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Nathan Herszkowicz fala sobre o cenário do setor cafeeiro

O Diretor-executivo da ABIC concedeu uma entrevista para a assessoria de imprensa do Instituto Agronômico. Herszkowicz aborda amplamente o mercado de café, tratando da questão da qualidade e do consumo de café. (01/12)\r\n\r\n

Por Carla Gomes ? Assessoria de Imprensa ? IAC

Entrevista
Nathan Herszkowicz, Diretor-executivo da ABIC e Presidente da Câmara Setorial de Café de São Paulo.
IAC: A Semana do Café de Qualidade foi feita de 08 a 18 de outubro de 2002, em todo o Estado de São Paulo. Decorrido um ano, quais mudanças foram verificadas no comportamento do consumidor?
Nathan Herszkowicz: O crescimento do segmento de cafés de alta qualidade é uma grata novidade para o consumidor paulista. Este segmento já está consolidado e a prova são as inúmeras casas de café que são inauguradas com freqüência em São Paulo e nas principais cidades do interior, todas com foco nos cafés tipo gourmet, excelente treinamento dos funcionários e baristas e muita sofisticação. É o café, enobrecendo como produto e como hábito
IAC: Dados do Sindicafé do ano passado mostravam que na cidade de São Paulo, em setembro de 2002, 11% do café comprado em supermercado eram Gourmet, 9% eram café Superior, 55% de Tradicional e 25% são os cafés não recomendáveis.
O objetivo era, em 12 meses, distribuir a compra de café da seguinte forma: 10% de Gourmet, 25% de Superior, 60% de Tradicional e 5% de Não Recomendáveis. Esse objetivo foi alcançado?
Nathan Herszkowicz: Ainda não houve tempo para alcançar as metas desejadas. Mas as pesquisas de Outubro mostram os Gourmet com 10%, os Superiores com 12% e os Tradicionais com 78%. Ainda há uma expressiva oferta de cafés de qualidade não recomendável, que o novo PQC - Programa de Qualidade do Café, da ABIC, pretende eliminar ou reduzir a oferta substancialmente
IAC: Quais os números quanto ao consumo de café atualmente?
Nathan Herszkowicz: O Brasil deve consumir 13,6 milhões de sacas de café em 2003, quase o mesmo total de 2002. O consumo parou de crescer e a indústria precisa se preocupar e reagir a este fato.
IAC: São Paulo é o principal centro consumidor da bebida e o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. O comportamento do consumidor no interior é semelhante ao da Capital?
Nathan Herszkowicz: Nas cidades maiores, estima-se que o comportamento do consumidor seja semelhante ao da capital. Entretanto, os cafés de maior valor encontram mais resistência no interior, ainda, uma vez que o poder de compra e de informação para o consumo destas populações ainda não se encontra no mesmo nível da capital. A ABIC está concluindo uma pesquisa \"Tendências\" para determinar o novo perfil do consumidor e as tendências para o consumo de café. No Seminário, estes resultados já serão conhecidos.
IAC: Em termos de movimentação de dinheiro no Estado, quais são os dados sobre café, por exemplo com a venda de café torrado e moído (dados do ano passado apontavam em torno de 800 milhões de reais no Estado, por ano).
Nathan Herszkowicz: O produto final (T&M) teve uma valorização de quase 50% desde Julho/2002, em função da elevação de 130% da matéria-prima. O Sindicafé-SP estima que as vendas da indústria paulista tenham sido de R$ 1,15 bilhão em 2003.
IAC: E com relação à geração de emprego?
Nathan Herszkowicz: Não houve elevação do nível de emprego, porque a indústria tem uma capacidade ociosa muito elevada - média 65% nas empresas menores.
IAC: Algumas pessoas dizem que não compensa investir em qualidade. Como o senhor define a relação entre qualidade do café e aumento da renda do produtor e de toda a cadeia?
