em 1922, para 220 mil, em 1925.
Em 1937, o Brasil enfrentou a Tristeza dos Citros, que matou 81% dos pomares. A solução para o problema foi a troca do porta-enxerto, passando a usar o de limão-cravo. Hoje, 85% dos 200 milhões de árvores do parque citrícola nacional têm esse porta-enxerto.
Saltando para as doenças atuais, depara-se com a Morte Súbita dos Citros (MSC), que ataca justamente plantas enxertadas em limão-cravo, colocando em risco 85% dos pomares nacionais. Notada em 1999 no norte do estado de São Paulo e sul de Minas Gerais, a doença vem evoluindo ? naquele ano cerca de 500 árvores foram mortas, em 2002 saltaram para 350 mil plantas vitimadas no ano passado, um milhão e 500 mil árvores morreram em decorrência da MSC.
De 2002 para 2003, a incidência da MSC no estado de São Paulo saltou de 5 para 18 municípios, passando de 22.100 plantas infectadas para 44.449. A doença é uma gravidade para esse importante agronegócio, que abrange 615 mil hectares no país, com 200 milhões de árvores, gerando 37% da produção mundial e 400 mil empregos diretos só no estado de São Paulo.
Vê-se que a relevância da fitopatologia dispensa comentários ? daí a importância do XXVII Congresso Paulista de Fitopatologia e das pesquisas realizadas nas instituições de pesquisa, como o Instituto Agronômico.
Carla Gomes (MTb 28156) - Assessoria de Imprensa - IAC

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