Nathan Herszkowicz: A cafeicultura sofre de um vício antigo, qual seja, os compradores de café sempre ofereceram um preço médio para os diferentes lotes que o produtor lhes apresenta para a venda. Dessa forma, os lotes melhores são comprados pelo mesmo \"preço médio\" que os lotes piores, dando ao cafeicultor a real impressão de que \"a qualidade não vale\". É preciso quebrar este paradigma, estimulando a venda dos lotes em separado e dando mais valor para a qualidade. Os concursos de qualidade de café verde, como o 2o. Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo, que a Câmara Setorial e a Secretaria de Agricultura estão promovendo, e cuja fase final será no dia 27 de Novembro, em Santos, tem o objetivo de dar este exemplo de qualidade tem valor, e assim, educar o cafeicultor para novas práticas comerciais.
IAC: Alguns fatores são fundamentais para qualidade, como a variedade do café e a torração, por exemplo, ou todo o processo é importante?
Nathan Herszkowicz: Todo o processo é importante, mas é fundamental que o grão cru utilizado pela indústria seja de cafés com um número mínimo de grãos defeituosos. Grãos pretos, fermentados, ardidos e imaturos prejudicam irremediavelmente a qualidade. A base do novo Programa de Qualidade do Café da ABIC é o uso de cafés com menor teor de defeitos.
IAC: Comparando com outras bebidas, como está atualmente o café na cadeia de comercialização?
Nathan Herszkowicz: O café precisa distanciar-se da comoditização. Melhorar a qualidade, investir na diferenciação e agregar valor é fundamental para continuar a ter destaque na comercialização. Outros produtos, como o chá, com muitas variedades e apresentações modernas, têm tido mais destaque que o café. A industria de café precisa cuidar com carinho deste aspecto. O crescimento do segmento gourmet, entretanto, tem produzido muito destaque para a categoria e despertado a atenção de varejistas e supermercadistas. Isto pode ser muito importante para o café ganhar de seus concorrentes.
IAC: No ano passado, o senhor disse que em São Paulo 25% do café torrado e moído têm nível de qualidade abaixo do mínimo. Esse índice se mantém?
- Infelizmente, ainda sim. Mas em 2004, vamos observar uma grande virada nestes tristes números
IAC: O preço do café ruim tem reflexos também no café bom, certo. Eu tenho os preços dos cafés de qualidade para o consumidor do ano passado. Agora, como estão os preços do quilo do café Tradicional, Superior e Gourmet?
Nathan Herszkowicz: Na última pesquisa do Sindicafé-SP eles eram: Tradicionais R$ 6,50/kg; Superiores R$ 9,17/kg; Gourmet R$ 17,17/kg
IAC: O objetivo do Programa de Qualidade do Café Torrado e Moído é tornar o País um exportador de café industrializado de alta qualidade, e como está a questão da certificação e dos selos de qualidade?
Nathan Herszkowicz: O Programa Exportador da APEX-Brasil tem um Sistema de Qualidade que exige que os cafés exportados com a marca Cafés do Brasil e apoio da APEX tenham um nível de qualidade compatível com a exigência dos mercados externos. Isto nos coloca com cafés tipo Superior, o que é satisfatório para a exportação para mercados exigentes como Japão e Alemanha.
IAC: Qual a contribuição do Sistema de Qualidade de Produtos Agrícolas Pecuários e Agroindustriais, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA)?
Nathan Herszkowicz: Além de ampliar gradualmente a oferta de cafés de qualidade superior, ele esta sendo o modelo básico para o novo PQC da ABIC e, portanto, servindo de parâmetro para uma ação de caráter nacional, inovadora e sem similar em qualquer outro país.
Carla Gomes (Mtb 28156) ? Assessoria de Imprensa ? IAC
Fone (19) ? 3231-5422, r. 124 e 191

Para mais informações acesse http://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/giro-noticias/entrevista-com-nathan-herszkowicz-o-que-podemos-aprender-com-a-industria-do-cafe-33991n.a


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